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Q359052 Português

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Herói da Língua


      Vocês se lembram do meu amigo Toninho Vernáculo. Já falei dele uma vez e contei histórias da mania que tem de corrigir erros de português. Daí o apelido. Cansei de falar: deixa, Toninho, esta língua é complicada mesmo, até autor consagrado escreve com dicionários e gramáticas à mão.
      – Pelo menos eles têm a humildade de consultar os mestres antes de dar a público o que escrevem – respondia o Toninho na sua linguagem em roupa de domingo.
      Dom Quixote da gramática, Toninho não se dava descanso. Lia coisas assim nos anúncios classificados dos jornais e ficava indignado: baile “beneficiente”; faça “seu” óculos na ótica tal; “aluga-se” dois galpões. Ex-jornalista, aposentado, telefonava para os encarregados dos pequenos anúncios:
      – No meu tempo não era assim! Os responsáveis eram responsáveis, cuidavam da correção de todos os textos a serem publicados. O povo não sabe escrever, mas os jornais são arquétipos e têm o dever – o dever! – de zelar pela língua!
      No convívio diário, arrumava desafetos, humilhados e ofendidos, mas também alguns – os mais humildes – agradecidos pelo ensinamento. Quixoteava lições, fosse qual fosse o interlocutor.
      Bom, um dia desses, telefonaram-me de madrugada: Toninho havia sido preso como pichador de rua. Quê, um homem de 70 anos? Havia algum engano, com certeza. Fomos para a delegacia, uma trinca de amigos.
      Engano havia e não havia. Nosso amigo fora realmente flagrado pela polícia com spray e latinha de tinta com pincel, atuando na fachada de uma casa comercial do bairro onde mora. Explicou-se: estava corrigindo os erros de português dos pichadores! Começamos os esforços para livrá-lo da multa e da denúncia, explicamos ao delegado que o ocorrido era fruto de uma mania dele, loucura leve. Por que penalizá-lo por coisa tão pouca? Não ia acontecer de novo. Aí o delegado explicou qual era a bronca.
      O Toninho havia pedido para ler seu depoimento, datilografado pelo escrivão, e começou a apontar erros de português no texto do funcionário. Aí melou, “teje” preso por desacato. Com dificuldade convencemos o escrivão da loucura mansa do nosso amigo, e ele liberou o herói da língua pátria.


(Ivan Angelo. Veja SP, 28.10.2011. Adaptado)

Assinale a alternativa que completa, preservando o sentido do texto e de acordo com a norma-padrão, a frase do texto: Vocês se lembram de meu amigo Toninho Vernáculo...
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O comando exige reescrever "Já falei dele uma vez" com preservação de sentido e adequação à norma-padrão. A alternativa C é a única que atende ao gabarito oficial porque usa uma estrutura regida por preposição compatível com o relativo: em "reportar-se a alguém", cabe "a quem".

Tema central: Regência verbal na reescrita
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a regência de "fazer alusão" exige a preposição "a": faz-se alusão a alguém. Na reescrita, o adequado seria "a quem já fiz alusão", e não "em quem já fiz alusão".
B
Errada
Está errada por regência verbal. "Mencionar" é transitivo direto, de modo que a forma correta seria "quem já mencionei". O uso de "de quem" mantém indevidamente a preposição do trecho original.
C
Certa
A alternativa C preserva a informação central do trecho-base: o narrador já havia feito referência anterior a Toninho Vernáculo. Além disso, a construção "a quem já me reportei uma vez" respeita a regência de "reportar-se a" e mantém a ideia de menção anterior ao personagem.
D
Errada
Está errada porque "referir-se" rege a preposição "a": refere-se a alguém. Assim, a construção correta seria "a quem já me referi", e não "com quem já me referi".
E
Errada
Está errada porque "citar" é transitivo direto: cita-se alguém. Em "para quem já citei", a preposição "para" altera a relação sintática e o sentido da reescrita, introduzindo ideia de destinatário.
Pegadinha da questão
A questão induz o candidato a transportar para a reescrita a preposição sugerida pelo trecho original, sem verificar a regência do novo verbo.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita, preserve o sentido do trecho-base e confira a regência do verbo escolhido.
  • Se houver preposição exigida pelo verbo, o relativo deve vir acompanhado dela.
  • Não transfira automaticamente a preposição da frase original para a nova formulação.

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Comentários

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Gab: C quem se reporta  a algo ou alguma coisa

vqv :) Deus é Fiel :)

De quem já reportei uma vez.

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