A construção do texto e a pontuação estão intimamente ligada...

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Q3408331 Português
Os livros e suas vozes


   Se há uma pessoa que possa, a qualquer momento, arrancar da sua infância uma recordação maravilhosa, essa pessoa sou eu.
    Tudo quanto, naquele tempo, vi, ouvi, toquei, senti, perdura em mim com uma intensidade poética inextinguível. Não saberia dizer quais foram as minhas impressões maiores. Seria a que recebi dos adultos tão variados em suas ocupações e em seus aspectos? Das outras crianças? Dos objetos? Do ambiente? Da natureza?
   Recordo céus estrelados, chuva nas flores, frutas maduras, casas fechadas, estátuas, negros, aleijados, bichos, suínos, realejos, cores de tapete, bacia de anil, nervuras de tábuas, vidros de remédio, o limo dos tanques, a noite em cima das árvores, o mundo visto através de um prisma de lustre, o encontro com o eco, essa música matinal dos sabiás, lagartixas pelos muros, enterros, borboletas, o carnaval, retratos de álbum, o uivo dos cães, o cheiro do doce de goiaba, todos os tipos populares, a pajem que me contava com a maior convicção histórias do Saci e da Mula-sem-cabeça (que ela conhecia pessoalmente); minha avó que me cantava rimances e me ensinava parlendas...
    Mais tarde os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano. Foi ainda nessa área que apareceram um dia os meus próprios livros, que não são mais do que o desenrolar natural de uma vida encantada com todas as coisas.
    Sempre gostei muito de livros e, além dos livros escolares, li os de histórias infantis, e os de adultos: mas estes não me pareciam tão interessantes, a não ser, talvez, “Os três mosqueteiros”, numa edição monumental, muito ilustrada, que fora de meu avô. Aquilo era uma história que não acabava nunca; e acho que esse era o seu principal encanto para mim. Descobri o dicionário, uma das invenções mais simples e mais formidáveis e também achei que era um livro maravilhoso, por muitas razões.
    Quando eu ainda não sabia ler, brincava com livros e imaginava-os cheios de vozes, contando o mundo.

(Cecília Meireles. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1997. Fragmento.)
A construção do texto e a pontuação estão intimamente ligadas, pois a pontuação serve para indicar pausas, ritmo e entonação na leitura, além de orientar o leitor na compreensão das ideias expressas. Em “[...] a pajem que me contava com a maior convicção histórias do Saci e da Mula-sem-cabeça (que ela conhecia pessoalmente); minha avó que me cantava rimances e me ensinava parlendas...” (3º§), os parênteses foram empregados para:
Alternativas

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TEMA CENTRAL: Pontuação – Uso dos Parênteses

A questão aborda o emprego dos parênteses em um trecho do texto de Cecília Meireles, competência fundamental para quem disputa vaga em concursos públicos, especialmente para a área legislativa onde a clareza textual é essencial.

Pela norma-padrão, os parênteses servem para isolar informações acessórias: comentários, explicações ou detalhes que enriquecem o texto, sem serem indispensáveis à ideia central. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), eles "assinalam um isolamento sintático e semântico mais completo, estabelecendo maior intimidade entre o autor e o leitor".

No trecho analisado, a autora utiliza parênteses para inserir a informação: "que ela conhecia pessoalmente" — referente à pajem que lhe contava histórias. Note que esse detalhe não é essencial à progressão do relato, mas contribui para torná-lo mais vívido e interessante para o leitor. Isso está de acordo com a referência clássica de Celso Cunha & Lindley Cintra, que afirmam ser utilizado “para intercalarem-se explicações de natureza acessória” (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Justificativa da alternativa correta:
Alternativa AEnriquecer o texto, tornando-o mais rico e interessante para o leitor.

Correta, pois os parênteses transmitem um comentário adicional, que aproxima o leitor da narrativa e dá maior riqueza de detalhes ao relato, mas não altera a estrutura principal da informação.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Não corresponde ao uso do parêntese, pois não é esse sinal que permite ao leitor se posicionar — isso é feito pela argumentação e pelo conteúdo, não pela pontuação.
  • C) O parêntese não contrasta ideias, apenas acrescenta ou explica. O contraste é feito geralmente por adversativas (“mas”, “porém”).
  • D) Não é função do parêntese detalhar a motivação do autor; aqui, o conteúdo inserido é uma curiosidade, não uma justificativa pessoal da autora.

Dica para provas: Fique atento quando os enunciados sugerem funções como “explicar”, “enriquecer” ou “contrapor”; identifique o conteúdo inserido nos parênteses e pergunte-se se o sentido central sobreviveria sem ele.

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Comentários

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??

gab - a

“[...] a pajem que me contava com a maior convicção histórias do Saci e da Mula-sem-cabeça (que ela conhecia pessoalmente); minha avó que me cantava rimances e me ensinava parlendas...”

Enriquecer o texto, tornando-o mais rico e interessante para o leitor. informação acessória.

''QUE ELA CONHECIA PESSOALMENTE'' expressa ideia complementar ao texto, trazendo uma ideia a mais ao que já está escrito, tornando-o mais interessante. O leitor fica curioso em saber tudo o que aconteceu.

GABARITO - A ✅ 

VUMBORA PAPIRAR, SEM ERRAR!!!

ata... sei..

Acertei

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