INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão
TEXTO I
Menos é mais?
Alessandra Aragão
Essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes?
O que realmente ganhamos ao acumular tanto?
Vivemos em um mundo de excessos. Gavetas abarrotadas,
agendas lotadas, mentes sobrecarregadas de informações.
A todo momento, buscamos mais: mais sucesso,
mais reconhecimento, mais coisas. Mas essa corrida
constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente
ganhamos ao acumular tanto?
O minimalismo propõe um olhar diferente: menos pode
ser mais. Não se trata apenas de reduzir posses, mas de
reavaliar o que realmente importa. Como disse Henry
David Thoreau, “nossa vida é desperdiçada em detalhes...
simplifique, simplifique”.
Pesquisas apontam que o acúmulo excessivo impacta
diretamente nosso bem‑estar. Um estudo conduzido
pelo Centro de Vidas Cotidianas de Famílias (CELF),
da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA),
acompanhou famílias americanas para entender como o
ambiente doméstico influencia o bem‑estar. Os resultados
mostraram que casas desorganizadas estão associadas
a altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse.
Quanto mais acumulamos, maior tende a ser nossa
ansiedade. O que sua casa diz sobre você? Seu ambiente
traz paz ou sobrecarga?
Mas essa sobrecarga não se limita ao material.
O neurocientista Daniel Levitin, autor de “A mente
organizada”, explica que o excesso de informação drena
nossa capacidade de concentração e decisão. Quando tudo
exige nossa atenção, perdemos a clareza sobre o que
é essencial. Como você tem usado sua atenção? O que
merece prioridade em sua vida?
Talvez seja hora de uma pausa para reflexão. Você possui
as coisas ou as coisas possuem você? O que há em
excesso na sua vida que rouba sua paz? O essencial
não se encontra no acúmulo, mas na escolha. Se você
tivesse que reduzir sua vida ao que realmente importa,
o que permaneceria?
Minimalismo não é escassez, mas intenção. Na prática,
significa fazer escolhas mais conscientes: manter apenas
o que agrega valor — sejam objetos, compromissos ou
relações; priorizar experiências significativas em vez de
bens materiais; criar espaços físicos e mentais mais leves,
eliminando excessos que geram estresse.
Barry Schwartz, no livro “O paradoxo da escolha”,
destaca que o excesso de opções pode levar à
insatisfação e até à paralisia decisória. Diante de tantas
possibilidades, podemos nos sentir perdidos, incapazes de
valorizar plenamente o que já temos. Um exemplo disso
é Steve Jobs, que adotava um guarda‑roupa simples
para evitar a fadiga decisória. Ao reduzir escolhas triviais,
direcionava sua energia ao que realmente importava.
E você? Quanta energia está desperdiçando tentando
administrar o excesso?
O designer alemão Dieter Rams sintetizou essa ideia ao
afirmar: “menos, porém melhor”. Não se trata apenas
de reduzir, mas de priorizar o que realmente tem valor.
Esse princípio pode ser aplicado em diversas áreas da vida.
No trabalho: priorizar qualidade em vez de quantidade.
Nos relacionamentos: valorizar conexões verdadeiras,
deixando de lado laços superficiais. No tempo livre:
desfrutar o lazer, reduzir distrações digitais e redescobrir o
prazer da simplicidade.
Nesse sentido, Dostoiévski nos lembra que “o segredo
da existência humana não está apenas em viver, mas em
saber pelo que se vive”. O minimalismo nos convida a
essa reflexão, ajudando‑nos a eliminar os excessos que
obscurecem o que realmente tem significado.
Ser minimalista não significa renunciar a tudo, mas viver
com mais intenção. Onde você pode trazer mais
simplicidade para sua rotina? Quais excessos estão
pesando sobre sua vida?
No final, não somos definidos pelo que possuímos,
mas pelo espaço que criamos para o que realmente
importa. Talvez seja a hora de abrir mão de um hábito
desgastante, um pensamento que já não te serve mais ou
um compromisso sem propósito.
Que tal começar agora?
Estado de Minas, Bem Viver, 24 abr. 2025, p. 33 (adaptado).
O texto “Menos é mais?”, de Alessandra Aragão, trata do
minimalismo como proposta de vida e bem‑estar.
Considerando a tipologia textual e os gêneros discursivos
de circulação social, assinale a alternativa incorreta.