Quanto aos aspectos gramaticais e de pontuação do texto, an...

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Q4233304 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Por que utilizar o CadÚnico como fonte de informação para orientar políticas públicas?

    O CadÚnico reúne dados da população com renda per capita de até meio salário-mínimo, ou até três salários-mínimos como renda familiar total. Os dados do cadastro contribuem para subsidiar dezenas de programas federais, notadamente aqueles voltados à população de baixa renda. Nesse sentido, aponta-se que o CadÚnico possui ampla abrangência da população pobre.
    No período 2016-2022 o CadUnico foi alvo de desmontes e desmobilizações. A partir de 2023 foram despendidos esforços no sentido do aprimoramento da base, inclusão de novas famílias via programas sociais, revisão de normas para aprimorar a averiguação e revisão cadastral, além do esforço do Ipea na geocodificação de toda a base que permite cruzamentos detalhados com bases diversas de dados, inclusive municipais.
    A principal desvantagem no uso dos dados do CadÚnico diz respeito ao fato de que se tratam de dados autodeclarados. Nesse sentido, há a recomendação de que o ministério responsável desenvolva uma estratégia de verificação, que pode ocorrer por amostragem, com o potencial de garantir maior confiabilidade aos dados.
    Um ponto que pode ser considerado uma desvantagem a longo prazo diz respeito ao maior foco do CadÚnico nas famílias mais vulneráveis, de modo que não necessariamente todas as famílias que deveriam ser atendidas pela Lei de ATHIS - aquelas com renda de até três salários-mínimos - estejam incluídas no Cadastro. Contudo, tendo em vista a necessidade de priorização dos beneficiários devido aos usualmente limitados recursos para implementação da referida legislação, vislumbra-se esta como uma vantagem, já que revela a parcela de maior vulnerabilidade e, nesse sentido, prioritária. 
    Complementarmente, o cadastro tem sido utilizado em distintas iniciativas para acompanhamento da situação habitacional. Os principais exemplos são do Espírito Santo, iniciativa do Instituto Jones dos Santos Neves desde 2015, que se beneficia também da possibilidade de desagregação dos dados para monitorar o déficit habitacional quantitativo municipal em periodicidade anual. A partir desta referência, o Instituto Mauro Borges desenvolveu metodologia semelhante em Goiás. Posteriormente, esta metodologia foi adaptada pelo Ipea para investigar a existência de déficit habitacional na situação de moradia anterior das famílias contempladas pelo Minha Casa Minha Vida, enquadradas na Faixa 1 do programa, nas 20 maiores cidades do país.

Fonte: INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APUCADA (IPEA) Nota Técnica nº 55. Brasília, DF: Ipea, 2025.
Quanto aos aspectos gramaticais e de pontuação do texto, analise as assertivas que seguem, julgando-as V, se Verdadeiras, ou F, se Falsas: 

( ) O uso dos travessões no quarto parágrafo justifica-se para isolar uma estrutura explicativa, a qual não poderia ser alternativamente isolada por parênteses.
( ) O emprego dos termos desmontes e desmobilizações, no segundo parágrafo, consiste em um eufemismo.
( ) No título, o emprego da expressão Por que justifica-se por tratar-se de uma conjunção explicativa que introduz uma oração coordenada.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima? 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A resolução depende de três pontos: no trecho entre travessões, há segmento explicativo, mas ele também poderia ser isolado por parênteses; em "No período 2016-2022 o CadUnico foi alvo de desmontes e desmobilizações.", os termos não configuram eufemismo; e, no título, "Por que" tem valor interrogativo, não de conjunção explicativa.

Tema central: pontuação, figura de linguagem e classificação gramatical
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa A marca a primeira assertiva como verdadeira, mas ela é falsa. O erro está em afirmar impossibilidade: os travessões realmente isolam uma estrutura explicativa, porém esse tipo de inciso pode ser isolado também por parênteses. Como a primeira assertiva não se sustenta integralmente, a sequência V-F-F fica invalidada.
B
Errada
A alternativa B marca a segunda assertiva como verdadeira, mas isso contraria o critério semântico exigido para eufemismo. Em "desmontes e desmobilizações", o texto nomeia diretamente ações de enfraquecimento institucional; não há abrandamento expressivo de ideia desagradável. Por isso, a sequência F-V-F está errada.
C
Errada
A alternativa C marca a terceira assertiva como verdadeira, mas no título "Por que utilizar o CadÚnico como fonte de informação para orientar políticas públicas?" a expressão "por que" tem valor interrogativo, equivalente a "por qual razão". Não funciona como conjunção explicativa nem introduz oração coordenada. Assim, a sequência F-F-V não procede.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a sequência é F-F-F. A primeira assertiva erra na parte decisiva: embora o trecho entre travessões seja explicativo, não é verdade que ele não poderia ser isolado por parênteses. A segunda erra ao classificar como eufemismo palavras que, no contexto, nomeiam diretamente processos de desestruturação, sem efeito de suavização. A terceira erra na classificação gramatical: no título, "por que" integra uma pergunta direta e equivale a uma expressão interrogativa, não a uma conjunção explicativa introdutora de oração coordenada.
Pegadinha da questão
A banca misturou, na primeira assertiva, um reconhecimento correto parcial com uma conclusão falsa; na segunda, tentou forçar figura de linguagem sem efeito de atenuação; na terceira, explorou a confusão entre "por que" interrogativo e conjunção explicativa.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a assertiva trouxer "não pode" ou "não poderia", confira se há realmente exclusividade do recurso apontado.
  • Para reconhecer eufemismo, procure suavização efetiva do sentido; nomeação direta de fato negativo não basta.
  • Em títulos formulados como pergunta, verifique primeiro se o termo destacado integra uma interrogativa direta antes de classificá-lo como conjunção.

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Comentários

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O erro da letra A é pq diz que não poderia ser substituído por parênteses.

A primeira é falsa porque pode sim ser substituído por parênteses.

A segunda é falsa porque o emprego das palavras "demontes" e "desmobilizações" não tem como finalidade suavizar uma realidade desagradável, sendo somente uma escolha vocabular, não se encaixando como eufemismo.

A terceira é falsa porque não é uma conjunção explicativa. Foi empregada em uma pergunta, sendo equivalente a "por qual motivo".

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