Menino, 2 anos e 6 meses de idade, apresenta choro persiste...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4195123 Medicina
Menino, 2 anos e 6 meses de idade, apresenta choro persistente no dia de hoje. A mãe refere que a criança só dorme na cama dos pais e acorda se colocada no berço. Na noite anterior, caiu da cama, sem perda de consciência, chorou e se acalmou no colo. Está mais quieta, fica sentada ou deitada no chão, nega febre ou outras alterações. Ao exame está consciente, com choro forte ao ser despida, sem hematomas em face ou couro cabeludo, FC = 130 bpm, FR = 20 mrm, SatO2 93%; na ausculta pulmonar, há diminuição do murmúrio vesicular à esquerda, fígado e baço não palpáveis. Realizada radiografia de tórax, há opacificação em base esquerda e fratura linear em 2 costelas dorsais.
O diagnóstico e a conduta adequados ao quadro são, respectivamente:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: Em criança pequena, fraturas de costelas dorsais/posteriores têm alta suspeição de trauma não acidental e não são bem explicadas por queda de baixa energia; por isso, o achado orienta o diagnóstico para violência doméstica/maus-tratos e impõe conduta protetiva com internação e investigação ampliada.

Tema central: Maus-tratos infantis
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque desloca o foco para pneumonia e propõe conduta inadequada para fratura costal. O caso não traz síndrome infecciosa convincente: não há febre nem outras alterações sistêmicas descritas, e a opacificação basal pode decorrer de hipoventilação/atelectasia por dor. Além disso, enfaixamento torácico é inadequado em fratura de costela por restringir a ventilação e potencialmente piorar complicações respiratórias. Também falha por ignorar o padrão de fratura dorsal incompatível com a história e altamente sugestivo de maus-tratos.
B
Errada
Incorreta porque pneumonia não é a melhor explicação do conjunto clínico-radiológico. A presença de fraturas costais dorsais, o comportamento de ficar quieto/sentado ou deitado e a queda recente favorecem dor torácica com hipoventilação focal e opacificação basal secundária, não infecção pulmonar como diagnóstico principal. Internar apenas para oxigênio e penicilina cristalina IV negligencia o dado decisivo da questão: a forte suspeita de violência pela discrepância entre mecanismo alegado e padrão lesional.
C
Errada
Incorreta porque, embora a explicação fisiopatológica da opacificação como atelectasia por hipoventilação seja plausível, essa alternativa perde o núcleo diagnóstico da questão. O problema principal não é apenas a alteração ventilatória local, mas o fato de duas fraturas de costelas dorsais em criança pequena serem achado muito suspeito de trauma não acidental. Analgesia e fisioterapia respiratória podem até ser medidas acessórias, porém são insuficientes como conduta principal quando há necessidade de proteção e investigação de maus-tratos.
D
Errada
Incorreta porque 'politrauma' não organiza adequadamente o caso e a proposta de tomografia de crânio e tórax não decorre automaticamente dos dados fornecidos. Não houve perda de consciência, não há sinais craniofaciais externos relevantes descritos, e a base não sustenta obrigatoriedade de tomografia de crânio apenas por essa história. O ponto cobrado é reconhecer violência doméstica/maus-tratos como etiologia provável do trauma e indicar internação com avaliação física e social continuada, não aplicar um protocolo genérico de imagem ampliada.
E
Certa
A alternativa correta identifica a suspeita de violência doméstica/maus-tratos diante de fraturas lineares em 2 costelas dorsais em uma criança de 2 anos e 6 meses, após história de queda da cama. Esse padrão é clássico de trauma não acidental e a opacificação basal esquerda pode ser explicada por hipoventilação/atelectasia secundária à dor, sem sustentar pneumonia como diagnóstico principal. Assim, a conduta adequada é internação para proteção da criança e continuidade da avaliação física, radiológica e social.
Pegadinha da questão
A banca induz o candidato a discutir pneumonia ou atelectasia pela opacificação basal e pela redução do murmúrio vesicular, mas o achado que realmente decide o caso é a fratura de costelas dorsais em mecanismo de baixa energia, típica discrepância que impõe suspeita de maus-tratos.
Dica para questões semelhantes
  • Em criança pequena, fratura de costela dorsal/posterior deve acender suspeita de trauma não acidental, especialmente quando a história refere queda de baixa altura.
  • Se a história não explica o padrão lesional, o diagnóstico etiológico-protetivo pode ser mais importante do que nomear a alteração radiológica associada.
  • Opacificação basal após trauma torácico com dor pode representar hipoventilação e atelectasia, sem sustentar pneumonia por si só.
  • Na suspeita de maus-tratos, a conduta central é proteção da criança com internação e avaliação física e social continuada, não alta com tratamento apenas sintomático.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo