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Q3511939 Medicina
Um paciente de 25 anos relata prurido auricular intenso à direita. Surfista profissional, não utiliza protetores auriculares na prática do surfe. Uma otoscopia constata a presença de hiperemia e secreção em meato acústico externo à direita com área de aspecto algodonoso e área de pontos escurecidos.
Diante do exposto, a principal hipótese diagnóstica é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Otite externa fúngica (otomicoses) em adulto jovem com exposição frequente à água. O quadro típico inclui prurido intenso, detritos algodonosos no meato acústico externo e pontos escurecidos (comuns em Aspergillus niger), além de hiperemia local.

Alternativa correta: C – Otite externa fúngica

Justificativa: A combinação de prurido predominante, exposição à água (surfista) e aspecto otoscópico com material “algodonoso” e “pontos pretos” é clássica de otomicoses, especialmente por Aspergillus. A otomicose costuma cursar com desconforto leve a moderado e otorreia escassa, sendo o prurido a queixa-chave. Referências: UpToDate (Fungal otitis externa), diretriz AAO-HNSF para otite externa aguda (manejo inclui limpeza do conduto e agentes tópicos acidificantes/antifúngicos).

Análise das alternativas incorretas

A – Otite média aguda: Dor intensa, febre e membrana timpânica abaulada são esperados; os achados se concentram no ouvido médio, não no meato. O “algodonoso” com pontos pretos não se encaixa.

B – Otite externa maligna (necrotizante): Típica de idosos diabéticos/imunossuprimidos, com dor desproporcional, tecido de granulação no istmo ósteo-cartilaginoso e possível acometimento de pares cranianos. Não é o perfil de um jovem saudável surfista.

D – Otite externa furunculosa: Infecção do folículo piloso (geralmente S. aureus) no terço lateral do conduto; cursa com otalgia intensa, dor ao tracionar o pavilhão/pressionar o trago e pústula localizada, sem material micótico “algodonoso”.

E – Otite média crônica simples: Envolve perfuração timpânica crônica e otorreia recorrente do ouvido médio. O achado central não é prurido nem detritos micóticos no conduto.

Como confirmar o diagnóstico

Clínico/otoscópico: detritos micóticos (brancos/algodonosos em Candida; cinza/preto em Aspergillus). Microscopia/aspiração auxilia. Cultura raramente necessária, reservada a casos refratários.

Tratamento de escolha

- Limpeza do conduto (toilette aural) com remoção dos detritos, muitas vezes repetida.

- Acidificação do meio (ex.: ácido acético 2%) e/ou antifúngico tópico (ex.: clotrimazol 1%, miconazol; nistatina para Candida).

- Evitar água até resolução; orientar secagem e proteção. Considerar ear wick se edema importante.

- Analgésicos conforme necessidade. Evitar antibióticos tópicos isolados, salvo suspeita de coinfecção bacteriana.

Fontes: UpToDate 2024 – Fungal otitis externa; AAO-HNSF Clinical Practice Guideline: Acute Otitis Externa; Cummings Otolaryngology.

Pegadinhas e estratégia de prova

- Prurido + “algodão” + pontos pretos direciona fortemente para fungo (pense em Aspergillus niger).

- Idade/comorbidades ajudam a descartar otite externa maligna.

- Dor intensa e pústula sugerem furúnculo, não micose.

- Otite média tem sinais timpânicos, não do conduto.

Gabarito: C – Otite externa fúngica

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