Considerando esse caso clínico e aspectos pertinentes às mio...
Considerando esse caso clínico e aspectos pertinentes às miocardiopatias, julgue o item que se segue.
A presença de sopro sistólico em foco mitral é sugestiva de insuficiência mitral, que pode ser consequência da obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.
Gabarito comentado
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Tema central: Miocardiopatia Hipertrófica (MCH) com obstrução dinâmica da via de saída do VE (LVOT) e insuficiência mitral (IM) secundária por movimento sistólico anterior (SAM) da valva mitral.
Por que a alternativa “C - certo” está correta: Espessura septal de 20 mm em atleta é fortemente sugestiva de MCH (padrão patológico; em “coração de atleta”, a hipertrofia é geralmente simétrica e raramente supera 15–16 mm). Na MCH com obstrução, o SAM aproxima a cúspide anterior da mitral do septo, gerando obstrução dinâmica da LVOT e má coaptação das cúspides, resultando em insuficiência mitral de jato posterior. Clinicamente, pode haver sopro sistólico audível no foco mitral (ápice), compatível com IM, e dor torácica ao esforço. Logo, é plausível e esperado que um sopro sistólico apical represente IM como consequência da obstrução da LVOT na MCH.
Análise da alternativa “E - errado”: Seria incorreta porque desconsidera a fisiopatologia clássica da MCH obstrutiva: o SAM causa simultaneamente aumento do gradiente na LVOT e insuficiência mitral funcional. Negar essa relação contraria diretrizes e a prática clínica.
Como reconhecer a MCH na prova (estratégia de interpretação):
- Ecocardiograma: espessura ≥15 mm (no caso, 20 mm), frequentemente septal assimétrica; SAM; gradiente na LVOT ≥30 mmHg (em repouso ou provocado); jato de IM posterior.
- Sopro dinâmico: o sopro da obstrução (ejeção) aumenta com Valsalva ou ortostatismo (↓ pré-carga) e diminui com agachamento/manobra de handgrip; pode coexistir sopro holossistólico apical da IM.
- Diferencial com “coração de atleta”: hipertrofia simétrica, cavidade VE maior, regressão com destreinamento; raramente atinge 20 mm.
Fisiopatologia (resumo aplicado): Hipertrofia septal + ventrículo pequeno elevam a velocidade do fluxo na via de saída. O efeito Venturi “puxa” a cúspide anterior da mitral para o septo (SAM) → obstrução dinâmica + IM por malcoaptação.
Diagnóstico e exames úteis: Ecocardiograma transtorácico (com provocação), eventualmente teste ergométrico e ressonância cardíaca para fibrose. Considerar avaliação familiar/genética conforme diretrizes.
Pegadinha clássica: atleta com espessura muito alta não é “adaptação fisiológica”. Valor absoluto (20 mm), padrão assimétrico e sopro dinâmico direcionam para MCH.
Referências essenciais: ACC/AHA 2020 Guideline for HCM; ESC 2023 Guideline on Cardiomyopathies; UpToDate (Hypertrophic cardiomyopathy); Harrison’s Principles of Internal Medicine (MCH).
Gabarito: C – certo
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