A respeito da estruturação do texto “Hipopótamos à solta”, ...
Gabarito comentado
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Tema central: A questão aborda interpretação de texto, sobretudo os conceitos de progressão temática, coesão e coerência textual na estruturação dos parágrafos.
Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D está correta porque reconhece que o texto de Fernando Fabbrini utiliza um encadeamento lógico entre os parágrafos, todos voltados à crítica de situações em que prevalecem apenas “verdades óbvias” nos discursos midiáticos e sociais. O “óbvio” é repetido e serve de eixo central, permitindo a progressão temática: cada parágrafo aprofunda e reforça o argumento, ao passo que exemplos e ironias mantêm a unidade de sentido do texto.
Essa construção exemplifica bem a norma-padrão, conforme Celso Cunha & Lindley Cintra: “Os parágrafos devem além de guardar unidade, manter relação lógica entre si, formando um todo textual articulado.”
Elementos para perceber esta articulação: uso de repetição (o óbvio, as platitudes), conectores de continuidade e coesão referencial, além de retomadas críticas a cada exemplo citado.
Análise das alternativas incorretas:
A) Fala em discurso fragmentado e abandono da coerência, o que não ocorre: o texto é fluido, coeso e avança sempre sobre o mesmo eixo.
B) Define como sequência descritiva linear e exposição objetiva, porém há crítica e ironia, indo além de simples descrição; há desenvolvimento argumentativo e não apenas enumeração de fatos.
C) Diz que os parágrafos não se articulam, opção equivocada, pois a coesão é evidente: um parágrafo alimenta e amplia o outro.
E) Menciona digressões temáticas e perda de unidade, mas, pelo contrário, o tema permanece claro e reforçado em todo o texto.
Estratégia para acertar esse tipo de questão: Busque palavras-chave que indicam retomadas de ideia, exemplos que comprovem um ponto central e conectores que articulem os parágrafos. Observe sempre se o texto segue um fio condutor, evitando cair em pegadinhas sobre “falta de unidade” quando claramente a progressão existe.
Resumo: O autor estrutura o texto de modo a retomar e desenvolver uma ideia central de maneira coesa e progressiva, reforçando a intencionalidade crítica e o humor elegante ao longo dos parágrafos.
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Comentários
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GAB: D
Questão chata pela forma que foi abordada.
O fio condutor da crítica é a repetição temática do “óbvio”, que aparece desde as citações iniciais (Chesterton, Meloni, Nelson Rodrigues) até os exemplos cotidianos extraídos da mídia televisiva.
Cada parágrafo contribui para reforçar o argumento central: a banalização do discurso informativo e a ascensão da platitude como norma comunicativa. O autor utiliza humor, ironia e exemplos concretos para sustentar sua crítica, mantendo a coesão referencial e a intencionalidade comunicativa ao longo do texto...
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Gabarito: D
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PCSC 2026
Análise da Organização Textual
O texto "Hipopótamos à solta" é uma crônica de opinião que utiliza a progressão temática para aprofundar uma crítica social e midiática.
- Encadeamento Lógico: O autor não escreve parágrafos isolados; cada bloco de texto adiciona uma nova camada à argumentação, conectando exemplos históricos (como Chesterton e Nelson Rodrigues) à realidade atual das emissoras de TV.
- Eixo Condutor (O "Óbvio"): A palavra ou o conceito de "óbvio" (e seus sinônimos como platitude e clichê) é repetida propositalmente ao longo de todo o texto. Essa repetição não é um erro, mas sim um recurso de coesão lexical que mantém a unidade do tema enquanto o autor expande sua crítica à superficialidade moderna.
1. Progressão Temática (O "Andar" do Texto)
É o equilíbrio entre o que o leitor já sabe e a informação nova.
- Eixo Condutor: É uma palavra ou ideia central que se repete ao longo dos parágrafos (como o "óbvio" no texto do Fernando Fabbrini). Ela garante que o texto não perca o foco.
- Desenvolvimento: O autor parte de um tema conhecido e adiciona argumentos novos a cada parágrafo para aprofundar a discussão.
2. Coesão Textual (O "Grude" entre as Partes)
- Coesão Referencial: Uso de pronomes, sinônimos ou epítetos para retomar o que já foi dito sem repetir a mesma palavra.
- Ex: "Nelson Rodrigues criticou o óbvio. Ele [referencial] dedicou um livro a essa coisa [sinônimo]."
- Coesão Sequencial: Uso de conectivos (conjunções e advérbios) que estabelecem relações lógicas (causa, oposição, conclusão).
- Ex: "O óbvio domina a TV. Além disso [adição], as redes sociais o amplificam."
3. Organização dos Parágrafos
As bancas analisam a função de cada bloco:
- Encadeamento Lógico: Quando um parágrafo "puxa" o outro através de uma ideia ou gancho textual.
- Unidade Temática: Cada parágrafo deve ter uma ideia central, mas todas devem servir à tese principal do autor.
Bizu de Ouro para Interpretação de Estrutura:
- A Regra da Não-Fragmentação: Marque como ERRADA qualquer alternativa que diga que o texto é "desconexo", "fragmentado", "sem lógica" ou que "perdeu a coerência". Autores de prova são escolhidos justamente pela sua clareza e articulação.
- Identifique a Repetição Estratégica: Se o autor repete muito uma palavra (ex: "óbvio", "liberdade", "corrupção"), não é falta de vocabulário. É um recurso de progressão temática para manter o tema vivo na mente do leitor.
- Cuidado com a "Digressão": Algumas bancas dizem que o autor "fugiu do assunto" (digressão). Geralmente, o que parece fuga é, na verdade, um exemplo ou citação (como citar Chesterton) para reforçar o argumento principal.
Resumo da Ópera: O texto é como um prédio. O tema é o terreno, os parágrafos são os andares e a coesão é o cimento. A progressão temática é o elevador que te leva do térreo (introdução) até a cobertura (conclusão).
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