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Q3258429 Medicina
        Uma paciente de 78 anos de idade, com histórico de hipertensão arterial sistêmica e diabetes melito, em uso de metformina e losartana, será submetida a uma colecistectomia videolaparoscópica. Nega sintomas cardiovasculares, mesmo em corridas de rua de até 5 km, que ainda pratica. Ela também está em uso de anlodipino 5 mg, uma vez ao dia, atenolol 25 mg, uma vez ao dia, metformina 1.000 mg, duas vezes ao dia, e rosuvastatina 20 mg, uma vez ao dia.

Acerca da avaliação cardiovascular perioperatória da paciente em questão e em outros casos, julgue o item a seguir.


A paciente citada deve ser submetida a um teste ergométrico para estratificação de risco cardiovascular.  

Alternativas

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Tema central: avaliação cardiovascular perioperatória. O foco é decidir se uma paciente idosa, assintomática e com excelente capacidade funcional precisa de teste ergométrico antes de cirurgia não cardíaca (colecistectomia videolaparoscópica).

Gabarito: E – errado.

Justificativa da alternativa correta: Em pacientes assintomáticos com boa capacidade funcional (>4 METs), não se recomenda teste ergométrico de rotina antes de cirurgia não cardíaca de baixo a intermediário risco. A paciente corre 5 km sem sintomas, o que sugere capacidade funcional elevada (~7–10 METs). A colecistectomia videolaparoscópica é risco intermediário (MACE ~1–5%). Nessas condições, o teste não mudaria conduta e pode gerar atrasos e resultados falso-positivos.

Diretrizes que embasam: ACC/AHA 2024 e ESC/ESA 2022 recomendam evitar testes não invasivos quando a capacidade funcional é boa e o risco cirúrgico não é alto, indicando testar apenas se o resultado for alterar manejo (ex.: revascularização, adiar cirurgia) e em pacientes com capacidade funcional pobre/indeterminada e risco elevado. Ver também UpToDate e Harrison’s (capítulo de avaliação pré-operatória).

Estratégia de prova (raciocínio clínico): - Pergunte-se: há condições cardíacas ativas? (angina instável, IC descompensada, arritmia grave, valvopatia crítica). Não há.
- Qual o risco da cirurgia? Intermediário.
- Qual a capacidade funcional? Alta (>4 METs).
Conclusão: sem teste.

Análise da alternativa incorreta: - C (certo): Incorreta. Baseia-se no equívoco de que idade e comorbidades (HAS/DM) isoladamente exigem teste. Idade avançada e diabetes não são indicações por si só. Com boa capacidade funcional e ausência de sintomas, o valor preditivo do teste é baixo e não altera conduta.

Pegadinhas: - “Idoso com DM” ≠ indicação automática de teste.
- “Cirurgia abdominal” nem sempre é alto risco; laparoscopia de vesícula é intermediário.
- Desempenho físico real (correr 5 km) é forte evidência de METs elevados.

Pérolas práticas: - Manter beta-bloqueador e estatina em quem já usa; não iniciar beta-bloqueador na véspera.
- Considerar suspender IECA/ARA II no dia da cirurgia para reduzir hipotensão intraoperatória (se sem IC).
- Metformina: geralmente suspender no dia e reintroduzir com função renal estável.

Referências rápidas: Diretriz ACC/AHA 2024 de manejo cardiovascular perioperatório; Diretriz ESC/ESA 2022; UpToDate (Preoperative medical evaluation); Harrison’s Principles of Internal Medicine (Avaliação pré-operatória).

Conclusão: Com alta capacidade funcional e cirurgia de risco intermediário, a paciente não deve ser submetida a teste ergométrico pré-operatório.

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