Na oração – Ele não prejudica ninguém… – (2.º parágrafo), o...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2013 - TJ-SP - Contador |
Q395821 Português
                                A ética da fila

        SÃO PAULO - Escritórios da avenida Faria Lima, em São Paulo, estão contratando flanelinhas para estacionar os carros de seus profissionais nas ruas das imediações. O custo mensal fica bem abaixo do de um estacionamento regular. Imaginando que os guardadores não violem nenhuma lei nem regra de trânsito, utilizar seus serviços seria o equivalente de pagar alguém para ficar na fila em seu lugar. Isso é ético?
        Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes (quem evitou a espera e o sujeito que recebeu para ficar parado). Mas é claro que nem todo o mundo pensa assim.
        Michael Sandel, em “O que o Dinheiro Não Compra”, levanta bons argumentos contra a prática. Para o professor de Harvard, dublês de fila, ao forçar que o critério de distribuição de vagas deixe de ser a ordem de chegada para tornar-se monetário, acabam corrompendo as instituições.
        Diferentes bens são repartidos segundo diferentes regras. Num leilão, o que vale é o maior lance, mas no cinema prepondera a fila. Universidades tendem a oferecer vagas com base no mérito, já prontos-socorros ordenam tudo pela gravidade. O problema com o dinheiro é que ele é eficiente demais. Sempre que entra por alguma fresta, logo se sobrepõe a critérios alternativos e o resultado final é uma sociedade na qual as diferenças entre ricos e pobres se tornam cada vez mais acentuadas.
        Não discordo do diagnóstico, mas vejo dificuldades. Para começar, os argumentos de Sandel também recomendam a proibição da prostituição e da barriga de aluguel, por exemplo, que me parecem atividades legítimas. Mais importante, para opor-se à destruição de valores ocasionada pela monetização, em muitos casos é preciso eleger um padrão universal a ser preservado, o que exige a criação de uma espécie de moral oficial - e isso é para lá de problemático.

                                                (Hélio Schwartsman, A ética da fila. Folha de S.Paulo, 28.04.2013)


Na oração – Ele não prejudica ninguém… – (2.º parágrafo), o pronome em destaque recupera textualmente o termo:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: Em coesão referencial, o pronome "Ele" recupera o antecedente mais próximo e semanticamente apto no segmento "Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes...". Pela base, o núcleo retomado é "acerto", que corresponde à alternativa D.

Tema central: coesão referencial
Análise das alternativas
A
Errada
"utilitarismo" aparece no início do período, em "Como não resisto aos apelos do utilitarismo", mas não é o referente comentado em "Ele não prejudica ninguém". O trecho seguinte avalia a prática antes nomeada como "esse tipo de acerto", não a corrente de pensamento citada.
B
Errada
"alguém" pertence ao parágrafo anterior e aparece em formulação genérica: "pagar alguém para ficar na fila em seu lugar". No 2.º parágrafo, o pronome não retoma essa pessoa indeterminada, e sim o tópico discursivo imediato, que é o "tipo de acerto".
C
Errada
"sujeito" surge apenas no parêntese explicativo: "o sujeito que recebeu para ficar parado". Esse termo nomeia uma das pessoas beneficiadas pelo acordo; não é o elemento avaliado pelo autor em "Ele não prejudica ninguém". O pronome retoma a prática, não um participante dela.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o pronome "Ele" retoma a expressão "esse tipo de acerto", cujo núcleo é "acerto". Portanto, o termo recuperado textualmente é "acerto". Isso se confirma no trecho "Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes", em que o pronome continua a avaliação do arranjo já mencionado.
E
Errada
"guardador" é termo do 1.º parágrafo e designa a pessoa envolvida na situação. No 2.º parágrafo, porém, a ausência de prejuízo é atribuída ao arranjo mencionado, não a esse agente individual. Há incompatibilidade entre referente humano específico e a avaliação feita no trecho.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de escolher um substantivo masculino saliente do texto, como "utilitarismo", "sujeito" ou "guardador", em vez de identificar o verdadeiro antecedente do pronome: o tópico imediatamente retomado, "esse tipo de acerto".
Dica para questões semelhantes
  • Procure primeiro o referente temático nomeado logo antes do pronome, não o substantivo masculino mais chamativo do parágrafo.
  • Verifique se o predicado do pronome combina em sentido com o possível antecedente; aqui, "não prejudica ninguém" avalia uma prática, não uma pessoa isolada.
  • Quando a expressão antecedente vier em sintagma maior, observe se a alternativa traz o núcleo nominal retomado.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Gab.: (D)

Retoma o termo ''acerto''.

O que é que não prejudica ninguém?

Esse tipo de acerto.

Comentário.

Refere-se ao “acordo” ou “acerto” entre flanelinhas e os escritórios.

Gabarito: “D”

Assertiva d

não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo