O otorrinolaringologista é chamado para avaliar um recém-na...
Diante do quadro, o diagnóstico desse recém-nascido é:
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Obstrução nasal neonatal por atresia de coana. RN são respiradores nasais obrigatórios; portanto, obstruções posteriores (coanais) têm grande impacto clínico. A impossibilidade de passagem de sonda e a TC mostrando obliteração posterior direcionam o diagnóstico.
Alternativa correta: B – Atresia unilateral de coana.
Justificativa: A falha na passagem da sonda pela fossa nasal esquerda, somada à TC em corte axial evidenciando obliteração da porção posterior da fossa nasal esquerda, é clássica de atresia coanal unilateral. Na prática, o “teste da sonda” (6–8 Fr) que não progride até a nasofaringe e a TC de seios da face confirmam o diagnóstico, distinguindo componente ósseo/membranoso (a maioria é ósseo ou misto). Unilateral costuma cursar com obstrução/rinorreia persistente de um lado e é menos dramática que a bilateral. Referências: UpToDate; Cummings Otolaryngology; SBP.
Análise das alternativas incorretas:
A – Agenesia de esfenoide: não explica obstrução posterior focal da fossa nasal nem a falha da sonda. Além disso, o seio esfenoidal não está pneumatizado no RN; sua “agenesia” não causa atresia coanal na TC.
C – Desvio septal: pode estreitar o meato anterior, mas não causa obliteração completa da região coanal. A TC mostraria desvio do septo, não uma placa obstrutiva posterior.
D – Imperfuração (atresia) de coana bilateral: cursa com obstrução em ambos os lados, desconforto respiratório com cianose cíclica aliviada ao chorar e falha da sonda nas duas fossas. O caso é unilateral.
E – Encefalocele: manifestaria massa nasoetmoidal/craniana com defeito ósseo do crânio-base e possível comunicação com LCR. A TC/MRI sugeririam lesão expansiva, não apenas placa de obliteração coanal.
Diagnóstico na prática: suspeitar em RN com obstrução nasal e falha da sonda. Confirmar com nasofibroscopia e TC de alta resolução em planos axial/coronal para espessura da placa e planejamento cirúrgico. Diferenciar unilateral vs bilateral é crucial pelo quadro clínico.
Conduta resumida: bilateral: assegurar via aérea (p. ex., cânula orofaríngea/McGovern nipple), NPT/sonda, e cirurgia endoscópica precoce; stent é controverso. Unilateral: correção eletiva por via endoscópica com ressecção da placa e, muitas vezes, posterior septectomia. (UpToDate; AAO-HNS; SBP).
Pegadinhas de prova: “Esfenoide ausente” em RN é armadilha — o seio não está desenvolvido. Obstrução posterior à TC aponta para coana; desvio septal é anterior. Quadro grave e bilateral sugere atresia coanal bilateral.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo