Na transposição para a voz passiva da frase O autor não test...

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Q2782233 Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 10, considere o texto abaixo.


Criadores e legados


Dando alguns como aceitável que a nossa vida possa ser considerada um absurdo, já que ela existe para culminar na morte, parece-lhes ainda mais absurda quando se considera o caso dos grandes criadores, dos artistas, dos pensadores. Eles empregam tanta energia e tempo para reconhecer, formular e articular linguagens e ideias, tanto esforço para criar ou desafiar teorias e correntes do pensamento, é-lhes sempre tão custoso edificar qualquer coisa a partir da solidez de uma base e com vistas a alguma projeção no espaço e no tempo – que a morte parece surgir como o mais injusto e absurdo desmoronamento para quem justamente mais se aplicou na engenharia de toda uma vida.

Por outro lado, pode-se ponderar melhor: se o legado é grande, e não morre tão cedo, a desaparição de quem o construiu em nada reduz a atualização de sentido do que foi deixado. O criador não testemunhará o desfrute, mas quem recolher seu legado reconhecerá nele a força de um sujeito, de uma autoria confortadora para quantos que se beneficiam da obra deixada, e que dela assim compartilham. Sem sombra de rancor, uma sonata de Beethoven modula-se no dedilhar de uma sucessão de pianistas e por gerações de ouvintes, a cada vez que é interpretada e renovada. Na onda ecoante, no papel, no celuloide, no marfim, no mármore, no barro, no metal, na voz das palavras, é o tempo da vida e da arte, não o da morte, que se celebra no Feito.

O legado teimoso das obras consumadas parece contar com o fundamento mesmo da morte para reafirmar a cada dia o tempo que lhes é próprio. Essa é a sua riqueza e o seu desafio. Sempre alguém poderá dizer, na voz do poeta Manuel Bandeira: “ tenho o fogo das constelações extintas há milênios”, ecoando tanto uma verdade da astrofísica como a poesia imensa do nosso grande lírico.

(Justino de Azevedo, inédito)

Na transposição para a voz passiva da frase O autor não testemunhará o desfrute das obras que compôs, as formas verbais resultantes devem ser:

Alternativas

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Tema central: A questão aborda transposição da voz ativa para a passiva, ponto essencial da Morfologia dos Verbos em língua portuguesa. Dominar este conteúdo permite ao assistente social interpretar e redigir textos com propriedade, garantindo clareza e precisão na comunicação oficial e documental.

Como resolver a questão: Na voz ativa, o sujeito executa a ação (“O autor não testemunhará o desfrute das obras que compôs”); na voz passiva, o sujeito recebe a ação. Para a transposição correta, é obrigatório conjugar o verbo ser no mesmo tempo do verbo principal da ativa (futuro do presente: “testemunhará” → “será testemunhado”) mais o particípio do verbo principal. O agente da ação (antes sujeito) vira o agente da passiva (introduzido por “por”).

Aplicando a regra: O objeto direto da ativa (“o desfrute das obras que compôs”) vira sujeito da passiva. Assim, a frase correta na passiva, conforme preconizado por Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), é: “O desfrute das obras que foram compostas não será testemunhado pelo autor.”

Justificativa da alternativa correta (B):
“não será testemunhado − foram compostas”—“não será testemunhado” corresponde à voz passiva de “não testemunhará”, e “foram compostas” à passiva de “compôs”. As formas estão corretamente adequadas aos tempos e vozes exigidos.

Por que as demais estão incorretas?

  • A: Mantém a voz ativa; não houve conversão adequada.
  • C: Erro de concordância—“testemunhadas” (plural) não concorda com “desfrute” (singular).
  • D: Tempo verbal incorreto (“terá sido testemunhado” está no futuro composto e não corresponde ao tempo dado).
  • E: Primeira parte permanece na ativa; segunda parte usa tempo verbal diferente (presente perfeito).

Dica para provas: Ao transpor para a voz passiva, observe sempre: tempo verbal, concordância e função dos termos na frase. Atenção para pegadinhas de tempo e número!

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