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Q3258496 Medicina
        Um homem de 62 anos de idade, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com VEF1 de 42% do previsto, procurou emergência hospitalar devido a piora da dispneia e tosse acompanhada de aumento da expectoração (clara) havia três dias. Apresentou-se hemodinamicamente normal, orientado, dispneico, em uso de musculatura acessória, com frequência respiratória de 26 rpm, redução do murmúrio vesicular, além de roncos e sibilos expiratórios difusos. A gasometria em ar ambiente revelou pH de 7,28, PaCO2 de 72 mmHg, PaO2 de 50 mmHg, saturação de O2 de 87%, BE (excesso de bases) +1 mEq/L e HCO3 de 24 mEq/L. A radiografia de tórax não demonstrou infiltrados. 

Em relação a esse caso clínico hipotético, julgue o item seguinte, considerando as recomendações terapêuticas do GOLD 2025 (Estratégia Global para Prevenção, Diagnóstico e Gestão da DPOC: Relatório de 2025).


O formoterol é o medicamento de escolha no atendimento inicial desse caso.

Alternativas

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Tema central: exacerbação aguda da DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica. O item afirma que formoterol é o fármaco de escolha no atendimento inicial.

Gabarito: E — errado.

Justificativa: Em exacerbação de DPOC, as condutas iniciais recomendadas pelo GOLD 2025 são: (1) oxigênio titulado para manter SpO₂ entre 88–92%, (2) broncodilatadores de curta ação (SABA como salbutamol, associado a SAMA como ipratrópio), preferencialmente por nebulização ou inalador com espaçador, (3) corticosteroide sistêmico (ex.: prednisona 40 mg por 5 dias ou equivalente), (4) considerar antibióticos apenas se houver purulência do escarro, necessidade de ventilação ou sinais de infecção, e (5) ventilação não invasiva (VNI) quando há acidemia hipercápnica.

Interpretação do caso: pH 7,28, PaCO₂ 72 mmHg, HCO₃⁻ 24 mEq/L e BE +1 indicam acidose respiratória aguda (sem compensação metabólica), com hipoxemia (PaO₂ 50 mmHg, SatO₂ 87%). O paciente está consciente, hemodinamicamente estável e taquipneico — indicação de VNI precoce segundo GOLD 2025 e UpToDate. Radiografia sem infiltrado e escarro claro desfavorecem pneumonia; portanto, antibiótico pode ser postergado na ausência de purulência (critérios de Anthonisen).

Por que o formoterol não é a droga de escolha? O formoterol é um LABA (broncodilatador de longa ação). Apesar do início relativamente rápido, seu uso é para manutenção, não para alívio rápido em exacerbação. O GOLD 2025 recomenda SABA ± SAMA como broncodilatadores iniciais de resgate; LABA/LAMA ficam para otimização após estabilização. Assim, indicar formoterol como “medicamento de escolha” no atendimento inicial contraria as diretrizes.

Análise das alternativas:

- C (certo): Incorreta. Erro de conduta. Falha em priorizar SABA/SAMA, O₂ titulado e VNI; formoterol (LABA) não é o broncodilatador de escolha no início da exacerbação.

- E (errado): Correta. Está alinhada ao GOLD 2025, que preconiza SABA ± SAMA, corticoide sistêmico, O₂ 88–92% e VNI na acidemia hipercápnica.

Dicas de prova (pegadinha): “Formoterol tem início rápido” pode confundir. Em exacerbação, lembre: Resgate = SABA ± SAMA; Oxigênio 88–92% para evitar piora da hipercapnia; VNI se pH ≤ 7,35 com PaCO₂ elevada; Antibiótico se escarro purulento, necessidade de ventilação ou sinais claros de infecção.

Referências: GOLD Report 2025 (Exacerbations: initial management, oxygen targets, NIV); UpToDate – Management of acute exacerbations of COPD; Harrison’s Principles of Internal Medicine – COPD exacerbations.

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