Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na ...

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Q30623 Português
Duas sociedades

Na formação histórica dos Estados Unidos, houve desde
cedo uma presença constritora da lei, religiosa e civil, que
plasmou os grupos e os indivíduos, delimitando os comportamentos
graças à força punitiva do castigo exterior e do
sentimento interior do pecado.

Esse endurecimento do grupo e do indivíduo confere a
ambos grande força de identidade e resistência, mas desumaniza
as relações com os outros, sobretudo os indivíduos de outros
grupos, que não pertençam à mesma lei e, portanto, podem
ser manipulados ao bel-prazer. A alienação torna-se ao mesmo
tempo marca de reprovação e castigo do réprobo; o duro modelo
bíblico do povo eleito, justificando a sua brutalidade com os
não eleitos, os outros, reaparece nessas comunidades de leitores
cotidianos da Bíblia. Ordem e liberdade - isto é, policiamentos
internos e externos, direito de arbítrio e de ação violenta
sobre o estranho - são formulações desse estado de coisas.

No Brasil, nunca os grupos ou os indivíduos encontraram
efetivamente tais formas; nunca tiveram a obsessão da ordem
senão como princípio abstrato, nem da liberdade senão como
capricho. As formas espontâneas de sociabilidade atuaram com
maior desafogo e por isso abrandaram os choques entre a
norma e a conduta, tornando menos dramáticos os conflitos de
consciência.

As duas situações diversas se ligam ao mecanismo das
respectivas sociedades: uma que, sob alegação de enganadora
fraternidade, visava a criar e manter um grupo idealmente
monorracial e monorreligioso; outra que incorpora de fato o
pluralismo étnico e depois religioso à sua natureza mais íntima.
Não querendo constituir um grupo homogêneo e, em consequência,
não precisando defendê-lo asperamente, a sociedade
brasileira se abriu com maior largueza à penetração de grupos
dominados ou estranhos. E ganhou em flexibilidade o que perdeu
em inteireza e coerência.

(Adaptado de Antonio Candido, Dialética da malandragem)
Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela regência exigida pelos termos retomados pelos pronomes relativos: em E, “com que” atende a “comportar-se com flexibilidade”, e “de que” atende a “ser carente de inteireza e coerência”. Como os dois relativos se ajustam à regência de suas construções, E é a única alternativa correta.

Tema central: regência dos relativos
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está no segundo elemento: “de cujas nos livramos”. “Cujo” é pronome relativo possessivo e precisa vir ligado imediatamente a um substantivo, sem artigo; por isso, “cujas” não pode aparecer sozinho. A presença de um primeiro trecho formalmente possível, “de cujo endurecimento”, não salva a alternativa, porque a questão exige correção dos dois elementos.
B
Errada
Há erro nos dois relativos. Em “nas quais somos um exemplo”, o relativo locativo não se ajusta à regência de “ser um exemplo”; a construção não pede valor de lugar. Em “por onde os Estados Unidos se notabilizam”, o problema é semelhante: “notabilizar-se por” pede a ideia de característica ou motivo, mas “por onde” introduz valor locativo indevido.
C
Errada
Em “relações aonde existem preconceitos”, “aonde” está errado porque exige ideia de movimento em direção, o que não ocorre ali; além disso, “relações” não é antecedente locativo. No segundo trecho, “em cujo processo é movido por falso moralismo”, a articulação sintática fica defeituosa: o predicado “é movido” não se organiza corretamente nessa estrutura, embora haja um substantivo após “cujo”.
D
Errada
O primeiro erro é de regência verbal: em “das quais o autor não deixa de criticar”, o verbo “criticar” não rege a preposição “de”; portanto, “das quais” está incorreto. No segundo trecho, a construção com “cabe” também é inadequada: “cabe” é impessoal e, nessa estrutura, não admite “os quais” como objeto direto, o que torna “os quais cabe desprezar” sintaticamente defeituoso.
E
Certa
Na alternativa E, os dois elementos sublinhados estão corretos porque cada um foi escolhido conforme a regência da estrutura em que aparece. Em “A flexibilidade com que nos comportamos”, a construção subjacente é “comportamo-nos com flexibilidade”, o que justifica “com que”. Em “a inteireza e a coerência de que somos carentes”, a forma correta decorre de “ser carente de”, o que exige “de que”. A correção da alternativa não depende só da proximidade de vocabulário com o texto, mas do encaixe sintático e semântico dos pronomes relativos.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de aceitar a alternativa pelo sentido geral ou por um dos dois trechos parecer correto. Aqui, era obrigatório verificar se cada pronome relativo obedecia à regência do verbo ou do nome da própria oração; foi isso que eliminou as alternativas com “cujo” mal empregado e com “aonde/por onde” usados sem valor locativo adequado.
Dica para questões semelhantes
  • Teste a frase sem o relativo: se a construção original exigir preposição, o relativo deve trazê-la.
  • Só aceite “cujo” quando houver relação de posse ou pertença e vier um substantivo logo depois, sem artigo.
  • Não use “aonde”, “onde” ou “por onde” se o antecedente não tiver valor locativo real ou se não houver, no caso de “aonde”, ideia de movimento.
  • Em alternativas com dois elementos sublinhados, valide os dois separadamente; um acerto parcial não torna a opção correta.

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Comentários

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Acho que o correto da alternativa A, seria:A formação histórica dos Estados Unidos, cujo endurecimento é sabido de todos, deu-se em consonância com leis duras, das quais nos livramos.

 "compensar"

  • compensar - v.t. Equilibrar um efeito com outro; neutralizar a perda com o ganho, o mal com o bem: compensar os defeitos pelas qualidades....

Carente "de" alguma coisa...

A opção que contempla as regras que regem a Língua Portuguesa estão presentes na última alternativa.
Complemento o excelente comentário anterior:

A) A formação histórica dos Estados Unidos, cujo endurecimento é sabido de todos, deu-se em consonância com leis duras, das quais nos livramos.

B) Há formas espontâneas de convìvio, das quais somos um exemplo, assim como há formas rígidas, pelas quais os Estados Unidos se notabilizam.

C) São desumanas as relações em que existem preconceitos, assim como são odiosas aquelas cujo processo é movido por falso moralismo.

D) Nas sociedades mais flexíveis, as quais o autor não deixa de criticar, os estranhos são vistos como indesejáveis, os quais cabe despresar.

E) Como já foi genialmente observado anteriormente, não apresenta quaisquer tipo de falha.

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