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Tendo esse caso clínico como referência inicial, julgue o item subsequente, a respeito de avaliação e estratégias para prevenção cardiovascular de doença arterial coronária.
A dosagem de lipoproteína(a) não deve ser solicitada para complementar o perfil lipídico dessa paciente, visto que seu risco cardiovascular de doença arterial coronária já foi estratificado em intermediário.
Gabarito comentado
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Tema central: avaliação de risco cardiovascular e o papel da lipoproteína(a) [Lp(a)] como fator agravante de risco em prevenção de doença arterial coronária (DAC).
Resposta correta: E – errado.
Por quê? Em indivíduos de risco intermediário, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda avaliar fatores agravantes de risco para refinar a estratificação e orientar a intensidade do tratamento. A Lp(a) é um desses fatores: sua dosagem é indicada ao menos uma vez na vida, especialmente quando há história familiar de DAC prematura (mulheres < 65 anos), como no caso (mãe com IAM aos 63 anos). Logo, não apenas pode, mas deve ser solicitada para complementar o perfil lipídico.
Como isso muda a conduta? Valores elevados de Lp(a) (≥ 50 mg/dL ou ≥ 125 nmol/L) aumentam o risco residual e podem justificar: 1) intensificar a redução de LDL-C (iniciar/otimizar estatina e considerar ezetimiba); 2) uso de escores adicionais (p.ex., cálcio coronariano) se dúvida persistir; 3) aconselhamento familiar.
Fisiopatologia resumida: A Lp(a) é uma partícula semelhante ao LDL ligada à apolipoproteína(a), com efeitos proaterogênicos e pró-trombóticos (semelhança com plasminogênio), sendo majoritariamente determinada geneticamente e pouco modificável por estilo de vida. Reduções com inibidores de PCSK9 (~20–30%) existem, mas não são indicadas especificamente para Lp(a) na prevenção primária; niacina não é recomendada por falta de benefício em desfechos.
Estratégia de prova: Viu “risco intermediário”? Procure agravantes: Lp(a) elevada, score de cálcio, histórico familiar de DAC prematura, DRC, inflamação crônica, TG ≥ 175 mg/dL, entre outros. Aqui, a história familiar é chave e autoriza medir Lp(a).
Análise das alternativas
C – certo: Incorreta. Afirma que não se deve dosar Lp(a) porque o risco já foi classificado. Contraria as diretrizes, que orientam refinar o risco intermediário com fatores agravantes, incluindo Lp(a), sobretudo com história familiar de DAC prematura.
E – errado: Correta. A assertiva do item é falsa; portanto, a alternativa “E” é a escolha adequada.
Referências essenciais: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – SBC (2017/2019; atualizações), Diretriz de Prevenção Cardiovascular – SBC (2019/2022); ESC/EAS 2019 Dyslipidaemias; ACC/AHA 2018/2019; UpToDate (Lipoprotein(a) as a cardiovascular risk factor).
Dica final: Mesmo com LDL-C aparentemente “ok”, a presença de Lp(a) elevada pode “mudar a classe” da intervenção, especialmente em risco intermediário.
Gabarito: E – errado
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