Uma paciente de 60 anos, tabagista desde os 35 anos, 1 maço...
O diagnóstico dessa paciente é:
Gabarito comentado
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Tema central: disfonia crônica em tabagista com achado típico de videolaringoscopia. O quadro descrito é clássico de edema de Reinke (também chamado cordite polipoide), acúmulo de fluido no espaço de Reinke (lamina própria superficial) por irritação crônica, sobretudo pelo tabagismo.
Alternativa correta: D – Edema de Reinke
Por que é a resposta certa? Mulher de 60 anos, tabagista, com disfonia progressiva e voz “masculinizada” (grave pela maior massa das pregas). A videolaringoscopia mostra pregas edemaciadas com “edema em franja” grau III (aspecto pendular/gelatinoso, bilateral), e motilidade preservada — conjunto típico de Reinke. O aumento de massa vibratória reduz a frequência fundamental, justificando a “masculinização” vocal. Referências: UpToDate (Reinke edema), Cummings Otolaryngology, ABORL-CCF.
Fisiopatologia resumida: irritantes (fumo, refluxo laringofaríngeo, uso vocal) → aumento de permeabilidade capilar e acúmulo de fluido no espaço de Reinke → pregas volumosas, flácidas e ondulantes. Mais frequente em mulheres tabagistas.
Diagnóstico: clínico-endoscópico. Estroboscopia pode mostrar onda mucosa alterada por sobrecarga de massa. Em tabagistas, sempre avaliar sincronia com neoplasia, mas o padrão bilateral “em franja” com mobilidade preservada favorece benignidade.
Conduta (provas gostam!): cessar tabagismo, controle de refluxo (IBP), fonoterapia. Em graus avançados (III/IV) ou refratários, microcirurgia por microflap com evacuação do conteúdo, preservando a cobertura vibratória. Recidiva é comum se mantido o fumo. (UpToDate; ABORL-CCF)
Análise das alternativas incorretas
A) Câncer de laringe: tabagismo é fator de risco, mas esperam-se lesões unilaterais exofíticas/ulceradas, irregularidade e possível redução da mobilidade. “Edema em franja” bilateral com mobilidade preservada é típico de Reinke, não de carcinoma. (Harrison; Diretrizes de Câncer de Laringe)
B) Laringite catarral aguda: quadro agudo (dias), geralmente pós-viral, com hiperemia difusa e disfonia autolimitada. N��o causa “franja” grau III crônica nem “voz masculinizada”.
C) Laringite espasmódica: termo geralmente associado a criança (tipo crupe/estridor noturno) ou a distúrbio fonatório funcional. Não explica achado endoscópico de edema polipoide em adulta tabagista.
E) Papilomatose laríngea: HPV 6/11, lesões papilomatosas múltiplas, exofíticas, verrucosas; pode cursar com estridor/recorrência. Não se apresenta como edema gelatinoso bilateral em franja.
Dica de prova: a “pegadinha” é o tabagismo sugerir câncer. Foque em mobilidade preservada e no padrão bilateral em franja + “voz grave” → pense em Reinke.
Fontes: UpToDate (Reinke’s edema), Cummings Otolaryngology, ABORL-CCF; Harrison’s Principles of Internal Medicine (neoplasias de laringe).
Gabarito: D – Edema de Reinke.
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