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Q3511953 Medicina
Uma paciente de 8 anos tem história de mais de 5 episódios de vertigens súbitas, recorrentes e fugazes, acompanhada de náuseas e vômitos, sem perda da consciência ou queixa de hipoacusia.
O quadro clínico descrito é compatível com: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Vertigem na infância. Em pediatria, episódios breves, súbitos, recorrentes de vertigem com náuseas/vômitos, sem perda de consciência e sem queixa auditiva apontam fortemente para a vertigem paroxística benigna da infância (VPBI), um “equivalente de enxaqueca”.

Alternativa correta: D — Vertigem paroxística benigna da infância

A VPBI é caracterizada por ≥5 episódios de vertigem de início súbito, duração de segundos a minutos (às vezes até 1 hora), acompanhados de palidez, náuseas/vômitos e medo, com exame neurológico e audiológico normais entre crises; não há perda de consciência. É típica entre 2–12 anos. Critérios alinhados ao ICHD-3 (1.6.2 – Episodic syndromes associated with migraine). Muitos pacientes evoluem para enxaqueca/vestibular no futuro. Referências: ICHD-3 (2018); UpToDate – Vertigo in children; Cummings Otolaryngology.

Como reconhecer na prova (estratégia): Valorize: idade pediátrica, vários episódios, curtos, sem hipoacusia/tinnitus, sem síncope, com náuseas/vômitos. Ausência de déficits neurológicos focais.

Por que as outras estão incorretas?

A) Doença de Ménière: crises de vertigem com hipoacusia neurossensorial flutuante, zumbido e plenitude aural; duração usual de 20 min a horas. É rara em crianças. A ausência de sintomas auditivos torna-a improvável. Diretrizes AAO-HNS.

B) Cinetose: náuseas e mal-estar desencadeados por movimento (carro, barco), não crises súbitas em repouso. O enunciado não cita gatilho de movimento.

C) Vestibulopatia central: costuma cursar com sinais neurológicos (ataxia marcada, diplopia, disartria), nistagmo não fatigável, e quadro mais persistente. A criança está sem déficits e com crises breves e autolimitadas.

E) Labirintite aguda: vertigem persistente por dias com perda auditiva e muitas vezes febre, geralmente pós-viral/bacteriana. Não é episódica recorrente e breve.

Diagnóstico e exames: É clínico pelos critérios do ICHD-3. Exame neurológico e otoneurológico normais entre crises. Audiometria/impedanciometria normais. Neuroimagem apenas se houver sinais de alarme (déficits focais, cefaleia intensa progressiva, alterações de consciência).

Conduta: Reassurance, evitar gatilhos, antieméticos nas crises (ex.: ondansetrona). Profilaxia de enxaqueca apenas em casos atípicos ou frequentes. A evolução é benigna. Fontes: UpToDate; SBP – vertigens na infância.

Pegadinha comum: Não confundir VPBI com BPPV do adulto (posicional, com nistagmo típico à manobra de Dix–Hallpike). Aqui o enunciado não cita desencadeamento posicional nem achados manobra-dependentes.

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