Maria José está em sua 24ª semana de gestação. Revisando a ...

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Q3701090 Medicina
Maria José está em sua 24ª semana de gestação. Revisando a carteirinha de gestante, o médico de família constata que os valores pressóricos prévios eram normais, mas se surpreende ao ver os sinais vitais verificados pela enfermagem no presente atendimento: pressão arterial de 150/90. A paciente diz que há uma semana lhe aferiram a pressão em uma farmácia, resultando em valor semelhante. Nos exames laboratoriais, temos: hemoglobina 12; eritrograma e leucograma normais; plaquetas 200.000; creatinina 0,9; relação proteinúria/creatininúria 0,1; exame qualitativo de urina normal, exceto por glicosúria; AST 100 (15-30); ALT 150 (8-35). Queixa-se apenas de epigastralgia. Qual o diagnóstico mais provável?  
Alternativas

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Tema central: A questão aborda doença hipertensiva específica da gestação, especialmente a distinção entre pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, HELLP e eclâmpsia. É fundamental reconhecer os critérios diagnósticos destas condições diante de um quadro clínico de hipertensão após 20ª semana de gestação e alterações laboratoriais associadas.

Justificativa da alternativa correta (C - Pré-eclâmpsia):

A paciente apresenta hipertensão arterial (150/90 mmHg) iniciada após a 20ª semana, valores laboratoriais hepáticos elevados (AST 100 / ALT 150 U/L) e queixa de epigastralgia. Não há proteinúria significativa (relação proteína/creatinina 0,1) e outros parâmetros laboratoriais estão preservados.

Segundo o Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde (2022) (p. 126): “na ausência de proteinúria, o diagnóstico de pré-eclâmpsia pode ser realizado com hipertensão associada à disfunção de órgãos-alvo, como elevação das transaminases”. Portanto, a associação entre hipertensão e lesão hepática caracteriza pré-eclâmpsia sem proteinúria.

Análise das alternativas incorretas:

A) HELLP: O diagnóstico de Síndrome HELLP requer hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia (< 100.000). Nesta paciente, as plaquetas estão normais (200.000) e não há sinais de hemólise.

B) Hipertensão gestacional sem pré-eclâmpsia: Essa condição exige ausência de sinais de lesões de órgão-alvo e laboratório normal. O aumento expressivo das transaminases descarta esta opção.

D) Eclâmpsia: Definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas em gestante com pré-eclâmpsia. Não há relato de convulsão ou sintomas neurológicos descritos na questão.

Estratégia de leitura e pontos-chave:

Atenção à associação de hipertensão + alterações laboratoriais sistêmicas mesmo na ausência de proteinúria. Muitas provas cobram a atualização do conceito de pré-eclâmpsia, reforçando a análise de disfunção de órgão-alvo como critério diagnóstico. Evite focar só na proteinúria!

Diretrizes e Evidências:

PCDT de Gestação de Alto Risco/MS (2022), UpToDate e Williams Obstetrícia reforçam: “Pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada na gestante com hipertensão e disfunção de órgãos-alvo, independentemente de proteinúria.” (Manual MS, p. 129)

Resumo final:

Resposta correta: C) Pré-eclâmpsia. Diagnóstico feito por hipertensão + lesão hepática em gestante sem proteinúria, refletindo entendimento atualizado dos critérios clínicos.

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