Uma mãe relata que sua filha de 6 anos, nascida a termo e co...

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Q3511937 Medicina
Uma mãe relata que sua filha de 6 anos, nascida a termo e com teste de triagem auditiva neonatal normal ao nascimento, há 6 meses vem apresentando hipoacusia bilateral, obstrução nasal, roncos e respiração oral de suplência. Uma otoscopia revela membranas timpânicas opacas e com presença de nível líquido bilateralmente.
Foi solicitado exame de audiometria e impedanciometria para essa criança. O resultado esperado é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Otite média com efusão (OME) em criança, secundária à disfunção tubária (provável hipertrofia adenoideana), causando hipoacusia condutiva e padrão típico na impedanciometria.

Alternativa correta: D — hipoacusia condutiva com curva tipo B.

Raciocínio clínico: Criança de 6 anos com roncos, respiração oral e obstrução nasal sugere hipertrofia de adenoides e disfunção da tuba de Eustáquio. A otoscopia com membranas opacas e nível líquido bilateral confirma efusão na orelha média (OME). Na audiometria, a OME produz gap aéreo-ósseo com via óssea normal (padrão conductivo). Na timpanometria, o líquido reduz a complacência, gerando curva plana (tipo B), geralmente com volume de canal auditivo externo normal. Diretrizes AAO–HNS (2016; atualização 2022) e UpToDate corroboram: OME → hipoacusia condutiva + timpanograma tipo B.

Análise das alternativas incorretas:

A) Normoacusia com curva tipo A: Tipo A indica orelha média normal. Incompatível com efusão evidente (nível líquido), que gera perda condutiva e curva B.

B) Hipoacusia neurossensorial com curva tipo B: Perda neurossensorial é lesão de cóclea/retrocochlear e tipicamente tem timpanograma tipo A; curva B denota patologia de orelha média. O teste do pezinho normal e a clínica não sustentam perda neurossensorial.

C) Hipoacusia mista com curva tipo A: Se há componente condutivo, a timpanometria dificilmente será tipo A; com efusão, espera-se tipo B. Tipo A com perda mista é incongruente com o achado otoscópico.

E) Hipoacusia neurossensorial com curva tipo C: Curva C indica pressão negativa (disfunção tubária) sem efusão estabelecida. Aqui há nível líquido e sinais de OME; além disso, neurossensorial não se associa a curva C por si.

Dicas de prova (pegadinhas):

  • Nível líquido/bolhas na otoscopia → pense em OME → curva B e perda condutiva.
  • Curva C aparece em disfunção tubária sem efusão; na OME estabelecida, predomina curva B.
  • Neurossensorial costuma ter timpanograma A (orelhas médias íntegras).

Conduta prática (resumo): Segundo AAO–HNS/AAP: observar por 3 meses se sem risco para linguagem; tratar fatores nasais (rinite/adenoide); se persistir OME com hipoacusia significativa, considerar tubos de ventilação e, em >4 anos com obstrução/roncos, adenoidectomia (UpToDate; Cummings Otolaryngology).

Referências rápidas: AAO–HNS Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (2016; update 2022); UpToDate – Otitis media with effusion in children; Cummings Otolaryngology.

Gabarito: D

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