A análise do período permite classificá-lo como:
Leia com atenção o texto e responda o que se pede no comando das questões.
O ninho não mais vazio
Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o Réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a rola — fizeram seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.
Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. "Ela gostou daqui”, ele disse. "Vai voltar para fazer outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?
Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.
E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.
Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia. Só as iniciais: Janio de Freitas.
(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. 1, ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p. 21/ 22)
Utilize o excerto a seguir para responder as questões de 5 a 8: "Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar".
A análise do período permite classificá-lo como:
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Tema central: Esta questão aborda período composto e análise sintática de orações, especialmente focando em identificar tipos de subordinação, coordenação e a quantidade de orações envolvidas.
Justificativa da alternativa correta (A):
O trecho analisado — “Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar.” — apresenta um clássico exemplo de período composto por subordinação. Veja a estrutura:
- Oração subordinada adverbial condicional: “Se se sentem seguros em algum lugar” — introduz uma condição, com o conectivo “se”.
- Oração principal: “elegem-no para se aninhar” — a ação realizada, dependente da condição anterior.
Portanto, temos duas orações: uma principal e uma subordinada. Como há ligação de dependência entre elas (não simplesmente uma justaposição ou equivalência), o período é composto por subordinação.
Dessa forma, a alternativa A (“composto por subordinação com três orações”) está quase perfeita, havendo apenas dois núcleos oracionais. No entanto, conforme gabarito e bibliografia consagrada (Bechara, Cunha & Cintra), admite-se considerar orações reduzidas e perífrases verbais nas classificações em provas, o que justifica a assertiva – pois a expressão “para se aninhar” pode ser vista como oração reduzida de infinitivo, totalizando três orações no período:
- 1. Se se sentem seguros em algum lugar,
- 2. elegem-no (oração principal)
- 3. para se aninhar (oração reduzida de infinitivo, finalidade)
Assim, classifica-se como “composto por subordinação com três orações”.
Análise das alternativas incorretas:
B) Errada — Não há coordenação, e são três orações, não duas.
C) Errada — Não há coordenação, apenas subordinação.
D) Errada — Não são quatro orações, nem há coordenação.
Estratégia de prova: Sempre identifique primeiro os conectivos e observe se há dependência sintática (subordinação) ou se as orações se equivalem (coordenação). Cuidado com frases iniciando com “se” ou introduzindo finalidades; elas costumam gerar orações subordinadas.
Referência: Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”, cap. Período Composto; Cunha & Cintra, “Nova Gramática do Português Contemporâneo”.
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Comentários
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Alternativa A
"SE se sentem seguros em algum lugar" indica oração subordinada adverbial condicional (se)
"PARA se aninhar" indica Oração Subordinada Adverbial Final (para)
"elegem-no" é a oração principal do período.
Como não há oração coordenada no período, têm-se um período composto por subordinação com três orações.
O MELHOR ESTÁ POR VIR!
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