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Q475547 Português
                                        Felicidade não se compra?

      Aconteceu de verdade, nos Estados Unidos – a Coca-Cola instalou uma daquelas máquinas que vendem refrigerante no refeitório de uma escola. Mas a máquina era especial. Quando os estudantes inseriam o dinheiro, não saía lá de dentro apenas uma garrafinha, mas várias. Com tantas Cocas na mão, os estudantes acabavam oferecendo aos colegas os refrigerantes a mais. Porém, a coisa não parou por aí. Um funcionário escondido dentro da máquina começou a passar pela fenda caixas de pizza, flores, balões, enfim, uma infinidade de agrados, para espanto e alegria da garotada.
      Com essa iniciativa esquisita, a empresa quis reforçar a ideia de que, mais que comercializar produtos, sua missão é espalhar felicidade. Não foi à toa que ela batizou suas máquinas de “fábricas de felicidade”. Não precisamos perder tempo discutindo se os produtos da multinacional americana podem, de fato, trazer felicidade, se são saudáveis ou nutritivos. Afinal, a questão aqui não se relaciona ao bem-estar do corpo e sim à busca do prazer,que hoje parece orientar boa parte de nossas escolhas. A verdade é que, de um jeito ou de outro, a felicidade agora pode ser encontrada em toda parte, pelo menos no que diz respeito à comunicação das marcas. A Best Buy, líder na venda de eletroeletrônicos nos Estados Unidos, também usou uma estratégia semelhante em suas campanhas de publicidade. Seu slogan é: “Você mais feliz”.
      Essa guinada das empresas, que pararam de alardear a qualidade superior de seus produtos e passaram a vender felicidade, tem estreita relação com a mudança dos consumidores, hoje mais preocupados com os benefícios que as marcas trazem a suas vidas do que com o desempenho dos objetos que adquirem. Em outras palavras, mais que deixar limpas as roupas da família, uma nova lavadora economiza o tempo da dona de casa, o que se traduz em mais felicidade.
      O diretor Frank Capra assinou, nos anos 40, uma verdadeira obra-prima, que em português ganhou o nome de “A Felicidade Não se Compra”. Hoje provavelmente esse título do filme não faria o menor sentido, porque o que as empresas oferecem é justamente a ilusão de felicidade, embutida nos produtos que vendem.

(Luiz Alberto Marinho, Vida Simples, 05.2010, http://zip.net/bplQ7v, 17.12.2013. Adaptado)

Releia a passagem do segundo parágrafo, considerando a possibilidade de se acrescentar uma expressão após o termo semelhante, em destaque:

      A Best Buy, líder na venda de eletroeletrônicos nos Estados Unidos, também usou uma estratégia semelhante _______________ em suas campanhas de publicidade…

A expressão que serve de complemento ao termo semelhante, preenchendo corretamente a lacuna, preservando as relações de sentido estabelecidas no texto original, e em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa, é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: A questão aborda Regência Nominal e Crase, pontos fundamentais da gramática normativa. O foco está em saber qual preposição é exigida pelo adjetivo “semelhante” e como se deve aplicar a crase quando necessário.

Regra de regência nominal: Segundo a norma-padrão (cf. Bechara; Cunha & Cintra), “semelhante” exige como complemento a preposição a. Exemplo: “ideias semelhantes a estas”. Quando o termo regido for feminino e admitir artigo “a”, ocorre crase: “semelhante à proposta anterior”.

Análise da alternativa correta (E – “à da Coca-Cola”):

No contexto, “estratégia semelhante à da Coca-Cola” é a forma ideal porque:

  • “estratégia” (feminino, subentendido);
  • preposição “a” (exigida por “semelhante”);
  • artigo “a” antes de “da Coca-Cola”.

Assim, há crase (a + a = à), como orientam as gramáticas tradicionais.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) “como a Coca-Cola”: “Semelhante” não exige a preposição “como”; esta expressa comparação, não relação típica de regência nominal.
  • B) “com a Coca-Cola”: Também não atende à regência de “semelhante”. “Com” expressa companhia, não analogia/similaridade.
  • C) “pela Coca-Cola”: A preposição “por” indica agente, causa, e não é exigida por “semelhante”.
  • D) “a Coca-Cola”: Falta o artigo e a crase. O correto seria “à da Coca-Cola” (faz referência à estratégia da Coca-Cola).

Dica de prova: Em textos de concurso, observe sempre a regência do adjetivo e, ao substituir termos subentendidos (como “estratégia”), lembre-se da crase. Pegadinhas podem aparecer na omissão do termo feminino ou na troca da preposição adequada.

Resumo da regra: “Semelhante” exige a (preposição). Se há termo feminino com artigo, usa-se à (crase): “festa semelhante à do ano passado”.

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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Alternativa E

semelhante A algo (A estratégia)

estratégia DA Coca-Cola

Bom estudo a todos

à (estratégia) da coca-cola. 

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