Sabendo-se que Toninho Vernáculo – quixoteava lições, fosse ...
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Herói da Língua
Vocês se lembram do meu amigo Toninho Vernáculo. Já falei dele uma vez e contei histórias da mania que tem de corrigir erros de português. Daí o apelido. Cansei de falar: deixa, Toninho, esta língua é complicada mesmo, até autor consagrado escreve com dicionários e gramáticas à mão.
– Pelo menos eles têm a humildade de consultar os mestres antes de dar a público o que escrevem – respondia o Toninho na sua linguagem em roupa de domingo.
Dom Quixote da gramática, Toninho não se dava descanso. Lia coisas assim nos anúncios classificados dos jornais e ficava indignado: baile “beneficiente”; faça “seu” óculos na ótica tal; “aluga-se” dois galpões. Ex-jornalista, aposentado, telefonava para os encarregados dos pequenos anúncios:
– No meu tempo não era assim! Os responsáveis eram responsáveis, cuidavam da correção de todos os textos a serem publicados. O povo não sabe escrever, mas os jornais são arquétipos e têm o dever – o dever! – de zelar pela língua!
No convívio diário, arrumava desafetos, humilhados e ofendidos, mas também alguns – os mais humildes – agradecidos pelo ensinamento. Quixoteava lições, fosse qual fosse o interlocutor.
Bom, um dia desses, telefonaram-me de madrugada: Toninho havia sido preso como pichador de rua. Quê, um homem de 70 anos? Havia algum engano, com certeza. Fomos para a delegacia, uma trinca de amigos.
Engano havia e não havia. Nosso amigo fora realmente flagrado pela polícia com spray e latinha de tinta com pincel, atuando na fachada de uma casa comercial do bairro onde mora. Explicou-se: estava corrigindo os erros de português dos pichadores! Começamos os esforços para livrá-lo da multa e da denúncia, explicamos ao delegado que o ocorrido era fruto de uma mania dele, loucura leve. Por que penalizá-lo por coisa tão pouca? Não ia acontecer de novo. Aí o delegado explicou qual era a bronca.
O Toninho havia pedido para ler seu depoimento, datilografado pelo escrivão, e começou a apontar erros de português no texto do funcionário. Aí melou, “teje” preso por desacato. Com dificuldade convencemos o escrivão da loucura mansa do nosso amigo, e ele liberou o herói da língua pátria.
(Ivan Angelo. Veja SP, 28.10.2011. Adaptado)
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Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: O trecho "Toninho Vernáculo – quixoteava lições, fosse qual fosse o interlocutor –" apenas orienta a leitura da personagem como alguém atento à correção linguística; por isso, a resolução depende de identificar a única alternativa redigida conforme a norma-padrão, que é a A.
- Verifique primeiro se a questão realmente exige interpretação do texto ou se o texto apenas introduz um critério gramatical.
- Em construções com infinitivo, confirme se o pronome após a preposição é sujeito do verbo; se for, a base aponta para o uso de pronome reto.
- Elimine alternativas procurando desvios normativos objetivos: particípio incorreto, grafia inadequada de conectivo, troca entre advérbio e adjetivo e confusão entre locução e palavra simples.
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Comentários
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Letra A) CORRETA
B) chegado
C) porque ( explicação)
D) mal
E) a fim
QUESTÃO BOA ! RSRS PARECE COM UM AMIGO MEU QUE ESTUDA PARA CONCURSOS KKKKK NÃO PODE ME VER ERRANDO E JÁ QUER CORRIGIR KKKK !
Assertiva A
A
Todos disseram para eu desconsiderar as críticas negativas.
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