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Q3258489 Medicina
        Um homem de 78 anos de idade, com hemoptise e intensa dor torácica havia três horas, foi admitido em um hospital em cidade do interior, distante duas horas do centro terciário de referência. A dor apresentava-se ao repouso, sendo ventilatório-dependente, e era acompanhada de dispneia e um episódio de síncope sem pródromos ou outros sinais ou sintomas. Portador de hipertensão arterial havia 20 anos, o paciente, que faz uso de enalapril 20 mg atualmente, estava em tratamento de quimioterapia para um glioblastoma havia três meses. No exame físico, encontrava-se afebril, dispneico, com frequência cardíaca de 112 bpm, frequência respiratória de 31 rpm, saturação de oxigênio de 90%, pressão arterial de 88 mmHg × 56 mmHg e turgência de jugular a 45°. Não foram detectadas outras alterações significativas no exame. O ecocardiograma revelou hipocinesia do ventrículo direito (VD) e hipertensão pulmonar (HP).

A respeito desse caso clínico hipotético, julgue o item subsequente.


A heparina de baixo peso molecular por via subcutânea está contraindicada nesse caso.

Alternativas

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Tema central: quadro típico de TEP de alto risco (maciço) com instabilidade hemodinâmica (PAS 88 mmHg), hipoxemia, taquicardia, síncope e disfunção de VD ao ecocardiograma. Em cenário de alto risco, a prioridade é anticoagulação com heparina não fracionada (HNF) IV e estratégia de reperfusão.

Justificativa da alternativa C (certo): A HBPM SC está contraindicada em TEP com choque/hipotensão porque: (1) não permite rápida titulação do efeito; (2) reversão com protamina é parcial, dificultando trombólise/embolectomia urgente; (3) em pacientes instáveis, as diretrizes recomendam HNF IV por ação imediata e reversibilidade. Além disso, o paciente tem glioblastoma (tumor intracraniano), o que eleva o risco hemorrágico; se houver necessidade de procedimento de reperfusão, a HNF é a escolha mais segura. Referências: ESC 2019/2023 PE Guidelines, CHEST 2021, Diretrizes SBPT/SBC de TEP, UpToDate.

Raciocínio diagnóstico e de risco: Dor ventilatório-dependente, hemoptise, dispneia e síncope em paciente com câncer em quimioterapia → alto risco para TEV. Sinais de sobrecarga de VD (turgência jugular, eco com hipocinesia de VD/HP) + hipotensão definem TEP de alto risco. Nessa situação, pode-se iniciar tratamento sem aguardar angio-TC se indisponível.

Conduta de escolha: Suporte (O2, fluidos cautelosos, vasopressores se necessário) + HNF IV (bolus e infusão com TTPa-alvo). Considerar reperfusão: trombólise sistêmica se sem contraindicação; aqui, o glioblastoma é contraindicação absoluta à trombólise → preferir embolectomia cirúrgica ou terapia por cateter no centro terciário. Transferência rápida é mandatória.

Pegadinha de prova: “Câncer = HBPM”. Isso é verdade apenas para TEP estável. Em instabilidade hemodinâmica, a droga de escolha é HNF IV.

Por que a alternativa E (errado) está incorreta? Dizer que HBPM não está contraindicada ignora recomendações de diretrizes para TEP de alto risco, nas quais a necessidade de reversão rápida e procedimentos de reperfusão torna a HNF IV a única opção adequada. A HBPM aumentaria o risco de hemorragia incontrolável caso fosse necessária trombólise/procedimento.

Fontes recomendadas: ESC Guidelines for PE (2019/2023); CHEST Guideline and Expert Panel Report 2021; Diretrizes SBPT/SBC de Tromboembolismo Venoso; Harrison’s; UpToDate (Management of acute PE).

Gabarito: C – certo

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