A linguagem, longe de ser mero instrumento de expressão de ...
A linguagem, longe de ser mero instrumento de expressão de um pensamento prévio, é condição constitutiva da própria experiência humana. Ao se manifestar social e historicamente, ela não apenas comunica, mas estrutura o pensamento e organiza a realidade para o sujeito. Nesse contexto, a leitura e a escrita não podem ser compreendidas como habilidades estanques, mas como práticas discursivas que se articulam a diferentes saberes e atravessam campos diversos do conhecimento humano.
Nessa perspectiva teórica, pode-se afirmar que:
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Tema central da questão: Interpretação de texto com foco em concepções de linguagem, leitura e escrita como práticas discursivas e sua relação com os saberes sociais e interdisciplinares.
Justificativa da alternativa correta (C):
“O reconhecimento da linguagem como prática discursiva implica compreender que ler e escrever são ações atravessadas por saberes sociais e interdisciplinares, e que, portanto, a articulação com as áreas do conhecimento é constitutiva dessas práticas.”
O enunciado destaca que a linguagem não é apenas um instrumento passivo, mas constitui a experiência humana e estrutura o pensamento. Assim, leitura e escrita não são habilidades neutras ou universais, e sim práticas sociais entrelaçadas aos contextos históricos e culturais. Dessa forma, a alternativa C corresponde exatamente a esta compreensão, alinhando-se ao que defendem Geraldi, Freire e Bakhtin: a linguagem é uma atividade social que atravessa e organiza diferentes campos do saber.
Análise das alternativas incorretas:
A) Afirma que leitura e escrita são práticas autônomas e universais, negando a influência dos contextos sociais. Esse é um equívoco conceitual, pois desconsidera a natureza social da linguagem (cf. Geraldi).
B) Define leitura e escrita como desenvolvendo-se de forma neutra, sem influências culturais — o que contraria a perspectiva discursiva, pois todas as práticas de linguagem são atravessadas por ideologias (Bakhtin, Freire).
D) Reduz a leitura e a escrita a funções secundárias e mero apoio à memorização, ignorando seu papel ativo na formação crítica do sujeito, segundo a abordagem contemporânea de linguagem.
E) Trata a linguagem como representação estática da realidade e prioriza a correção formal, desprezando a centralidade do contexto e da construção de sentidos — visão distante das práticas sociais recomendadas atualmente.
Estratégia de interpretação:
Observe palavras-chave como “condição constitutiva”, “práticas discursivas”, “saberes” e “atravessam campos diversos” para identificar a abordagem sociocultural da linguagem. Evite alternativas que proponham neutralidade, universalidade ou práticas descontextualizadas—essas são as pegadinhas clássicas!
Autores como Geraldi e Freire reforçam: ensinar leitura e escrita é articular a linguagem aos contextos e saberes do aluno, promovendo criticidade e apropriação efetiva do conhecimento.
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