Em sua argumentação, Hélio Schwartsman revela-se

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Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: VUNESP - 2013 - TJ-SP - Contador |
Q395818 Português
                                A ética da fila

        SÃO PAULO - Escritórios da avenida Faria Lima, em São Paulo, estão contratando flanelinhas para estacionar os carros de seus profissionais nas ruas das imediações. O custo mensal fica bem abaixo do de um estacionamento regular. Imaginando que os guardadores não violem nenhuma lei nem regra de trânsito, utilizar seus serviços seria o equivalente de pagar alguém para ficar na fila em seu lugar. Isso é ético?
        Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes (quem evitou a espera e o sujeito que recebeu para ficar parado). Mas é claro que nem todo o mundo pensa assim.
        Michael Sandel, em “O que o Dinheiro Não Compra”, levanta bons argumentos contra a prática. Para o professor de Harvard, dublês de fila, ao forçar que o critério de distribuição de vagas deixe de ser a ordem de chegada para tornar-se monetário, acabam corrompendo as instituições.
        Diferentes bens são repartidos segundo diferentes regras. Num leilão, o que vale é o maior lance, mas no cinema prepondera a fila. Universidades tendem a oferecer vagas com base no mérito, já prontos-socorros ordenam tudo pela gravidade. O problema com o dinheiro é que ele é eficiente demais. Sempre que entra por alguma fresta, logo se sobrepõe a critérios alternativos e o resultado final é uma sociedade na qual as diferenças entre ricos e pobres se tornam cada vez mais acentuadas.
        Não discordo do diagnóstico, mas vejo dificuldades. Para começar, os argumentos de Sandel também recomendam a proibição da prostituição e da barriga de aluguel, por exemplo, que me parecem atividades legítimas. Mais importante, para opor-se à destruição de valores ocasionada pela monetização, em muitos casos é preciso eleger um padrão universal a ser preservado, o que exige a criação de uma espécie de moral oficial - e isso é para lá de problemático.

                                                (Hélio Schwartsman, A ética da fila. Folha de S.Paulo, 28.04.2013)


Em sua argumentação, Hélio Schwartsman revela-se
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela identificação da posição argumentativa explícita do articulista nas marcas enunciativas do texto, sobretudo em "Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes (quem evitou a espera e o sujeito que recebeu para ficar parado)." Esse trecho mostra avaliação favorável do acordo, com consequência positiva para os envolvidos, o que confirma o gabarito B.

Tema central: posição argumentativa do autor
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao atribuir ao autor perturbação com "a situação das grandes cidades" e com "situações perversas à maioria dos cidadãos". Esse recorte não é a tese sustentada no texto. O autor discute a ética do acordo e declara expressamente que "não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto", o que exclui a atitude de perturbação indicada na alternativa.
B
Certa
A alternativa B corresponde à avaliação expressa pelo autor no 2º parágrafo. Ele afirma que não vê grandes problemas no acerto e o justifica dizendo que ele não prejudica ninguém e torna as duas partes mais felizes. Assim, sua argumentação é favorável ao pacto entre as partes, ainda que ele apresente, em seguida, objeções teóricas atribuídas a Michael Sandel.
C
Errada
A alternativa introduz uma relação de exploração dos profissionais pelos flanelinhas que o texto não afirma. Os profissionais contratam o serviço por conveniência, e não há marca textual de preocupação do autor com suposta exploração deles. O erro está na inferência sem base textual.
D
Errada
A alternativa projeta indignação e denúncia de exploração dos flanelinhas, inclusive por comparação com estacionamentos, mas o texto não desenvolve esse eixo. A informação de que o custo é mais baixo apenas contextualiza a prática; não aparece como prova de injustiça salarial nem como motivo de indignação do articulista.
E
Errada
A alternativa contradiz frontalmente o texto ao dizer que o autor é indiferente às necessidades dos guardadores. Ele inclui explicitamente o benefício deles em sua justificativa, ao afirmar que o acerto "deixa pelo menos duas pessoas mais felizes" e mencionar "o sujeito que recebeu para ficar parado". Portanto, não há indiferença, mas reconhecimento de vantagem para essa parte.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a voz do autor e os argumentos contrários de Michael Sandel: o articulista expõe a objeção teórica, mas não a adota integralmente, porque mantém sua avaliação inicial favorável ao acordo.
Dica para questões semelhantes
  • Procure primeiro as marcas explícitas de opinião do autor, especialmente verbos e expressões avaliativas como "não vejo grandes problemas".
  • Separe a posição do articulista das vozes citadas no texto; argumento mencionado para contraponto não equivale a adesão do autor.
  • Elimine alternativas que troquem avaliação textual objetiva por estados emocionais mais fortes do que o texto autoriza, como "indignado" ou "perturbado".

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Comentários

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"Não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes (...)"

Letra B 

Comentários.

Percebe-se que ao autor é favorável ao acerto ou pacto entre os flanelinhas e os escritórios, conforme a passagem do texto a seguir:  

 

“Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto. Ele não prejudica ninguém e deixa pelo menos duas pessoas mais felizes (quem evitou a espera e o sujeito que recebeu para ficar parado). Mas é claro que nem todo o mundo pensa assim.”

GABARITO: B

Assertiva b

  SÃO PAULO - Escritórios da avenida Faria Lima, em São Paulo, estão contratando flanelinhas para estacionar os carros de seus profissionais nas ruas das imediações. O custo mensal fica bem abaixo do de um estacionamento regular. Imaginando que os guardadores não violem nenhuma lei nem regra de trânsito, utilizar seus serviços seria o equivalente de pagar alguém para ficar na fila em seu lugar. Isso é ético?

     Como não resisto aos apelos do utilitarismo, não vejo grandes problemas nesse tipo de acerto.

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