Uma pesquisa do Instituto de Química da Universidade
de São Paulo (IQ-USP) revelou que o ar do interior paulista
pode ser pior que o da capital. Isso porque, segundo o estudo
conduzido pela química Aleinnys Yera, pesticidas associados
ao risco de câncer foram detectados na zona agrícola de
Piracicaba em concentração superior à registrada na cidade
de São Paulo e no polo petroquímico de Capuava, entre
Mauá e Santo André. E chama a atenção o fato de as substâncias prejudiciais à saúde terem sido encontradas tanto na
zona rural como nas áreas urbana e industrial.
O trabalho identificou em Piracicaba um nível mais alto
de atrazina, um composto usado para controle de pragas
nas culturas de cana-de-açúcar. Na área urbana da capital e
na industrial de Capuava, o estudo mapeou o malationa e a
permetrina, que são usados no combate a mosquitos transmissores de doenças, como a dengue. E nos três pontos de
medição houve registro de alta exposição diária ao heptacloro, que, embora seja proibido há anos no Brasil, ainda está
presente no ar.
Um dos principais achados da pesquisa é o potencial
impacto dos pesticidas para além da região onde são usados.
O estudo afirma que, considerando o peso da atividade agrícola e o uso intensivo de agrotóxicos no País, é “provável” que
haja a presença generalizada de pesticidas no ar. O cultivo da
cana-de-açúcar, por exemplo, é o que mais recebe pulverização aérea no Estado, que, aliás, é o maior produtor de cana do
Brasil. Trata-se, portanto, de uma evidência de que, transportados pelo ar, esses produtos alcançam áreas muito afastadas
de onde foram aplicados.
Para minimizar tudo isso, o governo paulista disse que
capacita produtores rurais para que façam o manejo racional
dos defensivos agrícolas e afirmou que fiscaliza o uso dos
pesticidas e pune os infratores. Parece insuficiente. Do contrário, os resultados da pesquisa do IQ-USP não seriam tão
ruins.
O Estado de São Paulo é uma potência agrícola, o interior paulista é pujante e o agronegócio impulsiona a economia, mas nada pode colocar em risco a saúde da população.
São necessárias práticas ainda mais sustentáveis.