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No trecho "Quando acordou, minha filha me contou que tinha ...

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Q4112803 Português
A luavezinha


Minha filha tem um adormecer difícil. Sempre imagina algo antes de dormir e me pede histórias. Certa noite, quis saber se o mundo inteiro dormia com ela. Disse-lhe que muitos fazem isso: procuram um sonho e o encontram no sono. A menina decidiu que queria ver a lua; as tradições antigas diziam que ela lamenta a perda da luz solar, e isso a encantou.

Deitada, pediu que eu soprasse um sonho para ela. Encostou a cabeça no meu peito e adormeceu. Sonhou que buscava a lua e que, ao alcançá-la, ambas se olhavam como quem se reconhece. Mas algo a assustou: a lua não tinha nome, apenas um brilho preso a um medo antigo. Ao ouvir o choro da menina, a lua também chorou, revelando que temia ser esquecida.

No sonho, choraram juntas, e uma pequena ave surgiu, feita de ecos da própria lua. A ave pediu que a menina cantasse para espantar o silêncio. A menina cantou, e a lua, aos poucos, recuperou sua luz. Era o canto mais lindo que alguém já ouvira em todo o universo. Então, libertou a ave que saíra dela mesma e que agora voava sobre a noite renovada.

Quando acordou, minha filha me contou que tinha visto a lua mais bonita do mundo. Disse que a canção que sonhara ainda ecoava dentro dela. Sorriu com a certeza simples das crianças: a de que algumas belezas só aparecem para quem as sonha primeiro.


COUTO, Mia. A luavezinha. Texto adaptado a partir de: COUTO, Mia. Contos do nascer da Terra. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. 
No trecho "Quando acordou, minha filha me contou que tinha visto a lua mais bonita do mundo", o verbo "contar" é empregado com um uso típico da norma-padrão. Considerando a estrutura da oração, a transitividade verbal e a função sintática dos termos pode-se afirmar que esse verbo é:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho "Quando acordou, minha filha me contou que tinha visto a lua mais bonita do mundo.", o verbo "contar", no sentido de relatar, realiza a estrutura "contar algo a alguém": "me" equivale a "a mim" e funciona como objeto indireto, enquanto "que tinha visto a lua mais bonita do mundo" funciona como objeto direto oracional; por isso, o verbo é transitivo direto e indireto.

Tema central: transitividade verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o verbo não é intransitivo no trecho. Há um complemento que expressa o conteúdo do relato: "que tinha visto a lua mais bonita do mundo". Além disso, "me" não basta para completar o sentido do verbo; apenas marca a quem algo foi contado.
B
Certa
A alternativa B identifica corretamente a estrutura sintática realizada no trecho. O verbo "contou" vem com dois complementos de funções distintas. "me" indica o destinatário do relato, portanto é objeto indireto, e a oração "que tinha visto a lua mais bonita do mundo" expressa o conteúdo contado, funcionando como objeto direto oracional. A construção corresponde ao esquema "contar algo a alguém".
C
Errada
Está errada porque reduz a construção a um único complemento indireto. No trecho, não há apenas o destinatário do relato, expresso por "me"; há também aquilo que foi contado, expresso pela oração "que tinha visto a lua mais bonita do mundo", que funciona como objeto direto.
D
Errada
Está errada porque atribui a "me" a função de objeto direto, mas esse pronome indica o destinatário da ação verbal e equivale a "a mim"; portanto, é objeto indireto. O objeto direto da construção é a oração "que tinha visto a lua mais bonita do mundo", que traz o conteúdo contado.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar o pronome "me" como objeto direto apenas por ser pronome oblíquo átono e ignorar que a oração introduzida por "que" pode exercer função de objeto direto.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique a estrutura efetiva do verbo no trecho, não apenas seu sentido geral.
  • Separe o destinatário da ação verbal do conteúdo expresso: em "contar algo a alguém", as funções sintáticas são diferentes.
  • Considere que uma oração subordinada pode ocupar a posição de objeto direto.
  • Não exija preposição explícita para reconhecer objeto indireto quando ele estiver expresso por pronome clítico.

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