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Q3333252 Pedagogia
Estudo realizado por Jobim e Silva (2022) nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia constatou que no ensino técnico se concentra um número considerável de mulheres, de pessoas não-brancas e de classes sociais mais baixas, constituindo, desse modo, um grupo de estudantes em vulnerabilidade social. Um olhar sobre o trabalho técnico na saúde, particularmente de enfermagem, nos mostra que “as mulheres negras representam 53% dos profissionais de enfermagem, segundo pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em 2017”, concentradas em postos de nível médio, mais precarizados e com menor remuneração (SODRÉ, 2021); e que diferenças entre rendimentos desses trabalhadores estão associadas ao pertencimento étnico-racial, revelando situações nas quais profissionais de cor/raça branca apresentaram, sistematicamente, condições mais favoráveis de trabalho e renda, em relação aos pretos e pardos (MARINHO, et. al. 2022)
Diante do exposto, é CORRETO afirmar que:
Alternativas

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Alternativa correta: D

Tema central da questão:
A questão aborda desigualdades sociais, de gênero e étnico-raciais no contexto da educação profissional em saúde, especialmente no trabalho na enfermagem. O foco é em como compreender essas desigualdades exige uma abordagem que considere as diversas dimensões de vulnerabilidade dos estudantes e profissionais.

Resumo teórico:
O conceito de interseccionalidade foi desenvolvido para explicar como diferentes formas de opressão (gênero, raça, classe) se cruzam e afetam grupos sociais, especialmente em contextos de desigualdade. Aplicar a interseccionalidade na educação profissional é essencial para entender porque algumas populações (mulheres negras, pessoas de baixa renda) enfrentam mais obstáculos, mesmo após acessar a formação técnica.
Fontes como Kimberlé Crenshaw (1989) e documentos do Cofen fundamentam essa abordagem.

Justificativa da alternativa D (correta):
A alternativa D aponta corretamente que estudos baseados na interseccionalidade são fundamentais para compreender as desigualdades descritas. Somente ao analisar como fatores de gênero, raça e classe se entrelaçam entendemos a persistência das disparidades tanto no acesso quanto nas condições de trabalho e renda na saúde. Assim, a interseccionalidade é ferramenta analítica essencial para orientar políticas mais justas e efetivas.

Análise das alternativas incorretas:

  • A: A priorização automática de vagas para baixa renda não basta; é preciso considerar os múltiplos marcadores de desigualdade. A ascensão social depende de políticas mais amplas.
  • B: Afirma que cotas seriam ineficazes. Errado! As cotas são importantes para corrigir desigualdades iniciais e podem ser complementadas por ações no mercado de trabalho.
  • C: Priorizar exclusivamente mulheres negras pode gerar nova exclusão. A ação afirmativa deve ser ampla e interseccional, considerando todos os fatores.
  • E: Diz que não é possível interferir nas políticas públicas. Incorreto; a pressão social e os estudos interseccionais influenciam sim a formulação de políticas.

Dicas de interpretação de enunciados:
Fique atento a palavras como “prioritariamente”, “ineficazes” ou “não há como”, que costumam indicar generalizações ou posturas absolutas. O conhecimento em pedagogia busca sempre uma visão crítica e integradora, como a trazida pela interseccionalidade.

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