Menino, 8 anos de idade, parou de andar há 2 dias, e há 1 d...

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Q4195108 Medicina
Menino, 8 anos de idade, parou de andar há 2 dias, e há 1 dia foi necessário o uso de fraldas. Há 3 semanas apresentou gengivoestomatite e diarreia com recuperação em 5 dias. Ao exame está consciente, corado, hidratado, FC = 90 bpm, FR = 22 mrm, SatO2 96%, ausculta cardíaca e pulmonar normais, fígado, baço e gânglios não palpáveis. Tem força muscular de 5 em membros superiores e 1 em membros inferires, com exaltação dos reflexos musculares profundos e sinal de Babinski presente.
O diagnóstico provável é
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a topografia neurológica: paraparesia aguda com disfunção vesical, associada a hiperreflexia e sinal de Babinski, localiza a lesão no sistema nervoso central, especialmente na medula espinal; esse padrão caracteriza síndrome medular aguda e sustenta mielite transversa.

Tema central: Síndrome medular aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Botulismo causa distúrbio de junção neuromuscular com paralisia flácida descendente, hipotonia e reflexos reduzidos, frequentemente com acometimento bulbar e de pares cranianos. O dado que exclui essa hipótese aqui é a presença de hiperreflexia e Babinski, que são sinais piramidais de lesão central, não de toxina botulínica.
B
Errada
Polirradiculoneurite aguda é neuropatia periférica e, na leitura clássica, cursa com fraqueza flácida ascendente e hiporreflexia ou arreflexia. Embora o antecedente de diarreia possa lembrar Guillain-Barré, os reflexos exaltados e o Babinski apontam contra acometimento radiculoneuropático e a favor de lesão medular. A disfunção autonômica pode ocorrer na polirradiculoneurite, mas não explica sinais de neurônio motor superior.
C
Certa
A alternativa C está correta porque mielite transversa é um processo inflamatório medular agudo ou subagudo, frequentemente pós-infeccioso, que pode causar déficit motor importante em membros inferiores, comprometimento autonômico com bexiga neurogênica aguda e sinais de trato corticoespinal abaixo da lesão. Neste caso, a combinação de força 1 em membros inferiores, uso recente de fraldas, hiperreflexia e Babinski define uma síndrome medular, e o pródromo infeccioso recente funciona como dado de apoio para mielite transversa.
D
Errada
Polimiosite é doença muscular e produz fraqueza proximal, geralmente simétrica e subaguda, sem sinal de Babinski e sem hiperreflexia por lesão piramidal. Além disso, miopatia não explica adequadamente disfunção vesical aguda por acometimento central. O problema aqui não é apenas fraqueza: é fraqueza com sinais de trato corticoespinal.
E
Errada
Paralisia periódica familiar é canalopatia muscular com episódios de fraqueza flácida, sem sinais piramidais e sem retenção urinária típica. Hiperreflexia e Babinski afastam essa hipótese porque localizam a lesão no sistema nervoso central, não no músculo ou em canal iônico muscular.
Pegadinha da questão
A banca induz à marcação de polirradiculoneurite pelo antecedente de diarreia, mas o dado decisivo não é o pródromo infeccioso: são a hiperreflexia e o Babinski, que mudam a topografia para síndrome medular.
Dica para questões semelhantes
  • Em fraqueza aguda, primeiro localize a lesão: hiperreflexia e Babinski indicam neurônio motor superior, não nervo periférico, junção neuromuscular ou músculo.
  • Paraparesia com comprometimento esfincteriano deve fazer pensar em síndrome medular até prova em contrário.
  • Não deixe um pródromo infeccioso superar a semiologia neurológica; diarreia prévia não define Guillain-Barré quando os reflexos estão exaltados.
  • Mesmo sem nível sensitivo descrito, sinais piramidais associados a bexiga neurogênica já sustentam acometimento medular.

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