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Q3511958 Medicina
Um paciente de 50 anos foi submetido a cirurgia endoscópica nasossinusal para tratamento de uma rinossinusite crônica com polipose nasossinusal. Evoluiu no pós-operatório imediato com equimose periorbital, sem alteração da motilidade ocular ou alteração visual.
Essa complicação foi consequente à:
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Tema central: complicações orbitárias da cirurgia endoscópica nasossinusal (FESS). A órbita é vizinha direta das células etmoidais e é separada por uma lâmina óssea muito fina, a lâmina papirácea. Pequenas violações dessa parede podem causar sangramento para tecidos periorbitários.

Alternativa correta: E – lesão da lâmina papirácea
O quadro de equimose periorbital no pós-operatório imediato, com motilidade ocular e visão preservadas, é típico de violação da lâmina papirácea. Essa lesão permite extravasamento sanguíneo para o espaço subcutâneo palpebral, sem necessariamente acometer músculos extraoculares ou o nervo óptico. Em lesões pequenas, o achado é isolado e tende a resolução conservadora. Esse padrão é descrito em complicações menores da FESS (UpToDate: Complications of endoscopic sinus surgery; Gray’s Anatomy – Órbita e seios paranasais).

Conduta prática
- Avaliar acuidade visual, motilidade e reação pupilar; observar sinais de hematoma orbitário.
- Se apenas equimose, geralmente conduta expectante com compressa fria e evitar assoar o nariz; considerar TC se dúvida de extensão.
- Emergência apenas se dor intensa, proptose, baixa de visão ou deficit de motilidade progressivo (risco de síndrome compartimental orbital).

Por que as demais estão incorretas?
A) Lesão do ducto nasolacrimal: cursa com epífora (lacrimejamento persistente) e obstrução lacrimal; não explica isoladamente equimose periorbitária imediata.
B) Ruptura do músculo reto medial: geraria diplopia e limitação de adução (déficit de motilidade). Como a motilidade está normal, é improvável.
C) Lesão do nervo óptico: provocaria baixa acuidade visual, defeito pupilar aferente e possível discromatopsia; ausentes no caso.
D) Lesão da placa cribriforme: tipicamente causa rinorreia liquórica, anosmia e risco de meningite; não se manifesta como equimose periorbital isolada.
E) Lesão da lâmina papirácea: explica a equimose com função ocular preservada; é a opção que melhor se alinha aos achados.

Dica de prova (pegadinha): equimose periorbital sem alteração visual ou de motilidade aponta para parede orbitária medial (lâmina papirácea). Alteração de motilidade sugere músculo; alteração visual sugere nervo óptico; rinorreia clara sugere base do crânio (placa cribriforme).

Referências rápidas: UpToDate – Complications of endoscopic sinus surgery; Gray’s Anatomy; AAO-HNS (American Academy of Otolaryngology) recomenda avaliação imediata da função ocular em complicações orbitárias e manejo conservador na ausência de sinais de emergência.

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