Assinale a alternativa que apresenta a ideia central do texto.
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Ano: 2026
Banca:
CONSULPAM
Órgão:
Câmara de Senador Canedo - GO
Provas:
CONSULPAM - 2026 - Câmara de Senador Canedo - GO - Assistente Administrativo
|
CONSULPAM - 2026 - Câmara de Senador Canedo - GO - Técnico de Informática |
Q4398335
Português
Texto associado
TEXTO
FLORESTAS DE MONOCULTURA
AGRAVAM INCÊNDIOS NA EUROPA
Incêndios florestais quase sempre precisam de
uma faísca para começar, seja por um raio, incêndio
criminoso ou pelo contato do escapamento quente de
um carro com a vegetação seca.
No caso dos incêndios florestais históricos do
verão de 2026 na Europa, a principal causa apontada
foi o contato de máquinas com a vegetação seca. Na
França, autoridades acreditam que uma máquina de
roçagem que operava próxima a uma linha de alta
tensão tenha dado início ao fogo. Na Espanha, as
investigações atribuem a tragédia a máquinas pesadas
e suas faíscas. Mas essas conclusões explicam apenas
como os incêndios começaram, e não por que eles se
transformaram nos megaincêndios que devastaram o
continente no verão.
Uma combinação de mudanças climáticas,
planejamento insuficiente e florestas plantadas de
maneira que favorece a rápida propagação das
chamas foram, estas sim, as principais causas do
fenômeno, segundo especialistas. “Não é que os
incêndios florestais sejam algo mágico e
simplesmente comecem. É preciso haver as condições
climáticas para isso”, disse Silvia Abruscato,
coordenadora da FoRISK, uma rede europeia de
gestão de riscos florestais.
Os cientistas apontam três fatores que
determinam se um incêndio florestal se espalhará
rapidamente: a quantidade de vegetação disponível
para queimar, o grau de ressecamento dessa
vegetação e as condições meteorológicas ao redor do
fogo.
“Quando essas três condições são altamente
favoráveis aos incêndios e coincidem, então você tem
esse tipo de evento”, disse Francesca Di Giuseppe,
coordenadora de um projeto de previsão de incêndios
no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de
Médio Prazo.
As mudanças climáticas estão tornando essas
condições mais comuns e mais intensas. Uma análise
rápida do grupo World Weather Attribution concluiu
que o aquecimento global tornou muito mais provável
a ocorrência das condições meteorológicas extremas que favoreceram os incêndios de verão na Espanha e
na França.
Uma das razões é um fenômeno chamado
“chicote hidroclimático”, no qual ecossistemas
alternam abruptamente entre condições úmidas e
secas. Em essência, à medida que o planeta aquece, a
atmosfera retém mais umidade, intensificando as
chuvas que estimulam o crescimento da vegetação.
“Isso criou uma abundância de biomassa que depois
secou rapidamente durante uma sequência de ondas
de calor”, disse Di Giuseppe.
Na primavera, uma atmosfera mais quente
retira água do solo e das plantas. A seca se agrava, a
vegetação resseca e as paisagens tornam-se muito
mais fáceis de incendiar. Em termos simples,
invernos úmidos produzem combustível, e
primaveras secas transformam esse combustível em
material ideal para pegar fogo.
No verão de 2026, isso significou incêndios
surgindo quase simultaneamente na França, Espanha,
Grécia e Turquia, todos impulsionados pelo mesmo
padrão generalizado de calor e seca. Nesse ciclo, os
próprios incêndios acabam agravando o aquecimento
global. Segundo dados da União Europeia, os
incêndios de 2026 emitiram em torno de 18 milhões
de toneladas de CO₂, gás que contribui para o
problema.
Depois que um incêndio começa, milhares de
bombeiros podem levar dias ou semanas para
controlar as chamas. Isso ocorre, em parte, por causa
da forma como as florestas foram manejadas ao longo
de décadas. Em partes da Europa, grandes áreas
foram plantadas como monoculturas, dominadas por
uma única espécie cultivada para produção rápida de
madeira.
“Alguns dos incêndios que estamos vendo na
França e na Espanha ocorrem em locais onde existem
árvores altamente inflamáveis, relativamente finas e
que frequentemente crescem muito próximas umas
das outras, de modo que o fogo se espalha com muita
facilidade”, disse Doug Kelley, modelador de
superfícies terrestres do Centro de Ecologia e
Hidrologia do Reino Unido.
Mais de três quartos da floresta Landes de
Gascogne, no sudoeste da França são compostos por
pinheiro-marítimo. Criada depois que Napoleão 3
ordenou, em 1857, a drenagem dos pântanos da
região e o plantio de pinheiros, ela se tornou a maior
floresta artificial da Europa.
Mas essa espécie de pinheiro perde agulhas
grossas que cobrem o solo da floresta, fornecendo
grande quantidade de combustível para incêndios.
Como as árvores têm idade e altura semelhantes em
vastas áreas, elas são particularmente vulneráveis a
incêndios de rápida propagação.
Outra árvore de crescimento rápido usada
para produção de madeira é o eucalipto. Em Portugal,
essa espécie rica em óleo, que representa mais de um
quarto da área florestal do país, queimou
extensamente durante a mortal temporada de
incêndios de 2017.
“Em algumas regiões da Europa, terras
agrícolas e áreas de arbustos com menor biomassa
foram substituídas por espécies de coníferas ou
eucaliptos, mais propensas a incêndios e de maior
rentabilidade econômica, aumentando o risco de
fogo”, escreveu a Comissão Europeia em um relatório
de estudo de caso sobre os incêndios portugueses de
2017.
Isso inclui a Espanha, onde cerca de 3 milhões
de hectares de antigas áreas agrícolas e pastagens
foram plantados com pinheiros e eucaliptos durante e
após a ditadura de Francisco Franco, que durou de
1939 a 1975.
Os bombeiros continuarão desempenhando
um papel crucial no combate aos incêndios florestais.
Mas especialistas afirmam que reduzir o risco antes
que os incêndios comecem é igualmente importante.
Isso passa por enfrentar as emissões de gases de efeito
estufa que impulsionam as mudanças climáticas e
intensificam eventos meteorológicos extremos.
“Tentar evitar, antes de tudo, que a paisagem
se torne tão inflamável é uma das formas mais
eficazes de evitar esse tipo de comportamento
extremo do fogo”, afirmou Di Giuseppe. Substituir
monoculturas por florestas mistas também ajudaria
significativamente. Florestas com maior diversidade
de espécies costumam resistir melhor à seca,
tempestades de vento, surtos de insetos e incêndios,
porque diferentes árvores reagem de maneiras
distintas aos estresses ambientais.
A Alemanha oferece um caso instrutivo de
manejo florestal. A demanda por madeira após a
Segunda Guerra Mundial levou ao plantio de abetos
em cadeias montanhosas como a região do Harz, na
antiga Alemanha Oriental. Mas essas monoculturas
mostraram-se vulneráveis à seca e à infestação por
besouros da casca. Atualmente, engenheiros
florestais trabalham para convertê-las em florestas
mistas e aumentar sua resiliência.
O plantio de árvores caducifólias de folhas
largas, como carvalhos, faias ou bordos, também pode ajudar, pois elas normalmente armazenam mais
umidade do que as coníferas. Árvores com casca
grossa, menos galhos baixos e maior teor de umidade
tendem a ser mais resistentes ao fogo.
Um estudo de simulação realizado após os
incêndios de 2017 em Portugal constatou que
incêndios que superaram a capacidade de resposta dos
bombeiros em áreas de pinheiros e eucaliptos, com
chamas superiores a quatro metros de altura,
poderiam ser contidos em florestas de árvores de
folhas largas, onde as chamas ficavam abaixo de um
metro e meio.
Especialistas em silvicultura também
recomendam criar espaços entre as fileiras de árvores
para desacelerar a propagação do fogo, bem como
podar os galhos mais baixos para impedir que as
chamas alcancem rapidamente as copas. Limpar o
solo florestal de folhas secas inflamáveis e madeira
morta, além de realizar queimadas controladas para
reduzir a vegetação rasteira antes da temporada de
incêndios, também ajuda. “Precisamos manejar
nossas florestas adequadamente para evitar que
desastres tão grandes aconteçam. Portanto,
prevenção, prevenção, prevenção”, disse Abruscato.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/florestas-demonocultura-agravam-incêndios-na-europa/a-78214751.
Adaptado. Acesso em: 2 de setembro de 2026.
Assinale a alternativa que apresenta a ideia central do
texto.