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Q3511941 Medicina
Uma criança de 4 anos chega ao consultório de otorrinolaringologia com quadro de rinorreia amarelada e odor fétido em fossa nasal direita há 4 semanas. A mãe relata que a criança fez uso de amoxicilina com ácido clavulânico por 10 dias, porém mantém o quadro de rinorreia à direta.
Com base nessa história clínica, a principal hipótese diagnóstica é:
Alternativas

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Tema central: criança com rinorreia unilateral, purulenta e com odor fétido, persistente apesar de antibiótico. Esse padrão, especialmente em 2–5 anos, é clássico de corpo estranho nasal.

Alternativa correta: E — Corpo estranho nasal

Justificativa clínica: A combinação “rinorreia purulenta e malcheirosa unilateral” em criança pequena, sem melhora com antibiótico, aponta fortemente para corpo estranho. Outros achados possíveis: pequena epistaxe, obstrução do lado acometido e, às vezes, visualização do objeto. A idade pré-escolar é típica pelo comportamento exploratório. Fontes: UpToDate – Nasal foreign bodies in children; Cummings Otolaryngology; Nelson Textbook of Pediatrics.

Confirmação diagnóstica: Rinoscopia anterior com aspiração suave para remover secreção e visualizar o objeto. Imagem não é rotineira; radiografia apenas se suspeita de pilha tipo botão ou ímã, que exigem remoção imediata. Testes laboratoriais não são necessários.

Conduta de escolha: remoção em consultório/PS com vasoconstrictor e anestésico tópico, uso de gancho, pinça de crocodilo ou sucção. Em pequenos, pode-se tentar a técnica de “beijo do cuidador” (pressão positiva). Evite irrigação se vegetal ou suspeita de pilha. Antibiótico apenas se houver sinusite/impetiginização. Referências: UpToDate; AAP; Diretrizes ENT UK.

Por que as demais estão incorretas?

  • A – Hipertrofia de tonsila faríngea (adenoide): cursa com obstrução bilateral, roncos, respiração oral e rinorreia seromucosa. Não dá secreção fétida unilateral prolongada. Diretriz SBP/ABORL.
  • B – Fístula liquórica: rinorreia aquosa, cristalina, gosto salgado/“metálico”, piora ao inclinar a cabeça, história de trauma/cirurgia; confirmar com beta-2 transferrina. Não é purulenta nem malcheirosa. Harrison’s e UpToDate.
  • C – Adenoidite crônica: secreção e gotejamento pós-nasal geralmente bilaterais, halitose e tosse crônica; não típica a unilateralidade fétida refratária a antibiótico.
  • D – Rinopatia alérgica: prurido, espirros, rinorreia aquosa, palidez de conchas e lacrimejamento; secreção não é malcheirosa, quadro costuma ser bilateral. Diretrizes ARIA.

Estratégia para a prova: Em pediatria, memorize o “triângulo de ouro”: rinorreia unilateral + purulenta + odor fétido = corpo estranho nasal, especialmente se não melhora com antibiótico. Pense em pilha/ímã se evolução abrupta, escoriações e queimadura local; é urgência.

Pegadinha comum: confundir com adenoidite. Foque na unilateralidade e odor, raros em adenoidopatias.

Resposta: E — Corpo estranho nasal.

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