O conceito de "Cancerização de Campo" (Field Cancerization)...

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Q3907506 Odontologia
O conceito de "Cancerização de Campo" (Field Cancerization), proposto por Slaughter em mil novecentos e cinquenta e três, é fundamental para compreender a alta taxa de recidivas locais e de segundos tumores primários em pacientes com Carcinoma Espinocelular (CEC) de boca. Essa teoria sugere que áreas de mucosa clinicamente normais ao redor da lesão já possuem alterações genéticas pré-malignas. Considerando os preceitos da biologia tumoral e diagnóstico precoce, analise as afirmativas a seguir.

I.O campo de cancerização é caracterizado pela presença de clones celulares com mutações no gene supressor de tumor p53 em áreas macroscopicamente saudáveis adjacentes à neoplasia principal.
II.A detecção de margens cirúrgicas "limpas" no exame histopatológico convencional garante a ausência total de risco de recidiva, uma vez que as alterações moleculares não possuem impacto no prognóstico clínico.
III.O uso de técnicas auxiliares como o azul de toluidina fundamenta-se na afinidade do corante pelo excesso de Ácido Desoxirribonucleico (DNA) em células com alta taxa mitótica, auxiliando na delimitação do campo.

Está correto o que se afirma em: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a cancerização de campo no CEC de boca: a mucosa adjacente pode parecer normal, mas já conter alterações moleculares/clonais, inclusive em p53, de modo que margens histologicamente negativas não eliminam o risco de recidiva ou segundo tumor primário; em paralelo, o azul de toluidina é um auxiliar com afinidade por ácidos nucleicos, compatível com a III e incompatível com a II.

Tema central: Cancerização de campo
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque inclui a afirmativa II. Em cancerização de campo, margens cirúrgicas histologicamente negativas no exame convencional não eliminam a possibilidade de doença molecular residual nem o risco de recidiva local ou segundo tumor primário. O erro médico da alternativa é tratar margem limpa como garantia de ausência total de risco biológico.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne as duas afirmações compatíveis com a biologia tumoral descrita. A afirmativa I corresponde ao conceito clássico de cancerização de campo: áreas de mucosa clinicamente normal ao redor do tumor podem já apresentar alterações clonais pré-neoplásicas, incluindo mutações em genes supressores como p53. A afirmativa III também está correta, pois o azul de toluidina é um corante metacromático com afinidade por ácidos nucleicos, com maior retenção em áreas displásicas/neoplásicas ou de maior atividade proliferativa, servindo como método auxiliar de detecção e delimitação clínica. A II cai porque contraria o próprio conceito de campo molecularmente alterado.
C
Errada
Incorreta porque toma como única verdadeira a afirmativa II, que é falsa. Alterações moleculares subclínicas da mucosa adjacente têm, sim, impacto prognóstico e explicam a persistência de risco mesmo quando a histologia convencional mostra margens livres. Além disso, desconsidera duas afirmações corretas: I, sobre clones geneticamente alterados em mucosa aparentemente normal, e III, sobre o mecanismo do azul de toluidina.
D
Errada
Incorreta porque inclui a afirmativa II, que é incompatível com a teoria de Slaughter, e exclui a III sem base. A III está correta ao atribuir ao azul de toluidina afinidade por ácidos nucleicos, fundamento de seu uso auxiliar na identificação de áreas suspeitas. O equívoco médico aqui é duplo: superestimar o valor excludente da margem histológica e negar o princípio biológico do corante.
Pegadinha da questão
A banca explorou dois absolutos falsos: supor que mucosa macroscopicamente normal seja biologicamente normal e concluir que margem histopatológica "limpa" garante ausência total de recidiva. Também tentou induzir a confusão entre exame auxiliar e método diagnóstico definitivo no caso do azul de toluidina.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão mencionar cancerização de campo, procure a ideia de mucosa aparentemente normal com alteração molecular clonal e risco persistente de recidiva ou segundo primário.
  • Em oncologia de mucosa oral, margem histológica negativa não deve ser lida como risco zero quando o tema é campo pré-neoplásico adjacente.
  • Azul de toluidina: o fundamento correto é afinidade por ácidos nucleicos e uso auxiliar na identificação de áreas suspeitas, não confirmação isolada de malignidade.

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