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Ano: 2026
Banca:
Instituto Consulplan
Órgão:
Prefeitura de Vitória - ES
Prova:
Instituto Consulplan - 2026 - Prefeitura de Vitória - ES - Auditor de Atividades Urbanas - Consumo |
Q4312925
Não definido
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Texto para responder à questão.
Dia Internacional da Felicidade: entenda como a positividade tóxica pode prejudicar a saúde
No dia 20 de março é comemorado o Dia Internacional da Felicidade. Durante décadas, a psicologia e a cultura popular
difundiram a ideia de que pensar positivamente é uma ferramenta poderosa para mudar o rumo da vida e favorecer a realização
dos desejos. De livros de autoajuda a frases inspiradoras nas redes sociais, a mensagem tem sido clara: a atitude é tudo.
Assim surgiu uma corrente apoiada por psicólogos como Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados
Unidos, que sustentava: “as emoções positivas promovem a resiliência, a criatividade e o bem-estar geral”.
“Mantenha o rosto voltado para a luz do sol e você não verá as sombras”, aconselhava Helen Keller, ativista norte-
-americana que se tornou um símbolo de superação. No entanto, o que acontece quando o sol cega – e as sombras que
ignoramos começam a pesar mais do que a própria luz?
Os cientistas encontraram base sólida para isso. A psicologia positiva, surgida no fim dos anos 1990, trouxe evidências
contundentes sobre os benefícios de cultivar a gratidão, o otimismo e a esperança. Segundo um estudo da Universidade da
Carolina do Norte, liderado pela psicóloga Barbara Fredrickson, “as emoções positivas ampliam nossa capacidade de pensamento e ação, ajudando a construir recursos pessoais de longo prazo”.
Do ponto de vista fisiológico, as emoções agradáveis também melhoram a saúde física. A Clínica Mayo destacou em uma
de suas últimas pesquisas que pessoas otimistas apresentam menores níveis de cortisol, pressão arterial mais baixa e risco
reduzido de doenças cardiovasculares. Uma meta-análise da Universidade de Harvard constatou que o otimismo pode
aumentar em até 15% a expectativa de vida.
Porém, o auge dessa visão trouxe efeitos colaterais inesperados. A necessidade de “estar bem” transformou-se em um
mandato social, fortemente enraizado em ambientes de trabalho, na educação, nas relações afetivas e, especialmente, nas
redes sociais. O otimismo, em muitos casos, deixou de ser um recurso pessoal para se tornar uma obrigação coletiva.
– Na cultura atual, o otimismo permanente se tornou quase uma obrigação. Redes sociais, mensagens motivacionais e
livros de autoajuda repetem mantras como “se você quiser, você pode”, instalando a ideia de que sentir tristeza, raiva ou
frustração é um erro – diz Roxana Rostán, psicóloga da Fundação Aiglé.
Esse é o conceito que começa a preocupar os especialistas: quando a mensagem de bem-estar se transforma em
imposição, surge o que hoje se chama de positividade tóxica.
O problema é que nela não há espaço para a dúvida, o medo ou a frustração. Tudo deve ser rapidamente transformado
em lição, aprendizado ou gratidão. Essa exigência emocional, longe de promover saúde mental, pode gerar desconexão interna
e um profundo vazio emocional.
Pesquisadores como Erica Anderson, especialista em Psicologia Cultural da Universidade do Sul da Califórnia, alertam que
essa imposição emocional pode causar mais mal do que bem.
– A positividade tóxica leva à supressão emocional crônica e isso impede o desenvolvimento de uma verdadeira resiliência – diz.
Em outras palavras, não se trata de rejeitar o otimismo, mas de reconhecer quando ele se torna um véu que nos afasta da
realidade.
– Quando algo negativo acontece, as pessoas costumam dizer “veja o lado bom”. Embora bem-intencionados, esses
comentários podem silenciar quem está sofrendo. Ignorar as emoções negativas não as faz desaparecer. Empurrá-las para
debaixo do tapete mental só aumenta o sofrimento – acrescenta Anderson.
Marisa G., arquiteta de 43 anos, lembra o momento em que a positividade deixou de ajudá-la. Após perder o emprego
durante a pandemia, agarrou-se a todas as frases motivacionais, como “Isso é uma oportunidade” e “Tudo acontece por uma
razão”. Evitava falar de medo e angústia porque achava que mostrar vulnerabilidade era fracassar.
– Eu me obrigava a sorrir e agradecer todos os dias. Mas por dentro me sentia vazia, como se estivesse falhando por não
ser feliz – conta.
A história dela não é isolada. Um estudo da Universidade de Indiana, publicado no Journal of Communication and Media, revelou
que mais de 68% dos jovens adultos sentem pressão para aparentar felicidade nas redes sociais, mesmo em momentos difíceis.
–O mandamento de estar bem o tempo todo gera culpa e isolamento – explica o sociólogo Benjamin Crossley, autor da pesquisa.
Do Centro de Saúde Mental do Campus de Ontário (Canadá) vem outra constatação: a positividade tóxica “anula emoções
legítimas, dificulta a busca por apoio e alimenta uma cultura de silenciamento emocional”.
Rostán acrescenta que, no ambiente de trabalho, essa cultura do “tudo bem” pode ser especialmente perigosa:
– A exigência de manter o bom humor, mesmo em situações de esgotamento, aprofunda uma cultura que prioriza a
produtividade em detrimento da saúde mental.
Nas redes, influenciadores, celebridades e até marcas reforçam a narrativa de que tudo pode ser transformado com boa
atitude. Mas o que acontece com quem não consegue fazê-lo?
– Começa a surgir uma autocrítica feroz – diz o psicólogo Tomás D’Angelo, da Universidade de Buenos Aires. – As pessoas
não apenas se sentem mal, mas se culpam por não conseguir mudar seu estado emocional.
O preço é alto. Um estudo da Universidade de Oxford, liderado pela psicóloga Hannah Torres, mostrou que pessoas que
suprimem emoções negativas com frequência têm 34% mais risco de ansiedade crônica e 23% mais chance de desenvolver
transtornos psicossomáticos.
– A “boa vibração” pode ser especialmente irritante para quem está atravessando profunda angústia – diz Torres.
Ramiro T., bancário de 38 anos, conta que durante anos sentiu a pressão de ser o “positivo do grupo”. Sempre tinha uma
frase para animar os colegas e minimizar as preocupações. Tudo mudou quando o pai adoeceu gravemente.
– Eu achava que, se me deixasse ficar triste, os outros pensariam que estava desistindo. Mas manter essa fachada me
desgastou. Na terapia aprendi que também está tudo bem não estar bem – diz.
Existem abordagens terapêuticas que apoiam esse equilíbrio. Uma delas é o mindfulness. Segundo um estudo de Oxford,
pessoas que praticam meditação consciente têm 28% menos reatividade emocional diante de situações adversas.
(Por: Flávia Tomaello. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/bem-estar/noticia. Acesso em: março de 2026. Adaptado.)
Sobre a estruturação do texto apresentado, assinale a afirmativa correta.