A formação sócio-histórica brasileira é profundamente marca...

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Q1922484 Serviço Social

A formação sócio-histórica brasileira é profundamente marcada por um padrão de alternância do poder, do qual a classe trabalhadora sempre foi alijada, seja em função das pactuações feitas pelo alto ou em decorrência das experiências ditatoriais.

A marca política particular da burguesia brasileira que justifica essa tendência histórica é a  

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, nos trechos “classe trabalhadora sempre foi alijada”, “pactuações feitas pelo alto” e “experiências ditatoriais”, a forma política autocrática que explica a exclusão popular e a condução elitista do poder na formação brasileira.

Tema central: autocracia burguesa brasileira
Análise das alternativas
A
Errada
Meritocracia está errada porque não nomeia uma forma de estruturação do poder político, mas um critério ideológico de valorização do mérito individual. O enunciado trata de exclusão política estrutural da classe trabalhadora e de condução do poder por elites, não de desempenho individual, mobilidade social ou responsabilização pessoal.
B
Errada
Democracia está errada porque o enunciado descreve justamente o contrário de participação e representação ampliadas: “classe trabalhadora sempre foi alijada”, “pactuações feitas pelo alto” e “experiências ditatoriais”. A mera menção a “alternância do poder” não autoriza concluir por democracia, já que o texto destaca seu caráter excludente e elitista.
C
Certa
A alternativa C está correta porque autocracia é a categoria que corresponde ao padrão histórico descrito no enunciado: concentração do poder, baixa ou nenhuma participação popular efetiva, acordos entre frações dominantes e exclusão da classe trabalhadora dos processos políticos. A expressão “marca política particular da burguesia brasileira” exige uma caracterização estrutural da dominação política, e os elementos “pactuações feitas pelo alto” e “experiências ditatoriais” convergem diretamente para autocracia.
D
Errada
Aristocracia está errada porque remete classicamente ao governo de uma nobreza ou camada aristocrática, e essa não é a formulação técnico-conceitual usada para explicar a particularidade política da burguesia brasileira indicada na questão. O ponto cobrado é um padrão autoritário-burguês de condução do poder, não um regime nobiliárquico.
E
Errada
Tecnocracia está errada porque se refere ao predomínio de técnicos ou especialistas nas decisões, elemento que não aparece como núcleo explicativo do enunciado. O texto enfatiza autoritarismo excludente, conciliação intraelites e afastamento da classe trabalhadora, não governo de especialistas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre alternância do poder e democracia e, ao mesmo tempo, oferece categorias politicamente plausíveis, mas inadequadas ao texto; o enunciado não descreve participação popular, e sim exclusão da classe trabalhadora, pactuação pelo alto e experiências ditatoriais, o que conduz à autocracia.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado mencionar exclusão da classe trabalhadora, acordos entre elites e decisões conduzidas por cima, procure uma categoria de dominação política autoritária, não uma ideia abstrata de justiça ou eficiência.
  • Separe forma política de dominação de princípio ideológico: meritocracia trata de mérito; autocracia trata de concentração e condução excludente do poder.
  • Não trate alternância do poder, por si só, como prova de democracia; verifique se houve participação efetiva das classes subalternas ou se o texto indica pactuação elitista.
  • Se a questão pedir a “marca política” de uma classe dominante em processo histórico, a resposta deve ser uma categoria estrutural de poder compatível com os traços descritos no enunciado.

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Comentários

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Gab C. Netto é o autor que traz bastante este termo. A autocracia burguesa

LETRA C

A autocracia burguesa é um termo criado pelo sociólogo Florestan Fernandes para explicar e criticar a estrutura social brasileira. Segundo ele, o Estado brasileiro em seu desenvolvimento no capitalismo periférico, desde o início do século XX, atua como uma falsa democracia. Apenas os interesses da burguesia assumem o plano das decisões políticas.

Assim, as demandas da classe trabalhadora são descartadas e seus representantes cooptados, ou seja, levados a agir em conformidade com os interesses da burguesia.

Desse modo, a burguesia concentra, em si, todo o poder político. Seus interesses são defendidos em todas as esferas do poder (executivo, legislativo e judiciário).

Para Florestan Fernandes, caracterizaria a estrutura de um Estado autocrático e impediria a realização de uma democracia efetiva.

Gabarito: C

Tendência histórica brasileira é a :

- Meritocracia: é um sistema social no qual o sucesso do indivíduo depende principalmente dos resultados apresentados por ele.

- Democracia: é definida, desde a antiga Grécia, como “governo do povo”, ou “governo popular”.

- Autocracia: forma de governo autoritária em que o governo é controlado por uma pessoa chamada de autocrata. Nesse tipo de governo, as ações do Estado são ditadas pelos interesses e pelas vontades do autocrata.

- Tecnocracia: um sistema social em que o poder político e a gestão da sociedade, em seus diversos aspectos, encontra-se na mão de especialistas, técnicos e cientistas.

O golpe de Estado de 1964 obrigou-me a procurar uma explicação sociológica que suplantasse a visão tradicional e conciliadora da formação e desenvolvimento da sociedade brasileira, forjada e mantida pelas elites intelectuais das classes dominantes (no passado e no presente). [...] Não se tratava, apenas, de defender a “liberdade” e a “democracia”. Porém, de pôr em evidência que a sociedade de classes engendrada pelo capitalismo na periferia é incompatível com a universalidade dos direitos humanos: ela desemboca em uma democracia restrita e em um Estado autocrático burguês, pelos quais a transformação capitalista se completa apenas em benefício de uma reduzida minoria privilegiada e dos interesses estrangeiros com os quais se articula institucionalmente. (FERNANDES, 2011, p. 116-118, grifo do autor).

No caso brasileiro, a revolução burguesa conjugou a dimensão autocrática da dominação, através do particularismo e do conservadorismo sociocultural e político entranhado nas elites burguesas, com a conformação de uma economia capitalista satélite. Por isso mesmo, o capitalismo dependente e subdesenvolvido é um capitalismo selvagem e difícil, cuja viabilidade se decide, com frequência, por meios políticos e no terreno político (FERNANDES, 2005).

Carvalho, K.. (2021). Autocracia burguesa e a práxis revolucionária de Florestan Fernandes. Revista Katálysis, 24(1), 109–118. https://doi.org/10.1590/1982-0259.2021.e74976

Lembrei da aula de 2016 na faculdade sobre a autocracia burguesa, nunca mais esqueci.

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