Os vocábulos que completam corretamente as lacunas, na sequê...
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4.
Quem liga para os transgênicos?
__É interessante como certos assuntos chamam a atenção de todo mundo e ninguém de fato sabe nada sobre eles. No Brasil há de existir gente que entende de soja transgênica, nos diversos aspectos do problema, desde os que envolvem a criação de seres transgênicos até as consequências que seu surgimento e disseminação podem trazer. Mas é um grupo minúsculo e sem uniformidade de convicção, pois, segundo depreendo do que leio por aí, há os que entendem e são a favor e os que também entendem e são contra. E, claro, os militantes de um lado acham que o grupo oposto está errado e vice-versa.
__Na verdade mesmo, ninguém deve entender muito bem sobre os efeitos causados no meio ambiente e nos organismos que consomem os transgênicos. Isso não é ajudado pelos constantes vaivéns da misteriosa comunidade que a mídia aglomera sob o nome de "cientistas", pois um dia ela diz uma coisa, outro dia diz coisa diferente ou oposta. Em relação ______ saúde, temas aparentemente pacíficos sofrem contestações inesperadas. Faz uns meses, por exemplo, li o artigo de um médico que se opunha vigorosamente ______ realização de exercícios físicos, por constituírem séria ameaça ______ saúde. Tenho testemunhas, não é possível que somente eu leia esse tipo de coisa. E não é preciso ir tão longe, pois creio que todo mundo sabe da recente descriminalização do ovo, embora relativa, e da menos recente criminalização da antes louvada margarina, agora considerada maior vilã do que a ainda condenabilíssima manteiga.
__Os "cientistas" não formam uma comunidade ______ parte do resto da Humanidade, como a mídia - palavrinha que detesto, mas à qual já me rendi - parece pintar. São gente como nós e a ciência não é um corpo de conhecimento coeso e inequívoco. É, ao contrário, palco de batalhas às vezes furibundas, _______ respeito de quem tem razão quanto _____ um número infindável de fenômenos, dos naturais aos sociais. Os cientistas, como qualquer ser humano em todas as áreas, não estão acima de certos interesses, que vão da glória ao dinheiro. De resto, como já se disse algumas vezes, o debate sobre a soja transgênica virou ideológico. Salvo melhor juízo, a soja transgênica é de direita, a natural é de esquerda. Ninguém faz ideia do que realmente se trata, mas vai na trilha dos políticos com quem costuma concordar. E, por aí marchamos, assistindo bestamente a decisões que podem afetar de maneira radical nosso futuro, sem saber nada sobre elas, a não ser que Fulano é contra e Beltrano a favor.
__Mas não faz diferença apoiarmos os transgênicos ou não. Cada vez faz menos diferença o que pensamos, até porque o que pensamos é por seu turno cada vez mais dirigido. Seremos o que "eles" quiserem. Política e ciência só interessam a políticos e cientistas, não é verdade?
João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S. Paulo- Caderno 2 [adaptado].
Os vocábulos que completam corretamente as lacunas, na sequência em que aparecem no texto, são
Gabarito comentado
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Tema central: Esta questão avalia o conhecimento sobre o uso da crase (fusão da preposição “a” com o artigo “a” ou “as”), crucial para garantir a validade da norma-padrão em redação e interpretação de textos, especialmente em cargos técnicos como o de Fonoaudiólogo.
Justificativa da alternativa correta (D):
Para cada lacuna, é necessário avaliar se ocorre a fusão da preposição a com o artigo feminino ou se a preposição permanece isolada:
1) à saúde (em “relação à saúde”): “Relação” exige a preposição a e “saúde” admite artigo feminino. Logo, há crase.
2) à realização (“opunha-se à realização”): “Opor-se a” exige preposição a, e “realização” admite artigo feminino = crase.
3) à saúde (“ameaça à saúde”): “Ameaça” pede preposição a + artigo feminino = crase.
4) à parte (“comunidade à parte”): Nesta locução, há fusão da preposição com o artigo feminino, formando à parte.
5) a respeito de: Expressão fixa sem crase (“batalhas a respeito de”).
6) a um número: Após “quanto a”, também não ocorre crase, pois não se funde com palavras masculinas ou “um/uns”.
Análise das alternativas incorretas:
A), B), C) – Todas apresentam erro nos pontos onde não se deve usar crase, isto é, antes de palavras masculinas (“a respeito de”, “quanto a um número”).
Além disso, algumas sugerem ausência de crase onde ela é obrigatória, como em “à parte”.
Lembre-se da dica: Nunca há crase antes de palavras masculinas, pronomes pessoais, verbos, cidades sem artigo, nem antes de “a” singular indicando tempo determinado, conforme Bechara e Cunha & Cintra.
Estratégia de prova:
Leia cuidadosamente o termo regente, identifique se exige preposição “a”. Em seguida, verifique se o termo seguinte admite artigo feminino “a”. Havendo os dois, há crase. Desconfie de crase antes de palavras masculinas ou verbos.
Resumo: A correta sequência é “à – à – à – à – a – a”. O emprego da crase está fiel à norma culta e aos referenciais consagrados, como Moderna Gramática Portuguesa de Bechara.
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