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Q3258477 Medicina
        Uma mulher de 58 anos de idade, com hipertensão arterial, procurou atendimento hospitalar devido a diarreia. No dia anterior, ela havia tido dor abdominal difusa e quatro episódios de diarreia líquida, sem muco ou sangue. No atendimento, ela negou outros sinais ou sintomas. No exame físico, apresentava-se afebril, com pressão arterial de 138 mmHg × 82 mmHg, frequência cardíaca de 78 bpm, cavidade oral sem alterações, abdome com timpanismo e dor difusa à palpação, sem outras anormalidades significativas.

Em referência a esse caso clínico hipotético, julgue o seguinte item, conforme orientações do Ministério da Saúde referentes ao manejo de paciente com diarreia.


O uso de probióticos é aconselhado nesse caso.

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Gabarito: E (errado)

Tema central: Manejo da diarreia aguda no adulto sem sinais de alarme. Em quadros autolimitados (1–3 dias, sem febre, sangue ou muco), a conduta é suporte, com foco em hidratação oral e alimentação adequada.

Justificativa da alternativa correta (E): Segundo orientações do Ministério da Saúde (Brasil), bem como recomendações da OMS/WHO, o uso de probióticos não é recomendado de rotina em adultos com diarreia aguda não complicada. A evidência é heterogênea e cepa-específica, com benefício modesto e incerto para reduzir duração em adultos, não sustentando recomendação ampla. Portanto, a afirmação “o uso de probióticos é aconselhado nesse caso” é falsa.

Raciocínio clínico: Mulher de 58 anos, afebril, quatro evacuações líquidas em 24h, sem sangue ou muco, dor abdominal difusa leve. Quadro típico de diarreia aquosa aguda não inflamatória, provavelmente viral ou alimentar. Sem sinais de alarme (febre alta, desidratação grave, sangue, dor intensa localizada, idade muito avançada/fragilidade, imunossupressão). Assim, a conduta de escolha é:

  • Hidratação oral (SRO/soluções caseiras), dieta habitual leve.
  • Analgésicos/antiespasmódicos se necessário; loperamida pode ser considerada se sem febre ou sangue.
  • Sem antibióticos, sem exames complementares de rotina.

Por que probióticos não são aconselhados rotineiramente?

  • Evidência inconsistente em adultos; benefícios, quando presentes, são modestos e cepa-dependentes.
  • Diretrizes nacionais não os indicam como padrão no manejo agudo do adulto.
  • riscos raros (p.ex., fungemia por Saccharomyces boulardii) em idosos frágeis, imunossuprimidos ou com cateter venoso central.

Análise da alternativa C (certo) – incorreta: Pressupõe recomendação rotineira. Armadilha de prova: confundir “pode ser considerado em situações específicas” com “é aconselhado” para todos. As diretrizes não sustentam uso padrão em adultos com quadro leve como o descrito.

Estratégia para a prova: Em diarreia aguda sem alarme, pense em suporte e reidratação. Palavras absolutas como “aconselhado/sempre” exigem respaldo forte de diretriz — que não existe para probióticos no adulto.

Referências essenciais: Ministério da Saúde (Brasil) – linhas de cuidado para Doença Diarreica Aguda (Atenção Básica/Urgências); WHO. The treatment of diarrhoea; UpToDate: Acute diarrhea in adults; Harrison’s Principles of Internal Medicine – Acute Gastroenteritis.

Conclusão: A afirmação é errada. O manejo indicado é suporte, sem probiótico de rotina.

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