Luiz, 67 anos, é levado às pressas para a emergência com que...
Luiz, 67 anos, é levado às pressas para a emergência com queixa de dor no peito intensa, acompanhada de sudorese profusa e sensação de desmaio. Ele relata ter sentido um mal-estar súbito enquanto estava em casa assistindo televisão. No momento da chegada à emergência, ele está visivelmente ansioso e queixa-se de falta de ar. Durante a avaliação inicial, é observada hipotensão, oligúria e confusão mental. O eletrocardiograma (ECG) revela alterações características de um infarto agudo do miocárdio extenso no território anterior. Diante dessa situação, a suspeita é de choque cardiogênico.
Qual é a melhor abordagem inicial para esse paciente?
Gabarito comentado
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Tema central: Choque cardiogênico como complicação grave do infarto agudo do miocárdio (IAM) extenso, que exige abordagem imediata e resolutiva para restaurar a circulação coronariana.
Justificativa da alternativa correta (E):
No contexto clínico apresentado, o paciente exibe instabilidade hemodinâmica grave (hipotensão, oligúria, confusão mental) típica do choque cardiogênico, que decorre de falência aguda da bomba cardíaca, frequentemente por obstrução coronária crítica.
Segundo a V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a angioplastia coronariana percutânea (ACP) emergencial é a conduta prioritária para a reperfusão, reduzindo mortalidade e complicações associadas. Revascularizar rapidamente é fundamental para salvar miocárdio viável e estabilizar o paciente. O trecho relevante das diretrizes enfatiza: "Choque cardiogênico que não reverte rapidamente com medicamentos; para estabilização do paciente antes de procedimentos intervencionistas".
Análise das alternativas incorretas:
A) Diurético de alça: Contraindicado em choque cardiogênico. Pode piorar a hipovolemia e agravar a perfusão tecidual. Não atua sobre a causa principal (obstrução coronária).
B) Agentes antiarrítmicos: Só indicados na presença de arritmias. Nesse cenário, o foco é restaurar o fluxo coronariano, não reverter um ritmo cardíaco, pois o problema principal é isquemia do miocárdio extenso.
C) Beta-bloqueadores em alta dose: Contraindicação absoluta em choque cardiogênico; podem deprimir ainda mais a contratilidade cardíaca, piorando o quadro.
D) Infusão de nitroglicerina: Vasodilatadores podem ser danosos em choque cardiogênico por potencializar a hipotensão e comprometer a perfusão coronariana e sistêmica.
Pontos-chave para a prova:
- Leia atentamente pistas de gravidade no caso clínico (hipotensão, confusão, oligúria) que apontam choque.
- Priorize sempre o tratamento da causa de base – aqui, a obstrução coronariana.
- Cuidado com pegadinhas: evitar medidas paliativas ou diretamente contraindicadas em instabilidade hemodinâmica.
Conclusão: A abordagem inicial apropriada em um paciente com IAM extenso complicado por choque cardiogênico é a ACP emergencial, alinhada às principais diretrizes nacionais e internacionais (UpToDate, SBC, PCDT).
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