Um paciente de 25 anos relata prurido auricular intenso à di...
Diante do exposto, a principal hipótese diagnóstica é:
Gabarito comentado
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Tema central: Otite externa fúngica (otomicoses) em adulto jovem com exposição frequente à água. O quadro típico inclui prurido intenso, detritos algodonosos no meato acústico externo e pontos escurecidos (comuns em Aspergillus niger), além de hiperemia local.
Alternativa correta: C – Otite externa fúngica
Justificativa: A combinação de prurido predominante, exposição à água (surfista) e aspecto otoscópico com material “algodonoso” e “pontos pretos” é clássica de otomicoses, especialmente por Aspergillus. A otomicose costuma cursar com desconforto leve a moderado e otorreia escassa, sendo o prurido a queixa-chave. Referências: UpToDate (Fungal otitis externa), diretriz AAO-HNSF para otite externa aguda (manejo inclui limpeza do conduto e agentes tópicos acidificantes/antifúngicos).
Análise das alternativas incorretas
A – Otite média aguda: Dor intensa, febre e membrana timpânica abaulada são esperados; os achados se concentram no ouvido médio, não no meato. O “algodonoso” com pontos pretos não se encaixa.
B – Otite externa maligna (necrotizante): Típica de idosos diabéticos/imunossuprimidos, com dor desproporcional, tecido de granulação no istmo ósteo-cartilaginoso e possível acometimento de pares cranianos. Não é o perfil de um jovem saudável surfista.
D – Otite externa furunculosa: Infecção do folículo piloso (geralmente S. aureus) no terço lateral do conduto; cursa com otalgia intensa, dor ao tracionar o pavilhão/pressionar o trago e pústula localizada, sem material micótico “algodonoso”.
E – Otite média crônica simples: Envolve perfuração timpânica crônica e otorreia recorrente do ouvido médio. O achado central não é prurido nem detritos micóticos no conduto.
Como confirmar o diagnóstico
Clínico/otoscópico: detritos micóticos (brancos/algodonosos em Candida; cinza/preto em Aspergillus). Microscopia/aspiração auxilia. Cultura raramente necessária, reservada a casos refratários.
Tratamento de escolha
- Limpeza do conduto (toilette aural) com remoção dos detritos, muitas vezes repetida.
- Acidificação do meio (ex.: ácido acético 2%) e/ou antifúngico tópico (ex.: clotrimazol 1%, miconazol; nistatina para Candida).
- Evitar água até resolução; orientar secagem e proteção. Considerar ear wick se edema importante.
- Analgésicos conforme necessidade. Evitar antibióticos tópicos isolados, salvo suspeita de coinfecção bacteriana.
Fontes: UpToDate 2024 – Fungal otitis externa; AAO-HNSF Clinical Practice Guideline: Acute Otitis Externa; Cummings Otolaryngology.
Pegadinhas e estratégia de prova
- Prurido + “algodão” + pontos pretos direciona fortemente para fungo (pense em Aspergillus niger).
- Idade/comorbidades ajudam a descartar otite externa maligna.
- Dor intensa e pústula sugerem furúnculo, não micose.
- Otite média tem sinais timpânicos, não do conduto.
Gabarito: C – Otite externa fúngica
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