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Q3511938 Medicina
Um paciente de 80 anos, diabético tipo I, comparece à consulta com queixa de otalgia intensa à esquerda há 3 semanas, refratária ao uso de dipirona. Apresenta, também, queixa de otorreia amarelada há 3 semanas, que permanece mesmo após o uso de gotas otológicas. Uma otoscopia revela a presença de secreção amarelada e de tecido de granulação em meato acústico externo.
Considerando o quadro do paciente, a conduta mais adequada é:
Alternativas

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Tema central: Quadro típico de otite externa maligna (osteomielite de base de crânio), infecção invasiva do meato acústico externo por Pseudomonas aeruginosa, que acomete sobretudo idosos diabéticos. Sinais-chave: otalgia intensa e prolongada, otorréia persistente e tecido de granulação no meato. É urgência otorrinolaringológica, exige antibioticoterapia sistêmica e controle rigoroso da glicemia.

Alternativa correta: ADosagem de glicemia (controle metabólico reduz risco de progressão), VHS (marcador útil para estadiar e monitorar resposta), cintilografia com tecnécio-99m (alta sensibilidade para osteomielite da base do crânio) e internação para antibiótico venoso com cobertura antipseudomonas (ex.: ciprofloxacina IV, ceftazidima, piperacilina-tazobactam). Conduta alinhada às recomendações de UpToDate, Cummings Otolaryngology e Harrison, que destacam manejo hospitalar, antibiótico IV prolongado e monitorização de VHS.

Raciocínio clínico: Em diabéticos, a microangiopatia e disfunção neutrofílica favorecem invasão do EAC para a base do crânio. O tecido de granulação no istmo do conduto é achado característico. A dor desproporcional ao exame sugere doença invasiva. Confirmação com imagem e cultura do tecido/granulação quando possível; CRP/VHS elevados.

Por que as demais estão incorretas?

  • BTratamento inadequado: ciprofloxacina tópica e tubo de ventilação indicam otite média/externa não invasiva. Na otite maligna, é necessário antibiótico sistêmico IV. RNM pode avaliar partes moles/pares cranianos, mas não substitui o início de terapia IV e não é o primeiro passo isolado.
  • C – Propõe timpanomastoidectomia radical e reabilitações, conduta própria de otite média crônica colesteatomatosa, não de otite externa maligna. Cirurgia não é primeira linha; foco é tratamento clínico.
  • D – Mistura exames úteis (TC para erosão óssea; cintilografia com gálio ótima para monitorar resposta), mas oferece apenas ciprofloxacina tópica e debridamento. Debridamento é adjuvante e reservado; o essencial é antibiótico IV e controle glicêmico. Falta a hospitalização e a terapia sistêmica.
  • EDescompressão do nervo facial não é indicada; mesmo com paresias, o manejo é clínico com antibiótico IV. “Reabilitações” não tratam a infecção ativa.

Estratégia em provas: Idoso diabético + dor intensa persistente + granulação no EAC → pense em otite externa maligna. Procure no enunciado por: necessidade de internação, antipseudomonas IV, VHS para seguimento, e cintilografia óssea (Tc-99m para diagnóstico; Gálio-67 para monitorizar).

Referências essenciais: UpToDate – Malignant (necrotizing) otitis externa; Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery; Harrison’s Principles of Internal Medicine; Diretrizes e revisões da AAO-HNS sobre otite externa.

Gabarito: A

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