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Q364509 Português
                        Texto: A melhor resposta à dor

        As cidades constituem-se como o maior artefato da cultura. E, justamente, se opõem à natureza. Qualquer condição urbana é um intervento sobre as condições naturais, o que desequilibra o status quo.
        O convívio é algo necessariamente conflituoso, tenso, perigoso. E, como não temos o controle sobre a natureza, precisamos trabalhar com o imponderável e revesti-lo de cuidados compatíveis com as possibilidades do universo em convivência.
        A ocupação das margens de rios é um modelo convencional na produção urbana. Todas as culturas o fizeram. Muitas cidades já sofreram com enchentes - e mesmo assim se mantiveram no mesmo lugar. É que razões mais determinantes foram escolhidas.
        Também a ocupação de encostas e de morros é outro modelo universal. Mas há encostas firmes, há encostas frágeis. Há encostas que rompem sem ação antrópica e outras onde é a ação do homem que causa a derrubada.
        No entanto, as cidades vitoriosas foram aquelas que souberam ajustar suas razões às da natureza. Mas, para o fazerem, planejaram, escolheram, construíram sistemas próprios, capazes de alcançar um patamar de confiança e conforto em que pudessem superar as incertezas do meio.
        O Rio de Janeiro é uma cidade que tem aprendido. Das tragédias da década de 60, emergiu o serviço de geotecnia extremamente bem-sucedido da GeoRio. Nesses 40 anos, a cidade tem investido poderosamente na contenção de encostas e na eliminação de risco.
        O Rio também tem investido na proteção a famílias em risco. É claro que não é simples, considerando-se que a falta de política habitacional é uma realidade no nosso país. Mas é considerável o esforço do município no reassentamento de famílias, pelo menos desde a década de 90, através do programa Morar Sem Risco.
        O monitoramento das condições meteorológicas é outro trabalho importante que obviamente não previne as chuvas, mas pode ser útil na prevenção do dano. Monitorar e informar, alertar as famílias em risco, é tarefa complexa, de grande exigência tecnológica, que hoje já pode ser feita com bom resultado.
        Agora, ante a dor, a melhor resposta será a busca da cooperação.


(Sérgio Magalhães - O Globo, 16/01/2011- disponível em: http://www.cidadeinteira.blogspot.com/ - fragmento)
Após a leitura do texto, quanto à produção urbana, é certo concluir que, segundo o autor:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a paráfrase fiel de informação explícita do texto. O trecho obrigatório é: "O monitoramento das condições meteorológicas é outro trabalho importante que obviamente não previne as chuvas, mas pode ser útil na prevenção do dano." Como a alternativa C preserva esse núcleo de sentido — monitoramento ligado à prevenção de danos, e não à interrupção da chuva —, ela é a única conclusão autorizada pelo texto.

Tema central: produção urbana preventiva
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está em transformar a informação "A ocupação das margens de rios é um modelo convencional na produção urbana" em dispensa de planejamento. O texto não autoriza essa inferência. Ao contrário, afirma que as cidades bem-sucedidas "planejaram, escolheram, construíram sistemas próprios". Portanto, a alternativa acrescenta uma conclusão que o texto rejeita.
B
Errada
O texto diz apenas que "Também a ocupação de encostas e de morros é outro modelo universal." Isso descreve uma prática recorrente; não prescreve seu abandono. Além disso, o autor diferencia encostas firmes e frágeis e trata de contenção e eliminação de risco, o que mostra discussão de manejo e prevenção, não defesa de abandono absoluto. A alternativa introduz um juízo normativo inexistente no texto.
C
Certa
A alternativa C se sustenta no trecho em que o autor distingue claramente dois planos: o monitoramento meteorológico não impede o fenômeno natural, mas contribui para evitar ou reduzir seus efeitos danosos. Essa formulação é compatível com a ideia de prevenção de danos no contexto urbano. Embora o texto use a forma menos categórica "pode ser útil na prevenção do dano", a alternativa mantém esse vínculo semântico essencial e, entre as opções, é a única que não deforma a posição do autor.
D
Errada
A alternativa contradiz diretamente o texto em dois pontos. Primeiro, o texto afirma: "Muitas cidades já sofreram com enchentes - e mesmo assim se mantiveram no mesmo lugar.", portanto não houve impossibilidade de permanência. Segundo, a causa dada pelo autor é: "É que razões mais determinantes foram escolhidas.", e não teimosia dos moradores. A alternativa substitui a explicação textual por um julgamento subjetivo sem base.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca entre formulação fiel e extrapolação: em C, era preciso perceber que o texto fala em prevenção de danos, não de chuvas; nas demais, a armadilha foi converter descrição em conclusão indevida, como "modelo convencional" virar falta de planejamento, "modelo universal" virar abandono necessário, e "razões mais determinantes" virar teimosia.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a alternativa reescreve um trecho do texto, confira se preserva exatamente a relação de sentido central, sem trocar causa, efeito ou grau de certeza.
  • Não transforme constatação descritiva do texto em regra ou prescrição se o autor não fez esse movimento.
  • Se o texto apresenta uma causa explícita, elimine a alternativa que a substitui por julgamento subjetivo ou inferência não declarada.

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Comentários

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Cai mais uma vez nessa pegadinha da palavra PRESCINDE...... Onde v.t.i. Não precisar de; dispensar, renunciar, recusar.
Não ter em consideração; abstrair.


Atenção com ela

Gab. C

em cidades onde se monitoram as condições meteorológicas há prevenção de danos


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