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Q1091126 Medicina
Durante a visita à enfermaria de puérperas, o obstetra examina Carla, que havia sido submetida a parto cesárea há aproximadamente 24 horas. Ao exame físico, encontrou temperatura axilar de 38,4 ºC, frequência cardíaca de 67 bpm, lóquios rubra fisiológico e abdome sem alterações à palpação. Ao ser interrogada, Carla nega dor e diz estar amamentando o seu bebê, sem nenhum problema. O médico solicita um hemograma completo que revelou: leucocitose de 16.500/mm³ com neutrofilia e eosinopenia.
Ao avaliar o caso de Carla, qual é a melhor conduta?
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Tema central: O caso aborda febre no pós-parto imediato e a importância de diferenciar entre resposta fisiológica e quadros infecciosos nas primeiras 24 horas após cesariana.

Justificativa para a alternativa E (correta):
A paciente apresenta febre de 38,4ºC, sem dor, sem alterações abdominais, lóquios fisiológicos e amamentação normal nas primeiras 24 horas de pós-parto. Segundo o Manual de Condutas em Obstetrícia, febre abaixo de 38,5ºC nesse período pode ser apenas um achado fisiológico, resultado da adaptação metabólica e hormonal após o parto ou simplesmente da desidratação ou perda sanguínea.
No documento “Medidas de Prevenção e Critérios Diagnósticos de Infecções Puerperais”, reforça-se que “puérperas podem apresentar aumento discreto da temperatura axilar (36,8–37,9°C) nas primeiras 24 horas, sem infecção instalada”. Embora este limiar seja um pouco menor que o valor apresentado, a ausência de sintomas sugestivos reforça a necessidade de apenas reavaliação clínica — sendo precoce iniciar qualquer intervenção invasiva ou medicamentosa sem outros sinais.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Heparina por trombose séptica: Ausência de taquicardia, dor ou sinais de TVP/tromboflebite. A heparinização seria injustificada e até arriscada sem evidências clínicas.
  • B) Antibioticoterapia empírica: Não há dor, secreção anormal, aumento de sensibilidade uterina ou sinais sistêmicos que justifiquem início precoce de antibióticos. O uso indiscriminado contribui para resistência bacteriana.
  • C) Curetagem uterina: Indicada diante de sinais sugestivos de retenção placentária ou endometrite (ex.: lóquios fétidos, dor, sangramento, útero amolecido e aumentado), ausentes neste caso.
  • D) Avaliar mamas/abscesso: Sem queixas mamárias, calor, rubor ou endurecimento mamilar — não faz sentido suspeitar de abscesso nesta situação.

Dicas para provas:
Note a ausência de sinais sistêmicos de sepse e a pegadinha clássica da associação imediata de febre com infecção após parto. Sempre reavalie o contexto clínico e relacione os sintomas ao tempo de pós-parto, conforme orientam as diretrizes do Ministério da Saúde.

Em resumo, a observação clínica, sem intervenções precipitadas, é conduta padrão em casos semelhantes, reforçando o raciocínio baseado em evidências e protocolos.

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Comentários

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Ao avaliar o caso de Carla, a melhor conduta é examinar a paciente, pela possibilidade de ser um achado fisiológico. A leucocitose com neutrofilia e eosinopenia é um achado frequente no pós-parto, tornando-se um diagnóstico diferencial importante em mulheres nessa condição. Outros sinais de infecção, como febre persistente, dor abdominal e mal-estar geral, não estão presentes no caso de Carla. Portanto, a melhor conduta é examinar a paciente antes de iniciar qualquer tratamento, pois pode ser apenas uma reação normal do corpo no pós-parto.

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