Julgue o item a seguir, acerca da síndrome vestibular aguda ...
Julgue o item a seguir, acerca da síndrome vestibular aguda com nistagmo em pacientes adultos.
O uso de esteroides de curto prazo é o tratamento de primeira linha para a redução da taxa de recorrência, da duração e da intensidade dos sintomas, com consequente melhora da qualidade de vida.
Gabarito comentado
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Tema central: Síndrome vestibular aguda (SVA) com nistagmo em adultos e o papel dos corticoides no tratamento.
Gabarito: E — errado.
Por quê? Na SVA (vertigem aguda, nistagmo espontâneo, intolerância ao movimento por dias), o tratamento de primeira linha é suporte sintomático por curto prazo (24–72 h) — antieméticos e vestibulossupressores — associado a mobilização precoce e reabilitação vestibular. Corticoides não reduzem “taxa de recorrência” nem são padrão universal para diminuir duração e intensidade dos sintomas.
Evidências-chave: Em neurite vestibular (causa periférica comum de SVA), estudo clássico (Strupp et al., NEJM 2004) mostrou que metilprednisolona melhorou recuperação do déficit calórico, mas com benefício clínico sintomático modesto e sem dado de redução de “recorrência”. Revisões sistemáticas/Cochrane apontam evidência inconclusiva para melhora clínica sustentada. Diretrizes recentes (p.ex., GRACE-3/SAEM 2023) e UpToDate não recomendam corticoide de forma rotineira para SVA; se usados, é opção caso a caso em neurite vestibular, idealmente nas primeiras 72 h, e não com o objetivo de “evitar recorrência”.
Raciocínio clínico: SVA inclui causas periféricas (neurite vestibular, labirintite viral) e centrais (AVC de fossa posterior). Em centrais, corticoide não é indicado. Em BPPV (vertigem posicional), a terapia é manobra de reposicionamento, não corticoide. Em Ménière, foco é restrição de sal/diuréticos; esteroide intratimpânico é reservado a casos refratários, não “primeira linha” na SVA. Exceção específica: Ramsay Hunt (zoster ótico) pode receber antivirais + corticoide — ainda assim, não para “reduzir recorrência” da SVA.
Pegadinha da prova: “Redução da taxa de recorrência” — neurite vestibular é tipicamente monofásica. Essa frase generaliza indevidamente um benefício que não é suportado por evidência.
Conduta recomendada na SVA: - Excluir causa central (ex.: exame HINTS/HINTS+ e neuroimagem quando indicado). - Sintomáticos curtos (ondansetrona, dimenidrinato, meclizina; benzodiazepínicos com cautela) por 24–72 h. - Reabilitação vestibular precoce. - Considerar corticoide apenas em suspeita forte de neurite vestibular e início muito precoce, com benefício incerto.
Análise das alternativas:
C (certo) — Incorreta. Afirmar corticoide como “primeira linha” na SVA para reduzir recorrência, duração e intensidade generaliza além das evidências e contraria diretrizes.
E (errado) — Correta. Corresponde ao consenso atual: corticoide não é terapia de primeira linha universal na SVA, nem comprovadamente reduz recorrência.
Referências úteis: UpToDate (Acute vestibular syndrome), GRACE-3 SAEM 2023, Harrison’s Principles of Internal Medicine, Strupp M. et al., NEJM 2004.
Estratégia de prova: Desconfie de termos absolutos como “primeira linha” e “reduz recorrência” em síndromes agudas sem forte base em diretrizes.
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