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Q3882672 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Morrer de câncer deve se tornar algo cada vez menos frequente


As vacinas baseadas em mRNA (RNA mensageiro) surgiram como uma nova e promissora abordagem na medicina. Desenvolvidas nos anos 1990, essas vacinas ganharam destaque na pandemia de covid-19, quando demonstraram sua eficácia e segurança na prevenção da doença.


O princípio das vacinas de mRNA é simples: elas utilizam um fragmento do código genético do vírus ou de células tumorais para estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos. Diferentemente das vacinas tradicionais, que utilizam vírus atenuados ou inativados, as vacinas de mRNA não contêm o patógeno em si, tornando-as mais seguras e fáceis de produzir.


A pandemia de covid-19 acelerou o desenvolvimento e a aplicação das vacinas de mRNA. Em tempo recorde, pesquisadores conseguiram criar vacinas altamente eficazes contra o vírus Sars-CoV-2, demonstrando o potencial dessa tecnologia.


No Brasil, o desenvolvimento de vacinas baseadas em mRNA também tem avançado. Instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan têm investido em pesquisas nessa área, buscando não apenas a produção de vacinas contra a covid-19 mas também a aplicação da tecnologia em outras áreas, como o tratamento do câncer.


Dominar a tecnologia de vacinas de mRNA é crucial para a sociedade brasileira por várias razões. Primeiro, permite uma resposta mais rápida e eficaz a futuras pandemias e surtos de doenças infecciosas. Segundo, impulsiona a capacidade do país em inovar na área da biotecnologia, promovendo avanços não apenas na vacinação mas em tratamentos personalizados para doenças complexas, como o câncer. Por fim, fortalece a economia e a soberania nacional ao reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.


Além da prevenção de doenças infecciosas, as vacinas de mRNA têm se mostrado promissoras no tratamento do câncer. Pesquisadores estão desenvolvendo vacinas personalizadas que utilizam o mRNA de células tumorais específicas de cada paciente. Essas vacinas têm como objetivo estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas, sem afetar as células saudáveis.


Estudos clínicos iniciais têm mostrado resultados encorajadores no uso de vacinas de mRNA para o tratamento de diversos tipos de câncer, como melanoma, câncer de pulmão e câncer de próstata. Embora ainda não estejam amplamente disponíveis na rotina clínica, essas vacinas representam uma nova esperança para pacientes com câncer, especialmente àqueles que não respondem bem às terapias convencionais. 


As vacinas de mRNA fazem parte de uma revolução mais ampla no tratamento do câncer, impulsionada pelos avanços na imunoterapia e na genômica. A imunoterapia busca fortalecer o sistema imunológico do paciente para combater o câncer, enquanto a genômica permite a identificação de mutações específicas nas células tumorais, possibilitando tratamentos mais precisos e personalizados.


Apesar dos avanços promissores, ainda existem desafios a serem superados para viabilizar as vacinas de mRNA para pacientes com câncer. Um dos principais obstáculos é a identificação precisa dos antígenos tumorais específicos de cada paciente, essenciais para o desenvolvimento de vacinas personalizadas.


Além disso, é necessário aprimorar a eficácia das vacinas, garantindo uma resposta imunológica robusta e duradoura contra as células cancerígenas. Em uma perspectiva futura, é possível vislumbrar um cenário em que a combinação de vacinas de mRNA, imunoterapia e outras abordagens inovadoras transformem o câncer numa doença controlável e até mesmo curável. Com o avanço da medicina personalizada e o aprimoramento contínuo das terapias, é plausível imaginar que, nas próximas décadas, morrer de câncer se torne algo cada vez menos frequente, permitindo que milhões de pessoas tenham uma vida mais longa e saudável.


Com o avanço das pesquisas e o aprimoramento da tecnologia, essas vacinas poderão ser adaptadas para tratar uma ampla gama de tipos de câncer, oferecendo uma abordagem mais eficaz e menos tóxica em comparação às terapias convencionais.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/

Embora ainda não estejam amplamente disponíveis na rotina clínica, essas vacinas representam uma nova esperança para pacientes com câncer, especialmente àqueles que não respondem bem às terapias convencionais.


Assinale a alternativa em que a alteração do segmento destacado no período acima tenha se dado sem alteração de sentido.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho "Embora ainda não estejam amplamente disponíveis na rotina clínica, essas vacinas representam uma nova esperança para pacientes com câncer", o conector "embora" introduz uma relação concessiva. A reescrita correta deve preservar esse valor semântico; por isso, a alternativa B, com "conquanto", é a única compatível com o enunciado.

Tema central: conjunção concessiva
Análise das alternativas
A
Errada
"Desde que" não reproduz o valor concessivo do trecho original. Esse conector introduz leitura predominantemente condicional, isto é, desloca o sentido para uma condição, e o texto não condiciona a esperança terapêutica à ampla disponibilidade; ele afirma essa esperança apesar da limitação atual.
B
Certa
A alternativa B está correta porque "conquanto" mantém a relação de concessão presente no trecho original. No período, a limitação expressa em "ainda não estejam amplamente disponíveis na rotina clínica" não impede a afirmação de que "essas vacinas representam uma nova esperança para pacientes com câncer".
C
Errada
"Sem que" não equivale a "embora". Além de não estabelecer concessão, a formulação "sem que ainda não estejam" cria construção semanticamente inadequada, com sobreposição problemática de negação, o que rompe a coerência da reescrita em relação ao trecho original.
D
Errada
"Porquanto" exprime causa ou explicação, não concessão. Se usado no período, mudaria a relação entre as orações: deixaria de haver contraste concessivo entre a disponibilidade limitada e a esperança representada pelas vacinas, passando a haver sentido causal ou explicativo, o que não corresponde ao original.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre reconhecer uma conjunção subordinativa e reconhecer o valor semântico exato dessa conjunção. O erro é aceitar conectores de aparência formal ou estrutura parecida sem verificar se a relação entre as orações continua sendo de concessão.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita com conectores, confira primeiro a relação lógico-semântica entre as orações: aqui, a principal vale apesar da subordinada.
  • Não basta o termo ser uma conjunção subordinativa; ele precisa manter o mesmo valor semântico do original.
  • Desconfie de conectores formais pouco usuais: confirme se exprimem concessão, e não condição, causa ou explicação.

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Comentários

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Resumo – Conjunções (valor semântico)

  • “Embora” = concessão (ideia de “apesar de”)
  • Substituição correta deve manter concessão

✔ Sinônimos:

  • conquanto, ainda que, mesmo que

❌ Incorretos (mudam o sentido):

  • desde que → condição/tempo
  • porquanto → causa
  • sem que → ausência/negação

Regra: não focar na palavra, e sim na relação lógica.

Gabarito: B (conquanto)

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