Menina, 9 anos de idade, tem diagnóstico de hepatite A há 5...

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Q4195118 Medicina
Menina, 9 anos de idade, tem diagnóstico de hepatite A há 5 dias. A mãe notou piora da icterícia, e a criança está irritada, repetindo palavras. Ao exame colabora pouco, tem tremor nas mãos e reflexo patelar aumentado bilateralmente. No hemograma Hb 12 g/dL, Htc 39%, GB 5300 (35% N; 3% E; 52% L; 10% M), 80000/mm3 plaquetas, INR 1,8 e TP 30 segundos. Em aguardo dos demais exames, está indicada a
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Em hepatite aguda com sinais de encefalopatia provável, TP/INR prolongados e ausência de sangramento descrito, a conduta inicial entre as opções é administrar vitamina K para corrigir eventual deficiência concomitante; PFC, crioprecipitado e plaquetas não são indicados apenas para normalizar exames.

Tema central: Coagulopatia na hepatite aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Crioprecipitado não corrige a coagulopatia típica expressa por TP/INR prolongados na hepatite aguda como escolha inicial. Seu uso é voltado principalmente para reposição de fibrinogênio e fatores específicos, especialmente em hipofibrinogenemia, dado que não foi fornecido. Sem sangramento e sem evidência de hipofibrinogenemia, essa indicação não se sustenta.
B
Errada
Plasma fresco congelado pode reduzir transitoriamente TP/INR, mas isso não justifica seu uso apenas por alteração laboratorial. O enunciado não descreve sangramento ativo nem procedimento invasivo iminente, e ainda existe possibilidade de componente reversível por deficiência de vitamina K. Portanto, PFC aqui seria correção laboratorial sem indicação clínica definida.
C
Errada
Plaquetas de 80.000/mm3, isoladamente e sem sangramento descrito, não configuram indicação de transfusão plaquetária nesta questão. O problema central não é trombocitopenia com manifestação hemorrágica, e sim coagulopatia da hepatopatia aguda. Escolher essa alternativa é desviar o foco para um valor laboratorial que, nesse contexto, não sustenta transfusão.
D
Errada
Associar PFC e crioprecipitado amplia a exposição transfusional sem base no quadro apresentado. Não há hemorragia ativa, não há procedimento iminente e não há dado de hipofibrinogenemia que justificasse crioprecipitado. Além disso, a coagulopatia não deve ser corrigida rotineiramente com hemoderivados apenas para normalizar exames.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o TP/INR prolongados na hepatite aguda podem refletir falência sintética hepática, mas também podem ter componente reversível por deficiência de vitamina K. Na ausência de hemorragia ativa ou procedimento invasivo iminente, a medida apropriada é fazer a correção com vitamina K, evitando transfusão desnecessária. Os sinais neurológicos sugerem encefalopatia hepática e gravidade do quadro, mas isso não transforma, por si só, a alteração laboratorial em indicação de plasma, crioprecipitado ou plaquetas.
Pegadinha da questão
A banca mistura gravidade clínica da hepatite aguda, INR elevado e plaquetopenia moderada para induzir transfusão reflexa. O erro é tratar TP/INR alterados ou plaquetas de 80.000/mm3 como indicação automática de hemocomponentes, apesar da ausência de sangramento.
Dica para questões semelhantes
  • Em hepatite aguda com TP/INR prolongados, primeiro diferencie alteração laboratorial de indicação real de transfusão.
  • Sem sangramento ativo ou procedimento invasivo iminente, PFC não deve ser escolhido apenas para corrigir INR.
  • Crioprecipitado pede contexto de hipofibrinogenemia ou necessidade específica de fibrinogênio, não qualquer coagulopatia.
  • Plaquetopenia moderada isolada não supera o critério clínico principal quando não há hemorragia.

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