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Q2752787 Português

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


Ciência contra o crime


Com o aperfeiçoamento da genética e sua integração a sistemas ultrainformatizados, solucionar crimes que pareciam perfeitos está cada vez mais fácil. Onze de setembro de 2001. Dois aviões se chocam contra o World Trade Center, no coração de Nova York. 2 749 pessoas morrem. Para a maior parte dos americanos, o fundamental é descobrir os responsáveis pelo atentado terrorista. Mas, para os parentes daqueles que estavam nos prédios, o mais urgente é outra coisa: identificar seus filhos, pais, maridos e esposas.

Apenas 291 corpos foram encontrados intactos. Os outros se transformaram em mais de 19 mil partes, um terço delas tão pequenas que saíam de lá em tubos de ensaio. O colapso dos edifícios e o fogo que atingiu temperaturas superiores a 1000 °C no primeiro dia de incêndio destruíram boa parte do material genético das vítimas. Nove meses depois, menos da metade delas havia sido identificada. Sem poder contar com a análise de impressões digitais, arcadas dentárias e outros métodos tradicionais, o Escritório de Exames Médicos da Cidade de Nova York criou uma junta de especialistas para orientar os testes de DNA. Para o governo dos EUA, consolar os familiares das vítimas do 11 de Setembro tornou-se uma questão de honra nacional, na qual todo esforço tecnológico deveria ser empregado.

Estava para começar o maior – e provavelmente mais difícil – trabalho de perícia criminal da história da humanidade. “Nenhum de nós sabia quanto tempo a investigação poderia durar”, diz o geneticista do Instituto Nacional de Pesquisas do Genoma Humano Leslie Biesecker, um dos especialistas envolvidos no processo. Em 7 anos, a força-tarefa que uniu biólogos, químicos, médicos-legistas, engenheiros, matemáticos e programadores conseguiu resultados inéditos, que hoje começam a ser empregados ao redor do planeta.

Os esforços de identificação das vítimas do WTC são uma prova de que, hoje, desvendar crimes só é possível com equipes multidisciplinares. Além de aperfeiçoar a clássica coleta de evidências, elas trabalham no desenvolvimento de sofisticadas técnicas de testes de DNA e softwares especializados que formam uma estrutura de fazer inveja a Sherlock Holmes. Esse arsenal high tech tem deixado a vida dos bandidos complicada: está cada vez mais duro cometer um crime perfeito. Ciência contra o crime


(ARAÚJO, Tarso. in Revista Superinteressante, agosto de 2008.)

De acordo com a norma culta da língua, apenas uma das opções completa correta e respectivamente as lacunas da frase abaixo. Aponte-a.


No tempo ___ se empregavam as técnicas convencionais ___ se trabalhava para solucionar os crimes, o trabalho ___ os peritos desenvolviam era muito mais moroso.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão:
O tema principal é o emprego correto dos pronomes relativos associados a preposições, em especial na redação conforme a norma-padrão. A questão exige atenção à regência verbal, à referência de cada oração e à escolha do conectivo ideal.

Explicação da alternativa correta (D):
“em que – com as quais – que”

1ª lacuna: “em que”
O termo “no tempo em que se empregavam as técnicas...” remete a circunstância temporal. Segundo a gramática normativa (Bechara), usa-se “em que” para retomar palavras como tempo, época, momento:
O ano em que comecei a estudar.

2ª lacuna: “com as quais”
O verbo “trabalhar” exige preposição com quando indica instrumento/meio (“trabalhava com as técnicas”). O relativo “as quais” concorda com “técnicas convencionais”, e a preposição deve antecipar o pronome:
as técnicas com as quais se trabalhava...

3ª lacuna: “que”
O relativo “que” assume o papel de objeto direto, referindo-se a “o trabalho”:
o trabalho que os peritos desenvolviam...

Por que as demais alternativas estão incorretas?

A) “onde - com as quais - que”: “onde” é usado apenas para lugares físicos, não para tempo.

B) “que - das quais - o qual”: Faltam as preposições exigidas (“em que”, “com as quais”), e “o qual” não simplifica corretamente a oração final.

C) “que - que - o qual”: Faltam preposições, errando tanto na referência temporal quanto instrumental.

E) “onde - que - o qual”: Repetem-se os erros de uso de “onde” para tempo e ausência de preposição na segunda lacuna.

Dica de prova: Pronomes relativos variam conforme o antecedente (pessoa, tempo, lugar) e exigem as preposições necessárias à regência do verbo. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, “em que” para tempo, “onde” para lugar.

Resumo:
A alternativa D é a única gramaticalmente correta pela norma culta.
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