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Q2695743 Português

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O ninho não mais vazio

Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o Réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a rola — fizeram seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.

Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. "Ela gostou daqui”, ele disse. "Vai voltar para fazer outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?

Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.

E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.

Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia. Só as iniciais: Janio de Freitas.

(CASTRO, Ruy. A arte de querer bem. 1, ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p. 21/ 22)

Utilize o excerto a seguir para responder as questões de 5 a 8: "Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar".

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Tema central: Esta questão aborda período composto e análise sintática de orações, especialmente focando em identificar tipos de subordinação, coordenação e a quantidade de orações envolvidas.

Justificativa da alternativa correta (A):

O trecho analisado — “Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar.” — apresenta um clássico exemplo de período composto por subordinação. Veja a estrutura:

  • Oração subordinada adverbial condicional: “Se se sentem seguros em algum lugar” — introduz uma condição, com o conectivo “se”.
  • Oração principal: “elegem-no para se aninhar” — a ação realizada, dependente da condição anterior.

Portanto, temos duas orações: uma principal e uma subordinada. Como há ligação de dependência entre elas (não simplesmente uma justaposição ou equivalência), o período é composto por subordinação.

Dessa forma, a alternativa A (“composto por subordinação com três orações”) está quase perfeita, havendo apenas dois núcleos oracionais. No entanto, conforme gabarito e bibliografia consagrada (Bechara, Cunha & Cintra), admite-se considerar orações reduzidas e perífrases verbais nas classificações em provas, o que justifica a assertiva – pois a expressão “para se aninhar” pode ser vista como oração reduzida de infinitivo, totalizando três orações no período:

  • 1. Se se sentem seguros em algum lugar,
  • 2. elegem-no (oração principal)
  • 3. para se aninhar (oração reduzida de infinitivo, finalidade)

Assim, classifica-se como “composto por subordinação com três orações”.

Análise das alternativas incorretas:

B) Errada — Não há coordenação, e são três orações, não duas.

C) Errada — Não há coordenação, apenas subordinação.

D) Errada — Não são quatro orações, nem há coordenação.

Estratégia de prova: Sempre identifique primeiro os conectivos e observe se há dependência sintática (subordinação) ou se as orações se equivalem (coordenação). Cuidado com frases iniciando com “se” ou introduzindo finalidades; elas costumam gerar orações subordinadas.

Referência: Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”, cap. Período Composto; Cunha & Cintra, “Nova Gramática do Português Contemporâneo”.

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Alternativa A

"SE se sentem seguros em algum lugar" indica oração subordinada adverbial condicional (se)

"PARA se aninhar" indica Oração Subordinada Adverbial Final (para)

"elegem-no" é a oração principal do período.

Como não há oração coordenada no período, têm-se um período composto por subordinação com três orações.

O MELHOR ESTÁ POR VIR!

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