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Q3951039 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se referem.

Texto 01


A vida em “fogo baixo”


    Os dias parecem todos iguais. Até mesmo as coisas que antes encantavam ou entristeciam, agora já não afetam mais. Acordar, trabalhar, comer e dormir. Tudo no modo automático. Você está ali, mas parece que não. Funciona, mas não sente. É como se uma névoa tivesse se instalado diante do mundo. Esse sentimento, quando prolongado, tem nome: anestesia emocional.

    Essa condição é mais discreta que outros transtornos, como a depressão. Ela não nos impede de viver, mas suga o sentido da vida. É nesse momento que muitas pessoas se veem presas em uma rotina que “dá certo”, mas não satisfaz. O relacionamento está ok. O trabalho, estável. A família, bem. Mas algo por dentro parece gritar em silêncio. Às vezes, é bom não colocar tanto peso em tudo, mas se anestesiar emocionalmente do mundo ao seu redor é um quadro sensível.

    Mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, Marcos Torati explica que um dos indicadores da anestesia emocional é a ausência do sentido de vida. “Há a sensação de que ela não vale a pena e parece uma repetição eterna”, diz. “A pessoa perde a dimensão profunda dos seus erros e acertos, então se torna funcional, vivendo em ‘fogo baixo’. Não há tanta alegria, mas também não há grande tristeza ao ponto de incapacitar a vida, como na depressão”, complementa.

    Existe uma diferença sutil, mas importante, entre uma apatia passageira e uma anestesia emocional profunda. A primeira costuma estar associada a um evento reconhecível, como o fim de relacionamento, uma demissão no trabalho ou o estresse da rotina. A segunda, por sua vez, parece surgir “do nada”. “Na apatia pontual é mais fácil identificar uma relação de causalidade. Já a anestesia prolongada tem uma base inconsciente que a pessoa não consegue reconhecer tão prontamente”, explica o psicólogo.

    Além disso, nem sempre os sinais de anestesia emocional são óbvios. Em muitos casos, esse sentimento se manifesta de forma silenciosa, disfarçado em rotinas que funcionam, mas não preenchem. Para Torati, essa sensação pode ser resultado de um mecanismo de defesa comum, mas perigoso. “A pessoa pode entrar em um estado emocional apático para se defender contra a possibilidade de se frustrar. Porém, é justamente essa defesa contra a dor que pode levar à depressão”, afirma. Ele ressalta um tipo de paradoxo dessa postura: “É como se a pessoa colocasse a vida no modo econômico para evitar o sofrimento, mas isso também a impede de viver com intensidade.”

    No fim das contas, a anestesia emocional pode ser um pedido silencioso de ajuda. Não para voltar a ser como antes, mas para descobrir um novo jeito de sentir. [...]


BRITO, Diego. A vida em “fogo baixo”. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 22 jan. 2026. Adaptado.
Analise os comportamentos a seguir, tendo em vista aqueles que vão de encontro à anestesia emocional.

I- Encontrar sentido para a vida.
II- Sair dos padrões habituais.
III- Proteger-se do sofrimento.
IV- Viver com intensidade.
V- Evitar a frustração.

Estão CORRETOS os comportamentos apresentados em
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico-textual: o comando pede os comportamentos que se opõem à anestesia emocional descrita no texto. Essa oposição se apoia nos trechos que associam o quadro à ausência de sentido, à repetição automática e à defesa contra dor/frustração, o que autoriza marcar como contrários os itens que rompem esse estado.

Tema central: oposição à anestesia emocional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui o item III, que o texto vincula ao estado apático defensivo, e não a uma oposição à anestesia emocional.
B
Certa
A alternativa B reúne exatamente os comportamentos contrários aos traços que definem a anestesia emocional no texto. O item I se sustenta porque o texto aponta a ausência de sentido de vida como indicador do quadro; logo, encontrar sentido para a vida é oposição direta. O item II é inferência autorizada pelo contraste com “repetição eterna” e “Tudo no modo automático.”, isto é, sair dos padrões habituais contraria a rotina repetitiva e anestesiante. O item IV também está corretamente incluído porque o texto afirma que esse estado “a impede de viver com intensidade”; assim, viver com intensidade está no polo oposto da anestesia emocional.
C
Errada
Está errada porque inclui o item V, que também aparece no texto como parte da defesa contra a frustração, e não como comportamento contrário ao quadro.
D
Errada
Está errada porque exclui I e IV, ambos compatíveis com a oposição descrita no texto, e inclui III e V, que não se opõem à anestesia emocional.
E
Errada
Está errada porque inclui III e V, ligados no texto ao mecanismo de defesa, e exclui I e II, que decorrem da ausência de sentido e da repetição automática mencionadas no texto.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler o comando como identificação de comportamentos presentes na anestesia emocional, quando ele pede os que se opõem a ela, e tomar III e V como atitudes positivas em abstrato, embora, no texto, eles apareçam como parte do mecanismo que empobrece a vida emocional. Há ainda a necessidade de aceitar II por inferência textual legítima, já que ele decorre de “repetição eterna” e “modo automático”, mesmo sem aparecer literalmente.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique se o comando pede traços do fenômeno ou comportamentos opostos a ele; isso muda toda a seleção dos itens.
  • Quando um item não aparece literalmente, verifique se ele decorre por contraste de expressões centrais do texto, como “repetição eterna” e “modo automático”.
  • Não avalie um comportamento pelo valor positivo que ele teria fora de contexto; confira a função que ele assume dentro do texto.
  • Em listas de itens, elimine os que o próprio texto apresenta como causa, mecanismo ou manifestação do problema, e não como superação dele.

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