O trecho a seguir serve de base para responder à questão. “...
“Então começou levemente a garoar. Olímpico tinha razão: ela só sabia mesmo era chover. Os finos fios de água gelada aos poucos empapavam-lhe a roupa e isso não era confortável.” (Clarice Lispector)
Na frase “ela só sabia mesmo era chover”, a autora utiliza um recurso expressivo, denominado:
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TEMA CENTRAL: Esta questão aborda figuras de linguagem, recurso textual fundamental na interpretação literária. Dominar as figuras é essencial, sobretudo em provas para Professor de Língua Portuguesa.
Conceito-chave: Segundo Evanildo Bechara, “a metáfora é a transferência de sentido baseada numa relação implícita de semelhança, sem expressar explicitamente o termo de comparação” (Moderna Gramática Portuguesa).
Justificativa da Alternativa Correta (C) – Metáfora:
No trecho “ela só sabia mesmo era chover”, Clarice Lispector atribui à chuva a capacidade exclusiva de saber chover, como se fosse um ser consciente. Entretanto, não se trata de atribuir uma ação humana de modo literal, mas de fazer um paralelo simbólico entre o saber e o 'ato de chover' da chuva. Ao empregar a metáfora, a autora destaca, de modo poético, a monotonia e insuperabilidade do fenômeno da chuva.
Análise das alternativas incorretas:
A) Hipérbato: Consiste na inversão da ordem dos termos de uma oração (ex: “Das montanhas desce o rio”). Aqui, a ordem está direta (“ela só sabia mesmo era chover”), logo não há hipérbato.
B) Prosopopeia: Também chamada de personificação, consiste em atribuir ações humanas a seres inanimados (“as estrelas sorriam no céu”). Embora a frase mencione um verbo típico de seres animados (“saber”), a intenção não é personalizar a chuva de modo humanizado, e sim estabelecer uma relação simbólica; por isso, a metáfora se sobrepõe enquanto figura predominante.
D) Hipérbole: É o exagero intencional para enfatizar uma ideia (“chorou rios de lágrimas”). Não ocorre no trecho, pois não há exagero, mas uma comparação implícita.
Estratégia para provas: Ao identificar termos de comparação implícitos, sem conectivos (como, tal qual), pense em metáfora. A personificação tende a usar verbos de ação/sentimento claros atribuídos a seres não humanos; já o hipérbato exige inversão de ordem, e a hipérbole depende do exagero.
Resumo: O trecho utiliza metáfora. Fique atento à especificidade de cada figura de linguagem e à sua predominância em cada contexto.
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Comentários
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Na frase “ela só sabia mesmo era chover”, a autora atribui uma ação humana (“saber”) a um fenômeno da natureza (a chuva). Esse recurso expressivo é chamado de:
B) prosopopeia
Também conhecida como personificação, a prosopopeia consiste em atribuir características humanas a seres inanimados ou irracionais, como é o caso da chuva que “sabe” chover.
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Hipérbato é uma figura de linguagem que consiste na inversão da ordem direta dos termos da oração (sujeito + verbo + complementos).
- Ordem direta esperada:
- → Ela só sabia chover mesmo
- ou
- → Ela só sabia chover.
- Mas Clarice escreve:
- → “Ela só sabia mesmo era chover.”
Hipérbato é uma figura de linguagem que consiste na inversão da ordem direta dos termos da oração (sujeito + verbo + complementos).
Ordem direta esperada:
→ Ela só sabia chover mesmo
ou
→ Ela só sabia chover.
Mas Clarice escreve:
→ “Ela só sabia mesmo era chover.”
Questão difícil, personificação aparece na frase, embora ela faça parte do efeito metafórico maior.
acho que na frase tem metáfora e personificação
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