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Q3455123 História
O historiador Fernando A. Novais notou, com grande propriedade, que os lucros derivados da captura dos ameríndios ficavam nas mãos dos colonos. Por outro lado, a acumulação gerada pela conexão africana acabava nas mãos de comerciantes metropolitanos especializados no comércio dessa mercadoria única. Novais chegou a propor que “é começando com o comércio de escravos que é possível entender a escravidão colonial, e não o contrário”. (João José Reis; Flávio dos Santos Gomes. Liberdade por um fio – História dos quilombos no Brasil, 2021. Adaptado)

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Alternativa correta: D

1. Tema central da questão:

A questão aborda a importância do tráfico de africanos escravizados para o sistema colonial brasileiro, especialmente sob o ponto de vista econômico e político. O texto aponta que a escravidão africana no Brasil está profundamente ligada aos interesses mercantilistas da Coroa portuguesa e aos mecanismos de acumulação de riqueza no contexto do colonialismo.

2. Resumo teórico:

No Brasil colonial, a escravidão indígena foi sendo substituída, ao longo do século XVII, pela escravidão africana. O tráfico negreiro tornou-se um negócio lucrativo, controlado e estimulado pela metrópole portuguesa, que buscava fortalecer seu sistema colonial através de monopólios e concessões (característicos do mercantilismo). Autores como Fernando Novais e João José Reis mostram que o comércio transatlântico de escravizados era essencial para o enriquecimento da elite metropolitana e garantia o funcionamento do sistema colonial.

3. Alternativa correta – Justificativa:

A alternativa D está correta porque ela relaciona diretamente o tráfico de escravizados africanos aos interesses mercantilistas da Coroa portuguesa, destacando o monopólio e o controle estatal sobre o comércio atlântico de pessoas. O texto de apoio destaca que “é começando com o comércio de escravos que é possível entender a escravidão colonial”, mostrando que o tráfico era central e estratégico para o sistema colonial, não apenas um aspecto secundário.

4. Análise das alternativas incorretas:

A: Incorreta. O comércio de africanos não foi efeito colateral, mas parte fundamental e planejada do sistema colonial.

B: Incorreta. Não trata do mito da “brandura” da escravidão, mas sobre estruturas econômicas e políticas.

C: Incorreta. O conceito de “homem cordial” é de Sérgio Buarque de Holanda e não se refere à estrutura do tráfico ou do sistema colonial.

E: Incorreta. A questão não discute a “inaptidão” indígena, mas sim o funcionamento do tráfico africano e seus interesses econômicos.

5. Estratégia de interpretação:

Fique atento às palavras-chave, como “comércio de escravos”, “acumulação”, “metropolitanos especializados” e “sistema colonial”. Busque alternativas que dialoguem com o contexto econômico-político, não apenas social ou comportamental.

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à relação entre o tráfico de escravizados africanos e os interesses da política mercantilista para a coroa portuguesa, por meio da estrutura monopolista do sistema colonial.

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