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Q4195114 Medicina
Menina, 14 anos de idade, apresenta febre, calafrios, dor muscular, vômitos e diarreia há 1 dia. Tem vacinação completa, nega viagem, uso de álcool e drogas ilícitas. Tem rinite alérgica e colocou um piercing em asa do nariz há 3 dias. Ao exame está prostrada, os olhos estão vermelhos, com pouca secreção purulenta, tem fotofobia, orofaringe hiperemiada e a pele é eritematosa. FC = 100 bpm, FR = 24 mrm, PA 80/60 mmHg, temperatura 39 ºC. Foi puncionado acesso venoso e medicada com dipirona. Os resultados dos exames colhidos foram: Hb 12 g/dL, Htc 35%, GB 14 500 (5% bastonetes, 70% neutrófilos, 2% eosinófilos, 0 basófilos, 21% linfócitos 2% monócitos), plaquetas 350000/mm3 . PCR 9,8, TGO 280 U/L, TGP 240 U/L, ureia 60 mg/dL, creatinina 2,1mg/dL, CPK 200 U/L.
A hipótese diagnóstica mais adequada ao quadro é
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Síndrome febril aguda com hipotensão e exantema/eritrodermia, em contexto de porta de entrada cutânea recente, caracteriza síndrome do choque tóxico e define a alternativa E.

Tema central: Síndrome do choque tóxico
Análise das alternativas
A
Errada
Dengue não explica melhor o quadro porque faltam os achados laboratoriais e clínicos mais compatíveis com essa hipótese: não há plaquetopenia, não há hemoconcentração e o hemograma mostra leucocitose neutrofílica.
B
Errada
Escarlatina pode cursar com febre, exantema e faringite, mas não justifica tecnicamente o choque com PA 80/60 mmHg nem o acometimento multissistêmico com injúria renal aguda e elevação importante de transaminases em um quadro de 1 dia.
C
Errada
Endocardite infecciosa é menos adequada porque o enunciado não traz curso subagudo, sopro novo, cardiopatia predisponente, estigmas periféricos ou evidência de bacteremia/endocardite.
D
Errada
Síndrome de Kawasaki incompleta é incompatível com a temporalidade e o padrão clínico. A base é explícita em que Kawasaki exige febre persistente por pelo menos 5 dias, enquanto aqui a febre tem 1 dia.
E
Certa
A alternativa E é a correta porque integra todos os achados relevantes em uma única síndrome: início agudo, febre de 39 ºC, PA 80/60 mmHg, prostração, pele eritematosa difusa, olhos vermelhos com pouca secreção purulenta, vômitos, diarreia, mialgia e disfunção de órgãos-alvo com creatinina e ureia elevadas e transaminases aumentadas. O piercing em asa do nariz há 3 dias fornece porta de entrada cutânea compatível com infecção estafilocócica ou estreptocócica produtora de toxinas superantigênicas. A questão é resolvida por reconhecimento sindrômico, e não é possível afirmar pelo enunciado se o agente é Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, mas isso não muda o diagnóstico sindrômico correto.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de supervalorizar febre, mialgia e hiperemia conjuntival e migrar para dengue ou Kawasaki, ignorando o dado que muda a questão: hipotensão com eritrodermia e disfunção multissistêmica após porta de entrada cutânea recente.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver febre alta mais hipotensão, pense primeiro em síndrome séptica ou toxigênica antes de aceitar exantema infeccioso comum.
  • Eritrodermia difusa associada a conjuntivas hiperemiadas, vômitos/diarreia e lesão renal ou hepática forma um padrão sindrômico forte de choque tóxico.
  • Porta de entrada cutânea recente, como piercing, não é detalhe de história: ela pode ser o elo causal decisivo.
  • Para afastar dengue como melhor hipótese, confronte o padrão laboratorial: leucocitose neutrofílica, plaquetas normais-altas e ausência de hemoconcentração vão contra essa alternativa.

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