Qual o tipo de sujeito no trecho: “Somos muitos Severinos ig...

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Q3159322 Português
Leia com atenção, abaixo, um trecho de crítica literária sobre João Cabral de Melo Neto, bem como um trecho de seu poema mais famoso, e responda à pergunta.


Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto)


O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria,
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade e até gente não nascida).


“Poesia assim tão autonomamente construída se isola no seu hermetismo. Aparece como um cúmulo de individualismo, de personalismo narcisista que, no sr. Cabral de Melo, tem um inegável encanto, uma vez que ele está na idade dessa espontaneidade na autocontemplação. O sr. Cabral de Melo, porém, há de aprender os caminhos da vida e perceber que lhe será preciso o trabalho de olhar um pouco a roda de si, para elevar a pureza da sua emoção a valor corrente entre os homens e, desse modo, justificar a sua qualidade de artista.” (Cândido)
Qual o tipo de sujeito no trecho: “Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida...”
Alternativas

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Tema central: Classificação do sujeito na Língua Portuguesa, particularmente o sujeito desinencial (também chamado de sujeito oculto ou elíptico), conceito elementar da sintaxe e frequentemente cobrado em concursos.

Ao analisarmos o trecho do poema “Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida...”, identificamos um verbo na 1ª pessoa do pluralsomos. No entanto, observe que o pronome “nós” não está explicitamente expresso na oração.

Conceito-chave: Segundo a norma-padrão (referência: Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo), o sujeito desinencial é identificado pela desinência verbal, mesmo que o sujeito não apareça na frase. Em frases como “Fomos premiados”, mesmo que o pronome não esteja escrito, a forma do verbo –“fomos”– indica a pessoa do discurso (“nós”), caracterizando o sujeito desinencial.

Justificativa da alternativa correta:
A alternativa C) Desinencial é a correta porque:

  • O sujeito (“nós”) não aparece, mas pode ser claramente identificado pela conjugação do verbo.
  • O sentido da oração permanece, pois a marcação verbal em “somos” revela quem pratica a ação.
  • Exemplo comparativo: Em “Estudamos para o concurso”, entende-se que nós estudamos, embora “nós” não esteja escrito.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Simples: Incorreta. O sujeito simples exige o núcleo expresso na oração (ex: "João chegou cedo"). Aqui, não há sujeito expresso.
  • B) Composto: Incorreta. Sujeito composto é formado por dois ou mais núcleos explicitamente indicados (ex: “Pedro e Maria saíram”). Não ocorre no trecho.
  • D) Sem sujeito: Incorreta. A oração possui sujeito (nós), ainda que oculto. Seria oração sem sujeito em casos como “Choveu ontem”.

Dica de prova: Sempre observe a conjugação verbal para localizar o sujeito, mesmo que não esteja escrito. Evite cair em “pegadinhas” em que o verbo na 1ª ou 2ª pessoa sugere presença de sujeito implícito!

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O sujeito desinencial é um sujeito oculto que não é explicitamente mencionado na oração, mas que pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo contexto. 

GAB: C

 “Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida...”

Quem é que somos muitos severinos?

-Nós

Também designado de sujeito elíptico, sujeito implícito e sujeito subentendido, o sujeito oculto/desinencial é aquele que não aparece na oração de forma explícita. Podemos dizer que sabemos que ele está ali, mas não conseguimos vê-lo.l ou

Sujeito oculto

  • verbo na 1° ou 2° pessoa do singular ou plural
  • Verbo na 3° pessoa do singular ou do plural, quando há referência textual

Sujeito indeterminado

  • verbo na 3° pessoa do plural, sem referência textual
  • verbo na 3° pessoa do singular + se
  • infinitivo impessoal

Oração sem sujeito (Verbos impessoais = não admitem sujeito e ficam no singular)

  • fenômeno da natureza
  • haver - no sentido de: existir/ ocorrer/ acontecer ou tempo transcorrido
  • fazer - tempo transcorrido ou percepção climática

Gabarito C

Percebe-se que, mesmo não estando expresso na frase, a pessoa consegue deduzir que o Suj. é (Nós). Ou seja, nesta ocasião, estamos falando do Suj. Desinencial.

O sujeito desinencial é o sujeito oculto, ou seja, o sujeito que não é explicitamente mencionado na oração. Ele pode ser identificado por meio da desinência do verbo ou do contexto da oração. 

Exemplos de Suj. Desinencial: ´´No trajeto para casa, (eu) passei pelo parque da cidade´´ ´´(nós) Gostamos de pular Carnaval´´

CFOPMBA

DESINENCIAL = OCULTO = ELÍPTICO = IMPLÍCITO

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